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Juros futuros sobem com força após corte da Selic e disparada do petróleo

  • Geral
  • 20 de março de 2026

Mercado reage à decisão cautelosa do Banco Central e ao agravamento da guerra no Oriente Médio; taxas longas chegaram a avançar quase 30 pontos-base

As taxas dos juros futuros abriram em forte alta nesta quinta-feira (19), pressionadas pela combinação entre o corte de 0,25 ponto percentual na Selic anunciado pelo Banco Central na noite anterior e a nova disparada do petróleo em meio à escalada do conflito no Oriente Médio. O movimento elevou a tensão na curva de juros e reforçou a percepção de que a inflação pode voltar a exigir uma postura mais cautelosa da política monetária.

Por volta do início da tarde, os contratos mais longos mostravam os maiores ajustes. O DI para janeiro de 2035, por exemplo, chegou a tocar 14,19% antes de perder parte da força, enquanto o contrato para janeiro de 2028 também operava em alta relevante. Esses papéis refletem a expectativa do mercado para a trajetória futura da Selic e, por isso, reagem rapidamente a mudanças na percepção de risco, inflação e cenário externo.

A leitura predominante entre investidores é que o Banco Central iniciou o ciclo de flexibilização monetária, mas deixou claro que os próximos passos dependerão da evolução do ambiente inflacionário. Na quarta-feira (18), o Copom reduziu a Selic de 15% para 14,75% ao ano, no primeiro corte após cinco reuniões sem mudança, e ressaltou o aumento da incerteza global e o afastamento adicional das projeções de inflação em relação à meta.

O principal fator de pressão veio do petróleo. Nesta quinta, o Brent chegou a superar US$ 119 por barril após ataques iranianos a instalações de energia no Oriente Médio, em retaliação a uma ofensiva israelense contra o campo de gás de South Pars, no Irã. A nova alta reacendeu temores sobre combustíveis, custos logísticos e repasses inflacionários em várias economias, incluindo a brasileira.

Com esse cenário, o mercado passou a reavaliar a chance de novos cortes de juros no curto prazo. A interpretação é que, se a guerra continuar pressionando as commodities energéticas, o Banco Central poderá reduzir o ritmo da flexibilização ou até interromper temporariamente o ciclo para evitar uma deterioração maior das expectativas de inflação. Essa mudança de percepção explica a abertura mais intensa da curva, sobretudo nos vencimentos longos.

A instabilidade também levou o Tesouro Nacional a atuar no mercado de títulos públicos. Nesta semana, as recompras somaram cerca de R$ 49 bilhões, em uma tentativa de reduzir a volatilidade e melhorar a liquidez em meio à forte pressão sobre os juros futuros. 

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