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Indústria brasileira aumenta produção em outubro, mas emprego recua e expectativas pioram

A produção industrial brasileira avançou em outubro de 2025, alcançando 51,5 pontos no índice de evolução da produção, acima da linha dos 50 pontos que indica crescimento. O movimento foi acompanhado por uma desaceleração no acúmulo de estoques: embora o nível ainda permaneça ligeiramente acima do planejado, o indicador recuou para 50,3 pontos, sinalizando maior alinhamento entre oferta e demanda. Já a Utilização da Capacidade Instalada subiu para 71%, um ponto acima do mês anterior.

Apesar da reação na produção, o emprego industrial voltou a cair. O índice de evolução do número de empregados ficou em 48,8 pontos — quarto mês consecutivo abaixo da marca dos 50 — refletindo que as demissões seguem superando as contratações na passagem mensal. A perspectiva para o mercado de trabalho também é negativa: o indicador de expectativa de emprego para os próximos seis meses caiu para 49,1 pontos, reforçando o cenário de cautela entre as empresas.

As expectativas empresariais como um todo pioraram na virada de outubro para novembro. A demanda esperada recuou para 51,3 pontos, registrando o menor valor para o mês desde 2016. As projeções de exportações voltaram a cair, atingindo 48,0 pontos — quarto mês consecutivo abaixo da linha divisória —, e a expectativa de compras de matérias-primas caiu para 50,0 pontos, deixando de apontar crescimento para indicar estabilidade.

O único indicador que apresentou melhora foi a intenção de investimento, que avançou de 54,8 para 55,2 pontos. Apesar da segunda alta consecutiva, o índice permanece abaixo dos níveis registrados no fim de 2024 e segue em tendência de acomodação ao longo de 2025, refletindo decisões mais conservadoras diante do ambiente macroeconômico.

Os resultados da Sondagem Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), realizada entre 3 e 12 de novembro com 1.446 empresas de diversos portes e segmentos, mostram uma indústria que produz mais, mas opera sob condições menos favoráveis para emprego, exportações e expansão de demanda. A combinação de estoques ajustados, expectativas enfraquecidas e investimentos moderados revela um setor em compasso de espera, avaliando riscos e ajustando estratégias para os próximos meses.

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