
Os resultados da recente Consulta realizada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) refletem a percepção dos empresários respondentes e apontam para a intensificação das pressões financeiras sobre as empresas nos próximos três meses. A expectativa de aumento da necessidade de financiamento é mais disseminada nas contas a pagar, mencionada por 53% das respondentes, mas também aparece de forma relevante nas contas a receber, com 47%, e nos estoques, com 42%. Entre as empresas que esperam elevação dessas necessidades, mais da metade também projeta aumento dos juros das respectivas operações.
Esse cenário tende a se refletir no endividamento e na rentabilidade. Cerca de quatro em cada dez empresas respondentes projetam aumento do saldo de dívida bancária, proporção próxima à que espera manutenção. Além disso, 58% antecipam redução da margem líquida, ante apenas 16% que esperam aumento. Diante dessas pressões, a maioria das empresas, 51%, pretende manter os preços de venda, possivelmente como forma de preservar a competitividade diante dos produtos importados. Ainda assim, uma parcela expressiva, de 37%, planeja reajustar seus preços nos próximos três meses.
Em conjunto, os resultados revelam um ambiente de maior necessidade de recursos para sustentar as operações, associado à percepção de custos financeiros elevados e à compressão das margens. Nesse contexto, parte das empresas poderá buscar compensar as perdas por meio de repasses aos preços. Embora essa não seja a estratégia majoritária, o movimento pode ampliar as pressões inflacionárias pelo lado dos custos e, ao mesmo tempo, comprometer a competitividade da indústria.
Pretensão de ajustar
o preço de venda nos
próximos três meses
Percentual sobre o total de
empresas respondentes (%)
Nota: Percentuais calculados sobre as 140 empresas que apresentaram respostas válidas, após a exclusão das respostas "Não sei" e "Não se aplica". A soma dos percentuais pode diferir de 100% em razão do arredondamento.
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