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Desaceleração no 2º semestre marcou fechamento de 2025 na cadeia de móveis

  • Geral
  • 6 de fevereiro de 2026

A combinação entre um ambiente doméstico menos favorável e menor previsibilidade no ambiente externo reduziu a estabilidade do fluxo de pedidos, levando a indústria brasileira de móveis e colchões a ajustes operacionais que se intensificaram na reta final do ano. 

Os dados da “Conjuntura de Móveis – Edição Janeiro 2026”, estudo desenvolvido pelo IEMI com exclusividade para a ABIMÓVEL (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário), mostram que 2025 encerrou com desempenho abaixo do esperado no início do ano: a produção perdeu ritmo no acumulado, o consumo interno desacelerou e o varejo terminou o período em nível inferior ao de 2024, enquanto o comércio exterior avançou de forma limitada e passou por uma reconfiguração relevante de destinos.

A leitura mês a mês ajuda a entender o que mudou. Até o terceiro trimestre, a indústria brasileira de móveis sustentava avanço moderado, mas, a partir de agosto, a dinâmica passou a refletir um duplo ajuste: de um lado, a demanda doméstica por bens duráveis seguiu mais seletiva, diante de condições de crédito e orçamento doméstico mais limitados; de outro, o ambiente externo se tornou mais restritivo com a adoção de tarifas adicionais pelos Estados Unidos, que subiram de 10% para 50% em grande parte das categorias de produtos, elevando a incerteza comercial no principal destino e pressionando decisões de produção, emprego e investimentos.

Produção e consumo aparente confirmam
perda de ritmo no acumulado

Em novembro de 2025, a produção de móveis e colchões alcançou 38,6 milhões de peças, com queda de 7,2% em relação a outubro (mês tradicionalmente de antecipação de produção para a agenda de datas promocionais do último bimestre). No acumulado de janeiro a novembro, o indicador registrou recuo de 0,9% na comparação com o mesmo período de 2024; em 12 meses, acumulou -0,4%.

O mês a mês evidencia a inflexão do segundo semestre. Em outubro, a produção havia atingido 41,4 milhões de peças (+6,1% sobre setembro), mas o avanço não se sustentou na sequência, sinalizando que o quarto trimestre começou com correção de ritmo e maior cautela produtiva. 

-0,9% no acumulado de janeiro a novembro de 2025 frente a igual período em 2024

No acumulado de janeiro a novembro, o setor fabricou aproximadamente 404,0 milhões de peças, considerando a soma do volume produzido no período.

O consumo aparente somou 39,0 milhões de peças em novembro, com queda de 7,0% sobre outubro. No acumulado de janeiro a novembro, houve recuo de 0,7%, e em 12 meses, -0,4%. A participação dos importados foi de 6,0% em novembro, patamar que, em um mercado menos aquecido, tende a aumentar a pressão competitiva, especialmente por preço, ampliando a disputa no ponto de venda.

Receita industrial: avanço no acumulado,
correção no fim do ano

Em novembro, a receita da indústria foi de R$ 8,6 bilhões, com queda de 6,6% em relação ao mês anterior. No acumulado de janeiro a novembro, contudo, houve alta de 3,5% frente a igual período de 2024 e, em 12 meses, variação de +4,0%. 

O resultado reforça uma característica frequente em ciclos de ajuste: a sustentação do valor não elimina o desafio quando volume e produtividade perdem fôlego, exigindo resposta estrutural em eficiência e competitividade.

Emprego e desafios de eficiência

O recuo da atividade no segundo semestre também aparece nos indicadores de trabalho. Em novembro, o emprego no setor caiu 0,8% em relação ao mês anterior. No acumulado do ano (janeiro a novembro), o indicador permaneceu positivo, +7,1%; com alta de 4,2% em 12 meses, refletindo o avanço observado ao longo de 2025 antes do ajuste na reta final.

Isso porque a operação passou a calibrar esforço produtivo com mais intensidade no fim do ano. O número de horas trabalhadas caiu 6,3% em novembro frente a outubro, ainda que registre alta no acumulado. O ponto central, porém, é a produtividade: o indicador recuou 0,9% em novembro, acumulando queda de 8,0% no ano e -7,3% em 12 meses.

