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Exportações reagem em fevereiro, mas 1º bimestre foi negativo para a cadeia moveleira

  • Geral
  • 17 de abril de 2026

Depois de um janeiro marcado por forte retração, as exportações brasileiras de móveis e colchões ensaiaram uma recuperação em fevereiro de 2026. O setor embarcou US$ 47,0 milhões no segundo mês do ano, alta de 20,7% na comparação com o mês anterior, quando as vendas externas haviam somado US$ 39,0 milhões. A reação, porém, ainda não foi suficiente para reverter a perda acumulada, impactando nos resultados do primeiro bimestre. Entre janeiro e fevereiro deste ano, os embarques ficaram 17,8% abaixo do registrado no mesmo período de 2025.

O dado revela um início de ano de recomposição parcial, mas ainda distante de uma retomada consistente. Fevereiro melhorou o panorama do mês a mês, mas não alterou, por si só, a leitura de fundo: a cadeia exportadora de móveis e colchões segue atravessando um ambiente externo mais seletivo, com menor tração em mercados-chave e necessidade de redistribuição geográfica dos embarques.

EUA seguem na liderança, mas com participação bem abaixo da média histórica

No acumulado do primeiro bimestre de 2026, os Estados Unidos permaneceram como principal destino dos móveis e colchões brasileiros, mas com participação bem abaixo da média histórica, representando 17,7% do total exportado. Em igual período de 2025, o mercado estadunidense respondia por 26,7% dos embarques brasileiros do segmento. Em 2024, essa participação havia sido ainda maior, de 34,9%.

Dessa forma, nota-se que em meio aos efeitos do tarifaço imposto no último ano, que afetou negociações, pressionou margens, interrompeu contratos e redesenhou parte das relações comerciais construídas com compradores norte-americanos, os EUA continuaram centrais para a indústria brasileira, mas deixaram de concentrar o mesmo peso observado em anos anteriores. Em termos absolutos, as exportações para o país caíram de US$ 27,9 milhões no primeiro bimestre de 2025 para aproximadamente US$ 15,2 milhões em 2026.

América do Sul ganha espaço; Europa está na mira

Na sequência aparecem Uruguai, com 13,3% de participação, e Chile, com 8,6%. Ou seja, o dado, à primeira vista, preserva a liderança norte-americana, mas também evidencia uma mudança importante na composição da pauta exportadora. 

Destino das Exportações

acumulado do ano

Dentre os principais mercados externos consumidores de móveis e colchões brasileiros, no acumulado do ano, de janeiro a fevereiro de 2026, destacaram-se as participações de Estados Unidos (17,7%), Uruguai (13,3%) e Chile (8,6%).

Países Jan–Fev/2024 Jan–Fev/2025 Jan–Fev/2026
US$ milPart. (%) US$ milPart. (%) US$ milPart. (%)
1. Estados Unidos▼ 45,6% 36.66534,9% 27.93926,7% 15.19517,7%
2. Uruguai▲ 3,2% 10.1959,7% 11.12210,6% 11.47613,3%
3. Chile▼ 0,1% 7.4007,0% 7.3697,0% 7.3608,6%
4. Peru▲ 30,8% 4.1243,9% 4.7854,6% 6.2607,3%
5. Reino Unido▼ 26,8% 7.2846,9% 6.7026,4% 4.9085,7%
6. Paraguai▲ 14,4% 2.8602,7% 4.1233,9% 4.7165,5%
7. Argentina▲ 32,9% 6990,7% 3.2993,2% 4.3865,1%
8. México▼ 2,0% 2.0271,9% 3.5723,4% 3.4994,1%
9. Equador▲ 72,4% 1.7601,7% 1.7241,6% 2.9723,5%
10. França▼ 36,1% 3.0192,9% 3.6813,5% 2.3512,7%
Subtotal 76.03372,3% 74.31771,0% 63.12173,4%
Outros 29.12227,7% 30.29329,0% 22.88626,6%
Total 105.154100,0% 104.610100,0% 86.007100,0%

Fonte: Secex (Ministério da Economia). Elaboração: IEMI.

Nota: Não inclui assentos para aviões e automóveis, nem partes para móveis e nem partes para assentos.

Esse redesenho sugere um movimento duplo. De um lado, há uma redução da dependência de um mercado único. De outro, há um reforço do papel de destinos regionais e latino-americanos como sustentação parcial da balança setorial. Em momentos de menor dinamismo nos grandes centros compradores, a proximidade geográfica, a interlocução comercial já estabelecida e os custos logísticos relativamente mais administráveis tendem a favorecer mercados vizinhos.

Além de países da América Latina, porém, mercados europeus também aparecem entre os dez principais destinos dos móveis e colchões brasileiros neste ano, sinalizando uma distribuição mais ampla dos embarques. A entrada provisória do Acordo Mercosul-União Europeia, prevista para o próximo 1º de maio, pode colaborar ainda mais efetivamente para uma nova mudança de cenário. 

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O efeito não tende a ser imediato, especialmente porque a ampliação de presença em mercados europeus depende de adequação técnica, previsibilidade regulatória, construção de canais comerciais e posicionamento de marca. Ainda assim, o acordo abre uma perspectiva estratégica para a indústria brasileira de móveis, sobretudo em mercados que valorizam design, rastreabilidade, sustentabilidade, diferenciação material e maior valor agregado.

Irineu Munhoz
Irineu Munhoz
Presidente da ABIMÓVEL

Na próxima semana, aliás, a indústria e o design brasileiros estarão presentes no Salone del Mobile.Milano, na Itália, considerado o principal evento do setor no mundo. Por meio do Projeto Brazilian Furniture, a ABIMÓVEL, em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), organiza ações com mais de 70 indústrias, designers e novos talentos brasileiros na feira, em uma iniciativa voltada à promoção comercial, ao posicionamento de imagem e ao fortalecimento da presença do mobiliário brasileiro em mercados estratégicos.

