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Lula assina decreto de promulgação e Acordo Mercosul-União Europeia entra em vigor neste 1º de maio 

  • Geral
  • 30 de abril de 2026

Aplicação provisória do instrumento comercial antecipa efeitos do tratado e abre uma nova etapa para as relações entre os blocos; para a indústria moveleira brasileira, avanço reforça a diversificação de mercados, a agenda regulatória e a presença estratégica em eventos europeus 

Após a formalização da Comissão Europeia (CE), na última terça-feira (28) foi a vez do Governo Brasileiro assinar o decreto de promulgação do Acordo Mercosul-União Europeia em evento no Palácio do Planalto. Após mais de 25 anos de negociações entre os países integrantes dos blocos, o tratado entrará em vigor provisoriamente nesta sexta-feira, 1º de maio. 

Segundo a CE, os quatro países do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) concluíram seus procedimentos internos, permitindo que o instrumento passe a ser aplicado de forma provisória. Com isso, o acordo se torna vinculante no direito internacional, enquanto o tratado de parceria mais amplo entre os blocos segue seu próprio curso político e jurídico. No plano econômico, inaugura uma nova fase das relações entre os blocos, com impacto sobre acesso a mercado, previsibilidade regulatória e integração produtiva.

O escopo é amplo. O Acordo Provisório de Comércio reúne o núcleo comercial do tratado e cobre, entre outros pontos, comércio de bens, regras de origem, facilitação aduaneira, barreiras técnicas, defesa comercial e salvaguardas, comércio de serviços e estabelecimento, compras governamentais, propriedade intelectual, pequenas e médias empresas, concorrência, subsídios, empresas estatais, transparência e comércio, além de desenvolvimento sustentável

No Brasil, o Congresso Nacional já havia promulgado, em 17 de março, o Decreto Legislativo 14/2026, que ratificou o Acordo Provisório de Comércio e confirmou a adesão brasileira ao instrumento. Na ocasião, o Senado destacou que o texto prevê redução ou eliminação gradual de tarifas entre os dois blocos, com alcance de 91% dos produtos importados pelo Mercosul e 95% dos importados pela União Europeia

A dimensão econômica ajuda a explicar a centralidade do movimento. Mercosul e União Europeia somam mais de 700 milhões de pessoas e cerca de um quarto da economia mundial. Em um cenário internacional ainda marcado por protecionismo, disputas tarifárias, reconfiguração de cadeias globais e maior densidade regulatória, o acordo tende a operar também como instrumento de estabilidade, escala e diversificação comercial.

Para a indústria brasileira de móveis, a entrada em vigor provisória do tratado ocorre em momento particularmente estratégico. Depois de um período de maior instabilidade no comércio internacional, com pressões tarifárias relevantes em mercados tradicionais, especialmente os Estados Unidos, a União Europeia ganha ainda mais peso na agenda de diversificação do setor. Em 2025, o bloco respondeu por 9,3% das exportações brasileiras de móveis e colchões, e estudos conduzidos pela ABIMÓVEL (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário) em parceria com o IEMI indicam potencial de crescimento adicional inicial de até 20% nas vendas brasileiras do setor para a UE no primeiro ano de vigência do acordo.

Esse potencial, porém, não se converte automaticamente em resultado. O novo cenário exigirá das empresas leitura técnica mais apurada sobre cronogramas tarifários, prova de origem, adequação documental, certificações, rastreabilidade, normas técnicas e exigências ambientais. O próprio acordo também estimula a integração de cadeias produtivas, a descarbonização e o tratamento favorecido ao comércio de produtos sustentáveis, o que amplia a necessidade de preparo por parte das empresas exportadoras.

Em análise da BMJ Consultores Associados incorporada à comunicação setorial da ABIMÓVEL, o embaixador e sócio da consultoria Welber Barral resume o significado dessa etapa: “Além de neutralizar resistências políticas por parte de alguns países da UE, a aplicação provisória consolida um ambiente de negócios estável para as empresas, permitindo a diversificação de parceiros e o fortalecimento de cadeias produtivas em um contexto de volatilidade no comércio internacional.”

