
Artigo publicado pelo Farmnews, assinado por Gilson Milde, aponta que as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros podem acelerar um movimento de migração industrial para o Paraguai que já vinha ganhando força antes das medidas comerciais.
Desde 22 de julho, uma tarifa adicional de 25% passou a atingir cerca de 4 mil produtos brasileiros, correspondentes a US$ 11 bilhões em exportações aos Estados Unidos, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) citados na publicação. Entre os segmentos mais expostos está o de madeira, com 83,1% das exportações brasileiras ao mercado norte-americano alcançadas pela medida.
O cenário ganhou maior complexidade com uma segunda tarifa adicional, de 12,5%, aplicada a partir de 24 de julho a parte da pauta brasileira. De acordo com a análise, 3.985 produtos, equivalentes a US$ 10,8 bilhões em exportações, passaram a enfrentar uma carga adicional combinada de 37,5%.
Nesse contexto, o Paraguai surge como alternativa para empresas que precisam reavaliar sua estrutura produtiva. O país já reúne 232 empresas brasileiras operando sob o regime de maquila, cerca de 70% das companhias estrangeiras enquadradas no sistema. Entre os atrativos estão tributação de 1% sobre o valor agregado no país, energia competitiva, menor complexidade tributária e proximidade geográfica com o Brasil.
O artigo ressalta, entretanto, que transferir ou reexportar mercadorias pelo Paraguai não é suficiente para alterar sua origem. Para evitar as tarifas específicas aplicadas ao Brasil, seria necessária uma operação industrial efetiva no território paraguaio, com transformação substancial do produto e atendimento às regras de origem exigidas pelos Estados Unidos.
Às novas barreiras comerciais e à eventual necessidade de reorganizar suas cadeias produtivas. Mas a expressão realmente ficou vaga. Melhor deixar explícito:
Mais do que conferir urgência à internacionalização de etapas produtivas, as novas barreiras comerciais expõem o risco de deslocamento de investimentos, produção e empregos para fora do Brasil. Esse movimento, porém, não constitui uma alternativa simples ou imediata: transferir operações exige elevados investimentos, reorganização logística, desenvolvimento de fornecedores, adequação às regras de origem e capacidade de manter a competitividade no longo prazo. Diante desse cenário, cabe ao governo brasileiro reconhecer tanto a ameaça à base industrial nacional quanto os obstáculos enfrentados pelas empresas para responder ao aumento das barreiras comerciais, mobilizando políticas públicas, instrumentos de apoio e atuação diplomática capazes de mitigar os impactos das tarifas, preservar a produção no país e proteger uma indústria que gera emprego, renda e desenvolvimento.
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