
Enquanto o acumulado de janeiro a abril de 2026 apresentou queda nas exportações de móveis e colchões prontos, houve crescimento nos embarques da cadeia ampliada, que inclui componentes, máquinas, equipamentos e outros fornecedores
As exportações brasileiras de móveis e colchões chegaram ao fim do primeiro quadrimestre de 2026 com sinais distintos. De um lado, março e abril apresentaram alguma recuperação no fluxo mensal, indicando uma possível retomada gradual dos embarques após um início de ano mais fraco. De outro, o acumulado de janeiro a abril ainda mostra retração frente ao mesmo período de 2025, refletindo um ambiente internacional mais instável, competitivo e marcado por mudanças na geografia dos negócios.
De acordo com a Conjuntura de Móveis – Edição Maio 2026, estudo desenvolvido pelo IEMI com exclusividade para a ABIMÓVEL (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário), as exportações brasileiras de móveis e colchões somaram US$ 218,7 milhões entre janeiro e abril de 2026, queda de 7,2% em relação aos US$ 235,8 milhões registrados no mesmo período de 2025.
O resultado confirma que a melhora observada nos meses mais recentes ainda não foi suficiente para compensar a perda acumulada no início do ano. Em março, as exportações de móveis avançaram 38,6% frente a fevereiro, alcançando US$ 65,2 milhões. Em abril, cresceram novamente, chegando a US$ 67,5 milhões, alta de 3,5% sobre março. A sequência sugere recomposição do ritmo exportador, mas dentro de uma base anual ainda pressionada.
Esse comportamento ocorre em um momento de maior fragmentação. A demanda global por bens segue sujeita a custos financeiros elevados, oscilações cambiais, tensões geopolíticas, redefinições tarifárias e disputas por cadeias de fornecimento mais seguras. Para a indústria moveleira brasileira, que atua em mercados com diferentes níveis de renda, canais de distribuição, exigências técnicas e padrões de consumo, exportar em 2026 exige não apenas preço e escala, mas leitura de risco, adaptação comercial e presença contínua.
Estados Unidos perdem participação, mas seguem como principal destino
Os Estados Unidos permaneceram como o principal destino dos móveis e colchões brasileiros no primeiro quadrimestre de 2026, mas com perda expressiva de participação. Entre janeiro e abril, o mercado norte-americano respondeu por 16,7% das exportações do setor, com US$ 36,6 milhões em compras.
A comparação mostra a dimensão da mudança. No mesmo período de 2025, antes do anúncio das novas tarifas globais, os EUA haviam importado US$ 65,2 milhões em móveis e colchões brasileiros, o equivalente a 27,7% do total. Em 2024, a participação era ainda maior: 32,1%, com US$ 71,8 milhões. Em dois anos, portanto, a fatia estadunidense no primeiro quadrimestre caiu mais de 15 pontos percentuais.
A retração não elimina a relevância americana para a indústria brasileira, mas altera a leitura sobre o mercado. O país continua sendo uma praça de alto valor, com forte presença de importadores, distribuidores, especificadores, lojistas e canais especializados. Ao mesmo tempo, tornou-se um destino mais sensível a custos, margens, prazos, incertezas regulatórias e discussões tarifárias.
Esse ponto ganhou ainda mais peso em 2026 com os desdobramentos da investigação dos EUA no âmbito da Seção 301. A proposta de tarifa adicional sobre produtos brasileiros, ainda em processo de consulta e análise, ampliou o nível de atenção dos exportadores, especialmente em segmentos mencionados no debate sobre madeira, origem da matéria-prima, conformidade e rastreabilidade. Para o setor moveleiro, isso reforça a importância de evidenciar legalidade, uso de matéria-prima de origem regular, processos auditáveis, responsabilidade produtiva e social, bem como aderência às exigências dos mercados compradores.
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América Latina ganha peso na pauta exportadora
Se a América do Norte vem perdendo participação, os mercados latino-americanos ganham relevância na composição das exportações brasileiras de móveis e colchões. O Uruguai foi o segundo principal destino no acumulado de janeiro a abril de 2026, com US$ 28,5 milhões e 13,0% de participação. Em 2025, o país respondia por 10,3%; em 2024, por 10,0%.
O Chile apareceu na terceira posição, com US$ 16,9 milhões e 7,7% do total exportado. Em seguida vieram Peru, com US$ 15,8 milhões e 7,2%; Paraguai, com US$ 12,8 milhões e 5,9%; e Argentina, com US$ 12,6 milhões e 5,7%.
