
A ABIMÓVEL (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário) avalia a assinatura oficial do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a União Europeia, realizada neste sábado, 17 de janeiro de 2026, em Assunção, no Paraguai, como um marco relevante no reposicionamento estratégico do comércio exterior brasileiro em um cenário internacional marcado por maior fragmentação, elevação de barreiras tarifárias e não tarifárias e perda de previsibilidade em mercados tradicionalmente estratégicos para a indústria.
Após mais de 25 anos de negociações, o acordo estabelece um novo patamar nas relações entre dois blocos que, juntos, concentram cerca de 720 milhões de consumidores e um PIB combinado superior a US$ 22 trilhões. Para o Brasil, trata-se de uma iniciativa de caráter estrutural, com potencial para ampliar o grau de integração internacional do país e reduzir a dependência de poucos destinos em um ambiente global cada vez mais volátil.
No caso específico da indústria brasileira de móveis, a assinatura do acordo ganha relevância adicional diante do reposicionamento forçado do comércio exterior do setor ao longo de 2025, provocado principalmente pelas mudanças na política comercial dos Estados Unidos. Apesar de seguirem como o principal destino das exportações brasileiras de móveis e colchões, os EUA reduziram sua participação de forma significativa no último ano, impactados pela aplicação de sobretaxas e pela consequente interrupção de contratos. No acumulado de 2025, a participação estadunidense nos embarques do setor recuou para 23,5%, após anos operando em patamares próximos ou superiores a 30%.
Nesse contexto, a ampliação do acesso ao mercado europeu passa a assumir papel ainda mais estratégico como alternativa de diversificação de destinos, mitigação de riscos e reequilíbrio da pauta exportadora. Estudos setoriais e avaliações técnicas conduzidas pela ABIMÓVEL em parceria com o IEMI – Inteligência de Mercado indicam que a entrada em vigor do acordo poderá gerar um crescimento de 20% nas exportações brasileiras de móveis para a União Europeia, já no primeiro ano de vigência — um avanço expressivo para um mercado historicamente marcado por barreiras tarifárias e exigências regulatórias elevadas.
Atualmente, países europeus como França, Alemanha, Espanha e Portugal já importam mobiliário brasileiro, ainda que com participações reduzidas diante do potencial da região e da capacidade produtiva da indústria nacional. Em 2025, a União Europeia respondeu por 9,3% do total de móveis e colchões exportados pelo Brasil.
A França, embora tenha se posicionado de forma contrária ao acordo no debate político europeu, mantém relevância comercial concreta para o setor: foi o oitavo principal destino das exportações brasileiras de móveis em 2024 e seguiu com participação de 2,8% em 2025. Trata-se de um mercado sofisticado, com demanda consistente por produtos associados a design, sustentabilidade, rastreabilidade e valor agregado — atributos nos quais a indústria brasileira vem avançando de forma estruturada.
Além da União Europeia, a ABIMÓVEL ressalta que o Brasil já mantém acordos comerciais com países europeus fora do bloco, especialmente com os integrantes da EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio) — Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein —, mercados de alto poder aquisitivo e forte exigência técnica. Na sequência, o Reino Unido, mesmo após o Brexit, segue como um dos principais destinos europeus do mobiliário brasileiro, tendo ocupado a quarta posição em 2024, o que reforça a importância estratégica do continente europeu como um todo para a diversificação das exportações do setor.
A entidade destaca, contudo, que os benefícios do acordo não são automáticos. O acesso ao mercado europeu continuará condicionado a elevados padrões técnicos, ambientais e regulatórios, com destaque para as exigências de rastreabilidade da madeira, conformidade produtiva e sustentabilidade, reforçadas pelo Regulamento Europeu de Desmatamento (EUDR), cuja aplicação foi adiada, mas não flexibilizada. Assim, o acordo amplia oportunidades, mas também exige maior preparo técnico, organizacional e estratégico das empresas brasileiras.
Paralelamente à assinatura do tratado, o Brasil vem reforçando sua presença institucional e comercial na Europa por meio de uma agenda consistente de promoção internacional e participação em grandes eventos do setor. Já na próxima semana, o país marca presença na IMM Cologne 2026, na Alemanha, uma das principais vitrines globais do mobiliário contemporâneo. Em abril, a indústria brasileira volta a se posicionar no Salone del Mobile.Milano 2026, principal feira mundial nos segmentos de design e mobiliário, fundamental para o posicionamento de produtos de maior valor agregado e para a construção de imagem internacional do setor.
No sentido inverso, a ABIMÓVEL observa que o fluxo de importações brasileiras de móveis oriundos da União Europeia tende a se concentrar, historicamente, em categorias de maior valor agregado, como produtos de design autoral, soluções premium, mobiliário corporativo especializado e itens de alto conteúdo tecnológico. Tratam-se de segmentos que dialogam com nichos específicos do mercado e não descaracterizam a competitividade, a escala produtiva e a diversidade da indústria brasileira, hoje amplamente capaz de atender o consumo interno e disputar espaço internacional em diferentes faixas de preço, qualidade e posicionamento. Nesse contexto, o acordo deve ser compreendido como um instrumento de integração econômica e comercial, reforçando a necessidade de condições equilibradas de concorrência e de políticas que preservem a indústria instalada nos países envolvidos.
Para a ABIMÓVEL, a assinatura do Acordo Mercosul–União Europeia consolida um reposicionamento internacional estratégico para ambas as regiões, especialmente em um momento em que mercados como os Estados Unidos adotam posturas mais restritivas e imprevisíveis.
“A indústria brasileira de móveis possui escala produtiva, diversidade, capacidade de inovação, uso crescente de matérias-primas certificadas e uma agenda consistente de sustentabilidade. O acordo com a União Europeia pode transformar essas competências em vantagem competitiva cada vez mais concreta, desde que acompanhado de segurança regulatória, diálogo técnico permanente, diplomacia e políticas internas que preservem a capacidade produtiva, o emprego e os investimentos”, avalia a ABIMÓVEL.
A entidade seguirá atuando de forma propositiva junto ao poder público, aos parceiros internacionais e às empresas do setor, acompanhando o processo de ratificação do acordo, além de intensificar suas ações de inteligência comercial, promoção internacional e apoio à adequação técnica da indústria brasileira de móveis aos mercados mais exigentes do mundo.
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