No universo moveleiro, isso significa mais do que redução tarifária. Significa disputar espaço em um mercado de alta exigência técnica e simbólica, no qual design, consistência fabril, origem dos materiais, conformidade e responsabilidade socioambiental são parte da proposta de valor. “Em uma cadeia fortemente ligada ao uso de madeira, painéis, fibras, têxteis, couros e outros insumos sensíveis à agenda ambiental, competitividade passa, cada vez mais, pela capacidade de demonstrar processo, desempenho e rastreabilidade”, ressalta. 

Esse debate, aliás, já vem sendo trabalhado pela ABIMÓVEL em ações de orientação ao setor, como o webinar sobre as novas regulamentações antidesmatamento da UE, conduzido pelo especialista.

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ABIMÓVEL e Welber Barral apresentam novas regras de exportação para a União Europeia — EUDR

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Quote · Irineu Munhoz
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Sairá na frente quem entender que vender melhor no mercado europeu passa por mostrar de onde vem o produto, como ele é feito, que materiais mobiliza, que compromissos incorpora e que linguagem de design é capaz de sustentar.

Irineu Munhoz
Irineu Munhoz
Presidente da ABIMÓVEL

Essa leitura se conecta diretamente à agenda do Projeto Setorial Brazilian Furniture, desenvolvido pela ABIMÓVEL em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). Mais do que promover exportações de forma pontual, o projeto vem estruturando a presença internacional da indústria brasileira a partir de inteligência de mercado, relacionamento com compradores, posicionamento de imagem, integração entre design e indústria e preparação técnica para ambientes regulatórios mais sofisticados.

Foi sob essa lógica, aliás, que a participação brasileira no Salone del Mobile.Milano 2026 ganhou ainda mais relevância. Realizado entre 21 e 26 de abril, poucos dias antes do início da aplicação do acordo, o evento reuniu mais de 70 marcas, designers, criativos e novos talentos brasileiros em uma presença organizada em torno do tema “Conexões”. No principal palco internacional do setor, o Brasil apresentou ao mercado europeu não apenas produtos, mas uma visão de mobiliário articulada entre repertório estético, diversidade material, capacidade produtiva, inteligência industrial e leitura contemporânea do habitar.

Nesse sentido, a presença em Milão funcionou também como antecipação comercial. Ao chegar ao mercado europeu justamente na transição entre a conclusão do rito político e a entrada provisório do tratado, o setor moveleiro brasileiro reforçou sua disposição de competir em uma chave mais complexa: menos centrada em preço e mais apoiada em diferenciação, design, origem, qualidade e consistência produtiva.

Quote · Cândida Cervieri
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Para empresas brasileiras, o novo cenário reforça a importância de transformar abertura institucional em relacionamento, canais comerciais e preparo técnico. Isso passa por compreender exigências europeias, mapear oportunidades por segmento, adaptar processos, fortalecer documentação, investir em rastreabilidade e sustentar uma proposta de valor clara para compradores, distribuidores, especificadores e formadores de opinião.

Cândida Cervieri
Cândida Cervieri
Diretora-executiva da ABIMÓVEL

Próximos passos

Dessa maneira, a partir daqui, o ponto crítico passa a ser a implementação efetiva: difusão das regras entre as empresas, adaptação de processos, entendimento dos cronogramas tarifários, preparo documental, leitura de regras de origem, acompanhamento aduaneiro e capacitação da cadeia para responder às exigências do mercado europeu. 

O próprio Governo Federal anunciou, no ato de promulgação no Congresso em março, um plano de trabalho conjunto com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) para apoiar a implementação e ampliar a capacidade institucional de adaptação às novas regras. Em outras palavras, a próxima etapa não é simbólica; ela será técnica, operacional e estratégica. 

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APLICAÇÃO PROVISÓRIA DO ACORDO MERCOSUL-UE

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