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Exportações de móveis e colchões prontos recuam no 1º quadrimestre, enquanto embarque de suprimentos cresce

  • Geral
  • 16 de junho de 2026

Enquanto o acumulado de janeiro a abril de 2026 apresentou queda nas exportações de móveis e colchões prontos, houve crescimento nos embarques da cadeia ampliada, que inclui componentes, máquinas, equipamentos e outros fornecedores

As exportações brasileiras de móveis e colchões chegaram ao fim do primeiro quadrimestre de 2026 com sinais distintos. De um lado, março e abril apresentaram alguma recuperação no fluxo mensal, indicando uma possível retomada gradual dos embarques após um início de ano mais fraco. De outro, o acumulado de janeiro a abril ainda mostra retração frente ao mesmo período de 2025, refletindo um ambiente internacional mais instável, competitivo e marcado por mudanças na geografia dos negócios.

De acordo com a Conjuntura de Móveis – Edição Maio 2026, estudo desenvolvido pelo IEMI com exclusividade para a ABIMÓVEL (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário), as exportações brasileiras de móveis e colchões somaram US$ 218,7 milhões entre janeiro e abril de 2026, queda de 7,2% em relação aos US$ 235,8 milhões registrados no mesmo período de 2025. 

O resultado confirma que a melhora observada nos meses mais recentes ainda não foi suficiente para compensar a perda acumulada no início do ano. Em março, as exportações de móveis avançaram 38,6% frente a fevereiro, alcançando US$ 65,2 milhões. Em abril, cresceram novamente, chegando a US$ 67,5 milhões, alta de 3,5% sobre março. A sequência sugere recomposição do ritmo exportador, mas dentro de uma base anual ainda pressionada.

Esse comportamento ocorre em um momento de maior fragmentação. A demanda global por bens segue sujeita a custos financeiros elevados, oscilações cambiais, tensões geopolíticas, redefinições tarifárias e disputas por cadeias de fornecimento mais seguras. Para a indústria moveleira brasileira, que atua em mercados com diferentes níveis de renda, canais de distribuição, exigências técnicas e padrões de consumo, exportar em 2026 exige não apenas preço e escala, mas leitura de risco, adaptação comercial e presença contínua.

Estados Unidos perdem participação, mas seguem como principal destino

Os Estados Unidos permaneceram como o principal destino dos móveis e colchões brasileiros no primeiro quadrimestre de 2026, mas com perda expressiva de participação. Entre janeiro e abril, o mercado norte-americano respondeu por 16,7% das exportações do setor, com US$ 36,6 milhões em compras.

A comparação mostra a dimensão da mudança. No mesmo período de 2025, antes do anúncio das novas tarifas globais, os EUA haviam importado US$ 65,2 milhões em móveis e colchões brasileiros, o equivalente a 27,7% do total. Em 2024, a participação era ainda maior: 32,1%, com US$ 71,8 milhões. Em dois anos, portanto, a fatia estadunidense no primeiro quadrimestre caiu mais de 15 pontos percentuais.

A retração não elimina a relevância americana para a indústria brasileira, mas altera a leitura sobre o mercado. O país continua sendo uma praça de alto valor, com forte presença de importadores, distribuidores, especificadores, lojistas e canais especializados. Ao mesmo tempo, tornou-se um destino mais sensível a custos, margens, prazos, incertezas regulatórias e discussões tarifárias.

Esse ponto ganhou ainda mais peso em 2026 com os desdobramentos da investigação dos EUA no âmbito da Seção 301. A proposta de tarifa adicional sobre produtos brasileiros, ainda em processo de consulta e análise, ampliou o nível de atenção dos exportadores, especialmente em segmentos mencionados no debate sobre madeira, origem da matéria-prima, conformidade e rastreabilidade. Para o setor moveleiro, isso reforça a importância de evidenciar legalidade, uso de matéria-prima de origem regular, processos auditáveis, responsabilidade produtiva e social, bem como aderência às exigências dos mercados compradores.