Investimentos: modernização fechou o ano em alta,
mas segundo semestre foi de pé no freio

Um dos sinais relevantes de 2025 veio do investimento em tecnologia: as importações de máquinas para fabricação de móveis encerraram o ano com alta de 32,8%. A trajetória ao longo do segundo semestre, porém, foi marcada por maior seletividade. A correção de ritmo da produção e o aumento das incertezas no ambiente externo passaram a influenciar decisões de modernização, que foram caindo ao longo do segundo semestre

Varejo reage em novembro, mas fecha o período abaixo de 2024, com efeito de calendário promocional

Por outro lado, as vendas de móveis no varejo tiveram forte alta em novembro: 39,3 milhões de peças, +29,1% sobre outubro; e R$ 12,9 bilhões em receita, +28,9% no mês. Ainda assim, o panorama do ano permanece negativo: no acumulado de janeiro a novembro, o varejo recuou 4,5% em volume e 1,4% em valor. Em 12 meses, as quedas foram de 3,7% (volume) e 0,7% (valor).

Varejo de Móveis (milhões de peças)

A leitura do mês dialoga com o calendário do consumo. Novembro concentra campanhas promocionais, com destaque para a Black Friday e ações de antecipação de compras, o que contribui para picos pontuais sem necessariamente reverter, sozinho, a tendência do acumulado. 

Comércio exterior: crescimento anual limitado
e reconfiguração de destinos

No fechamento de 2025 (janeiro a dezembro), as exportações brasileiras de móveis e colchões somaram US$ 769,3 milhões, crescimento de 0,8% sobre 2024. O desempenho anual foi impactado pela volatilidade da reta final: em novembro, as exportações recuaram 8,2% (US$ 62,3 milhões), enquanto em dezembro houve avanço de 7,5% (US$ 66,9 milhões).

O ponto central, porém, é estrutural. Os Estados Unidos permaneceram como principal destino, mas encerraram 2025 com 23,5% de participação (US$ 181,0 milhões), demonstrando perda de espaço em relação ao ano anterior. Em contrapartida, mercados regionais ampliaram presença, com destaque para Uruguai (12,1%), Chile (7,4%), Argentina (5,9%) e Paraguai (5,7%).

Destino das Exportações

(acumulado do ano)

Dentre os principais mercados externos consumidores de móveis e colchões brasileiros, no período de janeiro a dezembro de 2025, destacaram-se as participações de Estados Unidos (23,5%), Uruguai (12,1%) e Chile (7,4%).

Países Jan-Dez/2023 Jan-Dez/2024 Jan-Dez/2025
US$ mil Part. (%) US$ mil Part. (%) US$ mil Part. (%)
1. Estados Unidos 234.325 31,9% 225.880 29,6% 181.048 23,5%
2. Uruguai 80.053 10,9% 83.311 10,9% 93.043 12,1%
3. Chile 48.488 6,6% 52.466 6,9% 56.783 7,4%
4. Argentina 9.597 1,3% 15.927 2,1% 45.624 5,9%
5. Paraguai 29.166 4,0% 33.656 4,4% 43.649 5,7%
6. Reino Unido 47.614 6,5% 45.016 5,9% 37.709 4,9%
7. Peru 27.197 3,7% 40.088 5,3% 27.523 3,6%
8. México 11.972 1,6% 20.507 2,7% 26.812 3,5%
9. França 19.844 2,7% 19.322 2,5% 21.671 2,8%
10. Porto Rico 17.307 2,4% 15.244 2,0% 21.553 2,8%
Subtotal 525.563 71,5% 551.416 72,3% 555.414 72,2%
Outros 209.814 28,5% 211.636 27,7% 213.902 27,8%
Total 735.376 100,0% 763.052 100,0% 769.317 100,0%

Fonte: Secex (Ministério da Economia). Elaboração: IEMI.

Nota: Não inclui assentos para aviões e automóveis, nem partes para móveis e nem partes para assentos.

No recorte estadual das exportações de móveis e colchões, a pauta seguiu concentrada especialmente no Sul e no Sudeste. 

Estados Exportadores

(acumulado do ano)

Dentre os principais estados exportadores de móveis e colchões brasileiros, no período de janeiro a dezembro de 2025, destacam-se Santa Catarina com 33,2% de participação, Rio Grande do Sul com 31,6% e Paraná com 18,7%.