A presença desses mercados entre os principais destinos revela uma reacomodação importante. Países da América do Sul combinam proximidade geográfica, maior familiaridade comercial, menor complexidade logística em relação a destinos transoceânicos e afinidades de consumo que podem favorecer a oferta brasileira. Em um ano de maior incerteza em mercados tradicionais, essa região tende a funcionar como eixo de sustentação comercial e diversificação.
A Argentina também chama atenção pela velocidade de crescimento. As compras de móveis e colchões brasileiros passaram de US$ 7,4 milhões entre janeiro e abril de 2025 para US$ 12,6 milhões em igual período de 2026. O Peru também avançou de forma relevante, saindo de US$ 9,6 milhões para US$ 15,8 milhões.
Esse desempenho não compensa integralmente a queda dos Estados Unidos, mas ajuda a reduzir a concentração da pauta exportadora.
Destino das Exportações
(acumulado do ano)Dentre os principais mercados externos consumidores de móveis e colchões brasileiros, no acumulado do ano, de janeiro a abril de 2026, destacaram-se as participações de Estados Unidos (16,7%), Uruguai (13,0%) e Chile (7,7%).
| Países | Jan–Abr/2024 | Jan–Abr/2025 | Jan–Abr/2026 | |||
|---|---|---|---|---|---|---|
| US$ mil | Part. (%) | US$ mil | Part. (%) | US$ mil | Part. (%) | |
| 1. Estados Unidos 25,5% | 71.815 | 32,1% | 65.222 | 27,7% | 36.608 | 16,7% |
| 2. Uruguai 11,1% | 22.367 | 10,0% | 24.313 | 10,3% | 28.509 | 13,0% |
| 3. Chile 7,6% | 18.288 | 8,2% | 16.606 | 7,0% | 16.917 | 7,7% |
| 4. Peru 5,3% | 10.205 | 4,6% | 9.567 | 4,1% | 15.788 | 7,2% |
| 5. Paraguai 4,6% | 7.831 | 3,5% | 10.213 | 4,3% | 12.821 | 5,9% |
| 6. Argentina 3,3% | 2.188 | 1,0% | 7.364 | 3,1% | 12.570 | 5,7% |
| 7. Reino Unido 5,9% | 14.169 | 6,3% | 15.014 | 6,4% | 10.731 | 4,9% |
| 8. México 3,5% | 5.002 | 2,2% | 9.283 | 3,9% | 9.748 | 4,5% |
| 9. Colômbia 2,1% | 2.651 | 1,2% | 4.961 | 2,1% | 6.675 | 3,1% |
| 10. Equador 2,0% | 3.934 | 1,8% | 3.290 | 1,4% | 6.141 | 2,8% |
| Subtotal | 158.449 | 70,8% | 165.834 | 70,3% | 156.508 | 71,6% |
| Outros | 65.267 | 29,2% | 69.945 | 29,7% | 62.163 | 28,4% |
| Total | 223.716 | 100,0% | 235.779 | 100,0% | 218.671 | 100,0% |
Fonte: Secex (Ministério da Economia). Elaboração: IEMI.
Nota: Não inclui assentos para aviões e automóveis, nem partes para móveis e nem partes para assentos
Componentes, fornecedores e máquinas ampliam leitura da cadeia
Embora o foco da pauta exportadora de móveis e colchões revele retração no primeiro quadrimestre, a cadeia moveleira ampliada apresentou outro comportamento. No segmento de componentes, fornecedores e máquinas brasileiras, as exportações somaram US$ 1,16 bilhão entre janeiro e abril de 2026, alta de 2,5% frente aos US$ 1,13 bilhão registrados no mesmo período de 2025.
Nesse recorte, os Estados Unidos também permaneceram como principal destino, com US$ 366,0 milhões e 31,6% de participação. Ainda assim, perderam espaço em relação aos anos anteriores: em 2025, respondiam por 36,9%; em 2024, por 41,9%. A Argentina apareceu em segundo lugar, com US$ 159,2 milhões e 13,7% de participação.
O dado mais expressivo, porém, foi Singapura, que passou de participação praticamente residual em 2024 e 2025 para US$ 79,6 milhões no primeiro quadrimestre de 2026, alcançando 6,9% do total. México, Chile, Paraguai, Colômbia, Alemanha, Itália e Países Baixos completaram a lista dos dez principais destinos desse grupo de produtos.