Na próxima semana, aliás, a indústria e o design brasileiros estarão presentes no Salone del Mobile.Milano, na Itália, considerado o principal evento do setor no mundo. Por meio do Projeto Brazilian Furniture, a ABIMÓVEL, em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), organiza ações com mais de 70 indústrias, designers e novos talentos brasileiros na feira, em uma iniciativa voltada à promoção comercial, ao posicionamento de imagem e ao fortalecimento da presença do mobiliário brasileiro em mercados estratégicos.

Exportações na cadeia de suprimento

Na cadeia de suprimentos do setor, as exportações brasileiras de componentes, fornecedores e máquinas somaram US$ 498,8 milhões entre janeiro e fevereiro de 2026, levemente abaixo dos US$ 505,8 milhões registrados no mesmo período de 2025. Embora haja recuo na receita, a base exportadora segue robusta e com forte presença industrial em diferentes mercados.

Nesse segmento, os Estados Unidos também lideram, com participação de 30,7% no acumulado do bimestre. Em seguida vêm Argentina, com 16,3%, e México, com 5,4%. O dado chama atenção não apenas pela manutenção do protagonismo norte-americano, mas pelo avanço expressivo no mercado argentino. As vendas para o país vizinho subiram quase US$ 64,2 milhões no primeiro bimestre de 2025 para US$ 81,2 milhões em igual período de 2026, ampliando de forma relevante sua participação na pauta brasileira.

Outros mercados também aparecem com desempenho consistente, como Colômbia, Chile, Paraguai, Alemanha, França, Países Baixos e Itália. O conjunto mostra que a cadeia de suprimentos apresenta um perfil de inserção internacional diversificado. Isso porque sua dinâmica está ligada não apenas ao consumo final, mas também à atividade industrial, à reposição produtiva, à modernização de plantas e à integração entre cadeias fabris ao redor do mundo.

Destino das Exportações

acumulado do ano

Dentre os principais mercados externos consumidores de componentes, fornecedores e máquinas brasileiras, entre janeiro e fevereiro de 2026, destacaram-se as participações de Estados Unidos (30,7%), Argentina (16,3%) e México (5,4%).

Países Jan–Fev/2024 Jan–Fev/2025 Jan–Fev/2026
US$ milPart. (%) US$ milPart. (%) US$ milPart. (%)
1. Estados Unidos▼ 11,2% 225.94440,9% 172.54634,1% 153.32730,7%
2. Argentina▲ 26,6% 59.62510,8% 64.18312,7% 81.24916,3%
3. México▲ 35,7% 30.7265,6% 19.8283,9% 26.9115,4%
4. Colômbia▲ 99,6% 7.1581,3% 10.3542,0% 20.6684,1%
5. Chile▼ 39,6% 32.7265,9% 32.6536,5% 19.7224,0%
6. Paraguai▲ 16,4% 21.6093,9% 16.8513,3% 19.6063,9%
7. Alemanha▲ 41,9% 13.4732,4% 13.7222,7% 19.4803,9%
8. França▲ 63,6% 12.4572,3% 7.0931,4% 11.6042,3%
9. Países Baixos (Holanda)▲ 25,8% 7.5191,4% 9.0511,8% 11.3832,3%
10. Itália▼ 7,9% 8.7351,6% 12.3432,4% 11.3632,3%
Subtotal 419.97375,9% 358.62470,9% 375.31275,2%
Outros 132.99624,1% 147.26629,1% 123.51424,8%
Total 552.969100,0% 505.889100,0% 498.827100,0%

Fonte: Secex (Ministério da Economia). Elaboração: IEMI.

Reação do setor também depende de variáveis externas

Fevereiro, portanto, trouxe um sinal importante, mas ainda insuficiente para antecipar uma mudança estrutural. No caso dos móveis e colchões, a alta mensal sobre janeiro deve ser lida com cautela, já que parte de uma base bastante reprimida. Houve melhora, mas dentro de um cenário em que o acumulado do ano continua negativo e em que mercados estratégicos perderam participação. Já na cadeia de suprimentos, o comportamento foi de maior diversificação, mas também abaixo do ano passado. 

Do ponto de vista analítico, os números do primeiro bimestre de 2026 reforçam que a agenda internacional do setor moveleiro brasileiro não pode ser pensada apenas em termos de volume exportado, nem atribuída exclusivamente à capacidade de reação das empresas. O desempenho externo da indústria também depende de variáveis econômicas, geopolíticas, fiscais e bilaterais que interferem diretamente na formação de preços, na previsibilidade dos contratos, no acesso a mercados e na competitividade dos produtos brasileiros.

Essa leitura passa a ser atravessada, ainda, por um novo componente de atenção: a escalada das tensões no Oriente Médio e a instabilidade no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de energia. A crise tende a pressionar custos logísticos, seguros marítimos, fretes internacionais e preços de combustíveis, com reflexos indiretos sobre cadeias industriais integradas. 

Do lado da indústria, a resposta segue igualmente necessária: ampliar inteligência de mercado, qualificar presença em feiras e missões, reforçar diferenciação pelo design e consolidar o mobiliário brasileiro como produto competitivo não apenas em preço, mas em identidade, design, capacidade produtiva, sustentabilidade, qualidade e valor agregado.

Publicação Completa

Conjuntura de Móveis – Março/2026

A íntegra está disponível no acervo digital da ABIMÓVEL.

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