Estados Jan-Dez/2023 Jan-Dez/2024 Jan-Dez/2025
US$ mil Part. (%) US$ mil Part. (%) US$ mil Part. (%)
1. Santa Catarina 250.376 34,0% 248.903 32,6% 255.084 33,2%
2. Rio Grande do Sul 229.798 31,2% 250.065 32,8% 242.865 31,6%
3. Paraná 118.700 16,1% 130.601 17,1% 143.804 18,7%
4. São Paulo 102.614 14,0% 103.777 13,6% 102.796 13,4%
5. Minas Gerais 15.870 2,2% 14.563 1,9% 10.915 1,4%
6. Espírito Santo 3.324 0,5% 3.070 0,4% 3.312 0,4%
7. Pernambuco 3.030 0,4% 3.071 0,4% 3.198 0,4%
8. Bahia 3.604 0,5% 2.922 0,4% 2.420 0,3%
9. Rio de Janeiro 2.744 0,4% 3.417 0,4% 2.295 0,3%
10. Pará 2.063 0,3% 825 0,1% 438 0,1%
Subtotal 732.122 99,6% 761.214 99,8% 767.128 99,7%
Outros 3.254 0,4% 1.837 0,2% 2.189 0,3%
Total 735.376 100,0% 763.052 100,0% 769.317 100,0%

Fonte: Secex (Ministério da Economia). Elaboração: IEMI.

Nota: Não inclui assentos para aviões e automóveis, nem partes para móveis e nem partes para assentos.

Acordo Mercosul–União Europeia
aponta novos horizontes

No radar estratégico, o Acordo Mercosul–União Europeia entrou como variável relevante para os próximos ciclos. A assinatura formal ocorreu em 17 de janeiro de 2026, após sinal verde do Conselho da UE. O desenho do acordo é descrito como a criação de uma área de livre comércio de grande escala, com mercado superior a 720 milhões de consumidores. Ao mesmo tempo, o processo de ratificação enfrenta questionamentos legais e pode alongar prazos para a entrada em vigor.

Para o setor, o tema importa por duas razões: amplia a perspectiva de crescimento em um dos maiores mercados consumidores do mundo e reforça a necessidade de competitividade estrutural para disputar espaço tanto na Europa quanto no entorno regional do Mercosul.

Suprimentos: desempenho mais dinâmico
e novos vetores de demanda

Na vertical de componentes, fornecedores e máquinas, o comércio exterior apresentou avanço mais consistente. As exportações do segmento somaram mais de US$ 3,7 bilhões em 2025, crescimento de 5,0% sobre 2024. 

Os Estados Unidos seguem como principal destino (31,3%), mas a composição mudou com o avanço de Singapura (11,9%) e Argentina (11,8%), reforçando uma diversificação mais pronunciada na cadeia de suprimentos.

Destino das Exportações

(acumulado do ano)

Dentre os principais mercados externos consumidores de componentes, fornecedores e máquinas brasileiras, no período de janeiro a dezembro de 2025, destacaram-se as participações de Estados Unidos (31,3%), Singapura (11,9%) e Argentina (11,8%).

Países Jan-Dez/2023 Jan-Dez/2024 Jan-Dez/2025
US$ mil Part. (%) US$ mil Part. (%) US$ mil Part. (%)
1. Estados Unidos 1.286.113 37,2% 1.432.156 40,0% 1.178.743 31,3%
2. Singapura 17.980 0,5% 80.238 2,2% 448.410 11,9%
3. Argentina 486.206 14,1% 396.822 11,1% 443.795 11,8%
4. Chile 192.373 5,6% 205.165 5,7% 168.810 4,5%
5. México 167.067 4,8% 181.735 5,1% 166.015 4,4%
6. Paraguai 110.305 3,2% 132.717 3,7% 136.910 3,6%
7. Colômbia 66.875 1,9% 73.241 2,0% 80.797 2,1%
8. Reino Unido 79.003 2,3% 89.915 2,5% 80.001 2,1%
9. Alemanha 90.880 2,6% 88.702 2,5% 79.947 2,1%
10. Países Baixos (Holanda) 52.005 1,5% 48.482 1,4% 66.082 1,8%
Subtotal 2.548.807 73,7% 2.729.173 76,2% 2.849.511 75,8%
Outros 910.240 26,3% 851.838 23,8% 911.630 24,2%
Total 3.459.047 100,0% 3.581.011 100,0% 3.761.140 100,0%

Fonte: Secex (Ministério da Economia). Elaboração: IEMI.