Destino das Exportações
(acumulado do ano)Dentre os principais mercados externos consumidores de componentes, fornecedores e máquinas brasileiras, entre janeiro e abril de 2026, destacaram-se as participações de Estados Unidos (31,6%), Argentina (13,7%) e Singapura (6,9%).
| Países | Jan–Abr/2024 | Jan–Abr/2025 | Jan–Abr/2026 | |||
|---|---|---|---|---|---|---|
| US$ mil | Part. (%) | US$ mil | Part. (%) | US$ mil | Part. (%) | |
| 1. EUA36,8% | 484.267 | 41,9% | 417.784 | 36,9% | 366.034 | 31,6% |
| 2. Argentina12,8% | 134.264 | 11,6% | 148.423 | 13,1% | 159.203 | 13,7% |
| 3. Singapura2,3% | 781 | 0,1% | 398 | 0,0% | 79.632 | 6,9% |
| 4. México4,6% | 60.109 | 5,2% | 42.123 | 3,7% | 58.272 | 5,0% |
| 5. Chile5,1% | 66.723 | 5,8% | 61.034 | 5,4% | 47.510 | 4,1% |
| 6. Paraguai3,5% | 41.211 | 3,6% | 34.487 | 3,0% | 46.659 | 4,0% |
| 7. Colômbia2,4% | 21.575 | 1,9% | 24.157 | 2,1% | 38.224 | 3,3% |
| 8. Alemanha2,8% | 28.219 | 2,4% | 34.991 | 3,1% | 33.292 | 2,9% |
| 9. Itália2,3% | 22.974 | 2,0% | 30.010 | 2,7% | 23.906 | 2,1% |
| 10. Países Baixos (Holanda)1,8% | 15.746 | 1,4% | 21.678 | 1,9% | 23.827 | 2,1% |
| Subtotal | 875.868 | 75,8% | 815.085 | 72,0% | 876.559 | 75,6% |
| Outros | 279.931 | 22,8% | 316.529 | 27,2% | 282.959 | 25,2% |
| Total | 1.155.799 | 100,0% | 1.131.614 | 100,0% | 1.159.519 | 100,0% |
Fonte: Secex (Ministério da Economia). Elaboração: IEMI.
Nota: Não inclui assentos para aviões e automóveis, nem partes para móveis e nem partes para assentos
A leitura conjunta dos dois recortes amplia a compreensão sobre a presença internacional do setor moveleiro brasileiro. As exportações de móveis e colchões acabados seguem como vitrine estratégica da indústria nacional, levando aos mercados externos design, capacidade produtiva, materiais, acabamento e identidade brasileira. Ao mesmo tempo, o desempenho da cadeia ampliada evidencia a força de um ecossistema produtivo mais abrangente, formado também por componentes, insumos, fornecedores, máquinas e soluções industriais.
Exportar em 2026 exige presença, diversificação e inteligência comercial
É nesse cenário que iniciativas como o Projeto Brazilian Furniture, realizado pela ABIMÓVEL em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), ganham ainda mais relevância, ao atuar tanto na internacionalização no segmento de móveis acabados quanto no de suprimentos para a cadeia moveleira.
A ForMóbile 2026 – que está com credenciamento aberto –, ocorre de 30 de junho a 03 de julho no São Paulo Expo, e será um exemplo dessa estratégia. Por meio do Projeto Comprador, as entidades organizam rodadas de negócios entre empresas brasileiras e compradores de aproximadamente 20 países, em agendas voltadas tanto para fornecedores da cadeia moveleira quanto para fabricantes de móveis prontos.
A feira também contará com uma exposição de peças de destaque do 1º Prêmio Design da Movelaria Nacional, apresentadas no Salone del Mobile.Milano 2026, reforçando a conexão entre toda a cadeia moveleira. As inscrições para a segunda edição do prêmio, aliás, seguem abertas até 07 de julho, ampliando a oportunidade para indústrias, marcenarias, designers, arquitetos, estudantes e profissionais criativos projetarem suas criações em novas plataformas de visibilidade: mkt.abimovel.com/premiodesign.
Publicação Completa
Conjuntura de Móveis – Abril/2026
A íntegra da Conjuntura de Móveis – Abril/2026 está disponível no acervo digital da ABIMÓVEL: abimovel.com/acervo-digital
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