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União Europeia propõe tornar Canadá seu primeiro membro associado em meio a tensões com os EUA

  • Geral
  • 21 de setembro de 2026

Iniciativa prevê ampliar a cooperação em comércio, defesa, energia e tecnologia, mas ainda depende da definição de um novo modelo de parceria entre Bruxelas e Ottawa

A União Europeia (UE) propôs, na quarta-feira (16), que o Canadá se torne o primeiro membro associado do bloco, em uma iniciativa que busca aprofundar as relações econômicas e estratégicas entre os dois lados do Atlântico. O convite foi anunciado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante seu discurso sobre o Estado da União, no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, na França. A proposta surge em meio às tensões comerciais com os Estados Unidos e à busca por maior diversificação de parceiros internacionais, especialmente por parte do governo canadense, liderado pelo primeiro-ministro Mark Carney.

A parceria pretende ampliar a integração já estabelecida pelo Acordo Econômico e Comercial Global (CETA), aplicado provisoriamente desde 2017, e avançar para uma cooperação mais abrangente em áreas como indústria, inteligência artificial, minerais críticos, energia, defesa e segurança no Ártico. Segundo a Comissão Europeia, o comércio de bens entre Canadá e UE cresceu 75% desde a implementação do acordo. O novo modelo também poderá contemplar maior mobilidade de estudantes e profissionais, além da participação canadense em programas europeus de pesquisa e educação.

O status de membro associado, contudo, ainda não existe formalmente nos tratados da União Europeia. Sua criação exigirá negociações para definir os direitos e as obrigações do Canadá, incluindo eventuais condições de acesso ao mercado europeu e participação nas instituições comunitárias. A proposta não significa uma adesão plena ao bloco, possibilidade que os tratados reservam aos Estados europeus. Nesta quinta-feira (17), Carney manifestou apoio à iniciativa, defendendo uma cooperação mais profunda entre Canadá e Europa, sem a formação de um novo bloco geopolítico.

A aproximação, entretanto, provocou reação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que classificou a proposta como potencialmente hostil aos interesses americanos e ameaçou impor novas tarifas à União Europeia ou restringir o comércio com o bloco. Em resposta ao contexto de tensões, Von der Leyen afirmou que a iniciativa não é dirigida contra outros países, mas busca fortalecer a cooperação entre os parceiros. A proposta deverá avançar em novas negociações, com a expectativa de que os próximos passos sejam discutidos na cúpula entre Canadá e União Europeia, prevista para outubro, em Montreal.

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