América Latina ganha peso na pauta exportadora

Se a América do Norte vem perdendo participação, os mercados latino-americanos ganham relevância na composição das exportações brasileiras de móveis e colchões. O Uruguai foi o segundo principal destino no acumulado de janeiro a abril de 2026, com US$ 28,5 milhões e 13,0% de participação. Em 2025, o país respondia por 10,3%; em 2024, por 10,0%.

O Chile apareceu na terceira posição, com US$ 16,9 milhões e 7,7% do total exportado. Em seguida vieram Peru, com US$ 15,8 milhões e 7,2%; Paraguai, com US$ 12,8 milhões e 5,9%; e Argentina, com US$ 12,6 milhões e 5,7%.

A presença desses mercados entre os principais destinos revela uma reacomodação importante. Países da América do Sul combinam proximidade geográfica, maior familiaridade comercial, menor complexidade logística em relação a destinos transoceânicos e afinidades de consumo que podem favorecer a oferta brasileira. Em um ano de maior incerteza em mercados tradicionais, essa região tende a funcionar como eixo de sustentação comercial e diversificação.

A Argentina também chama atenção pela velocidade de crescimento. As compras de móveis e colchões brasileiros passaram de US$ 7,4 milhões entre janeiro e abril de 2025 para US$ 12,6 milhões em igual período de 2026. O Peru também avançou de forma relevante, saindo de US$ 9,6 milhões para US$ 15,8 milhões

Esse desempenho não compensa integralmente a queda dos Estados Unidos, mas ajuda a reduzir a concentração da pauta exportadora. 

Destino das Exportações

(acumulado do ano)

Dentre os principais mercados externos consumidores de móveis e colchões brasileiros, no acumulado do ano, de janeiro a abril de 2026, destacaram-se as participações de Estados Unidos (16,7%), Uruguai (13,0%) e Chile (7,7%).

Países Jan–Abr/2024 Jan–Abr/2025 Jan–Abr/2026
US$ milPart. (%) US$ milPart. (%) US$ milPart. (%)
1. Estados Unidos 25,5% 71.81532,1% 65.22227,7% 36.60816,7%
2. Uruguai 11,1% 22.36710,0% 24.31310,3% 28.50913,0%
3. Chile 7,6% 18.2888,2% 16.6067,0% 16.9177,7%
4. Peru 5,3% 10.2054,6% 9.5674,1% 15.7887,2%
5. Paraguai 4,6% 7.8313,5% 10.2134,3% 12.8215,9%
6. Argentina 3,3% 2.1881,0% 7.3643,1% 12.5705,7%
7. Reino Unido 5,9% 14.1696,3% 15.0146,4% 10.7314,9%
8. México 3,5% 5.0022,2% 9.2833,9% 9.7484,5%
9. Colômbia 2,1% 2.6511,2% 4.9612,1% 6.6753,1%
10. Equador 2,0% 3.9341,8% 3.2901,4% 6.1412,8%
Subtotal 158.44970,8% 165.83470,3% 156.50871,6%
Outros 65.26729,2% 69.94529,7% 62.16328,4%
Total 223.716100,0% 235.779100,0% 218.671100,0%

Fonte: Secex (Ministério da Economia). Elaboração: IEMI.

Nota: Não inclui assentos para aviões e automóveis, nem partes para móveis e nem partes para assentos

Componentes, fornecedores e máquinas ampliam leitura da cadeia

Embora o foco da pauta exportadora de móveis e colchões revele retração no primeiro quadrimestre, a cadeia moveleira ampliada apresentou outro comportamento. No segmento de componentes, fornecedores e máquinas brasileiras, as exportações somaram US$ 1,16 bilhão entre janeiro e abril de 2026, alta de 2,5% frente aos US$ 1,13 bilhão registrados no mesmo período de 2025.

Nesse recorte, os Estados Unidos também permaneceram como principal destino, com US$ 366,0 milhões e 31,6% de participação. Ainda assim, perderam espaço em relação aos anos anteriores: em 2025, respondiam por 36,9%; em 2024, por 41,9%. A Argentina apareceu em segundo lugar, com US$ 159,2 milhões e 13,7% de participação.