Entre os estados exportadores do segmento, destacaram-se São Paulo (28,7%), Paraná (23,9%) e Santa Catarina (19,0%), confirmando a concentração em polos industriais com alta densidade produtiva e integração com mercados externos.

Estados Exportadores

(acumulado do ano)

Dentre os principais estados exportadores de componentes, fornecedores e máquinas brasileiros, no período de janeiro a dezembro de 2025, destacam-se São Paulo com 28,7% de participação, Paraná com 23,9% e Santa Catarina com 19,0%.

Estados Jan-Dez/2023 Jan-Dez/2024 Jan-Dez/2025
US$ mil Part. (%) US$ mil Part. (%) US$ mil Part. (%)
1. São Paulo 1.065.710 30,8% 1.043.192 29,1% 1.081.095 28,7%
2. Paraná 986.723 28,5% 1.067.320 29,8% 897.343 23,9%
3. Santa Catarina 704.383 20,4% 811.928 22,7% 714.662 19,0%
4. Espírito Santo 3.923 0,1% 8.816 0,2% 307.503 8,2%
5. Rio de Janeiro 138.484 4,0% 111.135 3,1% 210.800 5,6%
6. Pará 179.599 5,2% 174.761 4,9% 193.368 5,1%
7. Rio Grande do Sul 147.894 4,3% 148.040 4,1% 133.937 3,6%
8. Mato Grosso 81.392 2,4% 71.219 2,0% 66.480 1,8%
9. Rondônia 48.993 1,4% 48.080 1,3% 65.893 1,8%
10. Minas Gerais 45.607 1,3% 37.133 1,0% 41.428 1,1%
Subtotal 3.402.708 98,4% 3.521.624 98,3% 3.712.509 98,7%
Outros 56.339 1,6% 59.388 1,7% 48.632 1,3%
Total 3.459.047 100,0% 3.581.011 100,0% 3.761.140 100,0%

Fonte: Secex (Ministério da Economia). Elaboração: IEMI.

Agenda 2026: previsibilidade, produtividade
e reposicionamento externo

O balanço de 2025 aponta uma agenda objetiva para 2026. No mercado interno, o desafio é recompor estabilidade para um setor sensível a crédito, renda e confiança do consumidor, reduzindo a volatilidade que encurta programação industrial.

No comércio exterior, o caminho passa por reposicionamento e inteligência comercial: diversificar destinos com estratégia, reduzir dependência de um único mercado e mitigar riscos associados a barreiras tarifárias, combinando planejamento, adequação técnica e construção de relacionamento comercial.

Do ponto de vista institucional, a atenção se volta também à agenda diplomática. Nesse contexto, a ABIMÓVEL, em parceria com a BMJ Consultores Associados, sob liderança do Dr. Welber Barral, tem colaborado de forma técnica com o Governo Federal para subsidiar ações voltadas à exclusão do setor do tarifaço americano ou, ao menos, à redução das alíquotas para patamares inferiores a 15%. A atuação inclui ainda apoio à entrada em vigor do Acordo Mercosul–UE, bem como o acompanhamento das tratativas com a EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio) e Singapura, defendendo a intensificação do diálogo com o setor privado para definir prioridades na política comercial.

Resumo – Principais Indicadores do Setor Moveleiro

IEMI
Indicadores Brasil Minas Gerais Paraná Rio Grande do Sul Santa Catarina São Paulo
Produção (Peças) – Novembro/25 -7,2% - -10,9% -3,3% - -
Consumo Aparente – Novembro/25 -7,0% - -10,9% -3,2% - -
Exportação (US$) – Dezembro/25 7,5% 68,4% 2,1% -0,6% 21,1% 6,3%
Importação (US$) – Dezembro/25 -4,2% -9,2% 1,4% -1,8% -12,0% 6,9%
Participação dos Importados – Novembro/25 6,0% - 2,8% 0,4% - -
Emprego – Novembro/25 -0,8% -0,10% -0,27% -0,41% -0,51% 0,06%
Varejo (Volume) – Novembro/25 29,1% 10,0% 16,8% 31,1% 27,5% 18,7%
Varejo (Valores) – Novembro/25 28,9% 8,7% 16,6% 33,3% 27,4% 19,2%
Fonte: IBGE/Secex/CAGED/CNI. Elaboração IEMI.
A íntegra da Conjuntura de Móveis – Janeiro/2026 está disponível no acervo digital da ABIMÓVEL: abimovel.com/acervo-digital

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