O dado mais expressivo, porém, foi Singapura, que passou de participação praticamente residual em 2024 e 2025 para US$ 79,6 milhões no primeiro quadrimestre de 2026, alcançando 6,9% do total. México, Chile, Paraguai, Colômbia, Alemanha, Itália e Países Baixos completaram a lista dos dez principais destinos desse grupo de produtos.

Destino das Exportações

(acumulado do ano)

Dentre os principais mercados externos consumidores de componentes, fornecedores e máquinas brasileiras, entre janeiro e abril de 2026, destacaram-se as participações de Estados Unidos (31,6%), Argentina (13,7%) e Singapura (6,9%).

Países Jan–Abr/2024 Jan–Abr/2025 Jan–Abr/2026
US$ milPart. (%) US$ milPart. (%) US$ milPart. (%)
1. EUA36,8%484.26741,9%417.78436,9%366.03431,6%
2. Argentina12,8%134.26411,6%148.42313,1%159.20313,7%
3. Singapura2,3%7810,1%3980,0%79.6326,9%
4. México4,6%60.1095,2%42.1233,7%58.2725,0%
5. Chile5,1%66.7235,8%61.0345,4%47.5104,1%
6. Paraguai3,5%41.2113,6%34.4873,0%46.6594,0%
7. Colômbia2,4%21.5751,9%24.1572,1%38.2243,3%
8. Alemanha2,8%28.2192,4%34.9913,1%33.2922,9%
9. Itália2,3%22.9742,0%30.0102,7%23.9062,1%
10. Países Baixos (Holanda)1,8%15.7461,4%21.6781,9%23.8272,1%
Subtotal875.86875,8%815.08572,0%876.55975,6%
Outros279.93122,8%316.52927,2%282.95925,2%
Total1.155.799100,0%1.131.614100,0%1.159.519100,0%

Fonte: Secex (Ministério da Economia). Elaboração: IEMI.

Nota: Não inclui assentos para aviões e automóveis, nem partes para móveis e nem partes para assentos

A leitura conjunta dos dois recortes amplia a compreensão sobre a presença internacional do setor moveleiro brasileiro. As exportações de móveis e colchões acabados seguem como vitrine estratégica da indústria nacional, levando aos mercados externos design, capacidade produtiva, materiais, acabamento e identidade brasileira. Ao mesmo tempo, o desempenho da cadeia ampliada evidencia a força de um ecossistema produtivo mais abrangente, formado também por componentes, insumos, fornecedores, máquinas e soluções industriais.

Exportar em 2026 exige presença, diversificação e inteligência comercial

É nesse cenário que iniciativas como o Projeto Brazilian Furniture, realizado pela ABIMÓVEL em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), ganham ainda mais relevância, ao atuar tanto na internacionalização no segmento de móveis acabados quanto no de suprimentos para a cadeia moveleira.

A ForMóbile 2026 que está com credenciamento aberto –, ocorre de 30 de junho a 03 de julho no São Paulo Expo, e será um exemplo dessa estratégia. Por meio do Projeto Comprador, as entidades organizam rodadas de negócios entre empresas brasileiras e compradores de aproximadamente 20 países, em agendas voltadas tanto para fornecedores da cadeia moveleira quanto para fabricantes de móveis prontos

A feira também contará com uma exposição de peças de destaque do 1º Prêmio Design da Movelaria Nacional, apresentadas no Salone del Mobile.Milano 2026, reforçando a conexão entre toda a cadeia moveleira. As inscrições para a segunda edição do prêmio, aliás, seguem abertas até 07 de julho, ampliando a oportunidade para indústrias, marcenarias, designers, arquitetos, estudantes e profissionais criativos projetarem suas criações em novas plataformas de visibilidade: mkt.abimovel.com/premiodesign.

Publicação Completa

Conjuntura de Móveis – Abril/2026

A íntegra da Conjuntura de Móveis – Abril/2026 está disponível no acervo digital da ABIMÓVEL: abimovel.com/acervo-digital

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