
Estudo publicado pelo projeto demonstra como as exportações brasileiras de móveis e colchões para o mercado italiano ainda operam abaixo do potencial, mas avanço recente, presença constante no Salão do Móvel de Milão e Acordo Mercosul–União Europeia abrem espaço para uma relação comercial mais estratégica entre os países
A Itália ocupa um lugar singular no mapa global do mobiliário. Terceira maior economia da União Europeia e uma das principais referências mundiais em design, produção industrial e sofisticação tecnológica, o país reúne tradição manufatureira, grandes centros criativos e distritos produtivos altamente especializados. Não à toa, a maior semana do setor de design e de móveis do calendário internacional ocorre em Milão, na Itália.
Para a indústria brasileira de móveis e colchões, esse contexto torna o país mais do que um destino comercial: trata-se de uma vitrine de imagem, relacionamento e posicionamento. É nesse ambiente que o Brasil se apresentou no Salone del Mobile.Milano 2026, com uma delegação de mais de 70 marcas, designers e talentos emergentes, em uma presença liderada pelo Projeto Setorial Brazilian Furniture, conduzido pela ABIMÓVEL (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário) em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção e Investimentos).
No ano passado, as ações do Brazilian Furniture no evento resultaram em mais de US$ 118,8 milhões em negócios para as empresas brasileiras com compradores de diversas regiões do mundo, que vão ao iSaloni buscando pelas principais inovações e tendências do setor.
Se estar em Milão validou mais uma vez a maturidade e os diferenciais do mobiliário brasileiro no cenário global, importante também é entender as oportunidades que se abrem à indústria e ao design nacionais no próprio mercado italiano.
Estudo de Oportunidades para o Exportador de Móveis: País-alvo Itália | Edição 2025
A participação brasileira em Milão, ao longo da semana passada (21 a 26 de abril), ocorreu em um momento singular. De um lado, os dados históricos mostram que as exportações brasileiras de móveis e colchões para a Itália ainda são pequenas diante do tamanho do mercado importador italiano. De outro, apontam uma trajetória recente de expansão expressiva, especialmente após a pandemia.
As exportações brasileiras de móveis e colchões para a Itália cresceram 710,4% em valor e 944,9% em volume entre 2020 e 2024.
As informações são extraídas do “Estudo de Oportunidades para o Exportador de Móveis: País-alvo Itália | Edição 2025”, relatório desenvolvido pelo IEMI com exclusividade para o Projeto Brazilian Furniture.
Esse desempenho, embora parta de uma base reduzida, revela uma mudança importante de patamar. Em 2020, as exportações brasileiras de móveis e colchões para a Itália somaram US$ 0,33 milhão. Em 2023, alcançaram US$ 3,02 milhões, o maior valor da série analisada, depois tiveram leve recuo para US$ 2,68 milhões em 2024.
Em volume, o movimento foi semelhante: de 0,07 mil tonelada em 2020 para 0,86 mil tonelada em 2023, com ajuste para 0,76 mil tonelada em 2024. A retração entre 2023 e 2024 indica que o avanço brasileiro ainda não está consolidado, mas o novo nível das exportações sugere que o país passou a ocupar um espaço mais visível no radar italiano.
A composição da pauta também ajuda a compreender esse movimento. Em 2024, os móveis responderam por 79,0% das exportações brasileiras do setor para a Itália, enquanto os assentos representaram 21,0%. Dentro da categoria de móveis, a linha de “outros móveis de madeira” teve o maior peso, com 67,0% do total exportado pelo Brasil, seguida por “assentos estofados”, com 12,1%. O dado é relevante porque aproxima a oferta brasileira de segmentos em que a Itália combina consumo exigente, repertório de design e atenção crescente a materiais, acabamento, funcionalidade e sustentabilidade.
Brasil no Salão do Móvel de Milão 2026
Ainda assim, há um evidente espaço a ser ocupado. Em 2024, as importações italianas de móveis e colchões somaram aproximadamente US$ 2,3 bilhões, com crescimento de 4,6% em relação a 2023 e de 35,9% frente a 2020. A China liderou as origens das importações italianas, com 27,9% de participação em valores, seguida por Alemanha e Polônia. O Brasil apareceu na 36ª posição, com participação próxima de 0,1%. A diferença de escala mostra que o mercado italiano não é apenas competitivo; é estruturado, maduro e fortemente disputado por fornecedores europeus e asiáticos.
É justamente por isso que a presença em Milão ganha dimensão ainda mais estratégica. O Salone del Mobile.Milano não é apenas a maior feira do setor no mundo, trata-se de um ambiente onde produto, linguagem, imagem, distribuição, especificação e inteligência comercial se encontram. Para empresas brasileiras, estar lá significa acessar um ecossistema que influencia compradores, imprensa especializada, designers, arquitetos, redes de varejo, distribuidores e formadores de opinião dos mais variados mercados.
No caso da Itália, essa presença tem um sentido ainda mais direto. O país combina forte produção local com uma demanda importadora relevante. Em 2024, cerca de 20,2% do consumo aparente italiano de móveis foi suprido por produtos importados. Ao mesmo tempo, 51,2% da produção no país europeu foi destinada ao mercado externo, confirmando o perfil internacionalizado da indústria italiana. Em outras palavras, trata-se de um mercado que produz, exporta, importa, compara e seleciona com alto nível de exigência.
A análise de preços médios também indica um ponto de atenção positivo para o Brasil. Em 2024, os produtos brasileiros exportados para a Itália registraram preço médio de US$ 3,54/kg, valor 5,6% superior ao preço médio geral das importações italianas de móveis e colchões. Embora a comparação deva ser feita com cautela, já que os dados brasileiros estão expressos em FOB e os demais em CIF, o indicador sugere que a pauta brasileira não está posicionada apenas por preço, mas especialmente por valor agregado. Esse é um aspecto central para competir em um mercado associado à sofisticação e à tradição.
Acordo Mercosul-União Europeia
A entrada em vigor provisória do Acordo Interino de Comércio entre Mercosul e União Europeia, prevista para 1º de maio de 2026, adiciona uma nova camada a essa agenda.
Para a indústria moveleira, o acordo não deve ser lido apenas pela ótica tarifária, embora a redução gradual de barreiras comerciais seja um componente importante. Seu efeito mais amplo deverá estar na criação de um ambiente de negócios mais previsível entre os blocos, com potencial de fortalecer fluxos comerciais, ampliar a segurança jurídica, aproximar cadeias produtivas e acelerar a adaptação das empresas brasileiras às exigências regulatórias europeias.
Em um setor em que rastreabilidade, origem da matéria-prima, sustentabilidade, conformidade técnica e qualidade de acabamento pesam cada vez mais nas decisões de compra, o acordo tende a reforçar a necessidade de uma estratégia exportadora mais sofisticada.
Segundo estimativas do IEMI, o Brasil tem potencial adicional de crescimento nas exportações de móveis e colchões para a Itália, podendo alcançar US$ 3,4 milhões no médio prazo, o que representaria expansão de 27,6% sobre o patamar de 2024. A condição para esse avanço está diretamente ligada à continuidade das ações de promoção internacional, à ampliação do valor agregado da pauta e ao desenvolvimento de produtos alinhados às demandas do mercado italiano.
Nesse sentido, a delegação brasileira no iSaloni 2026 representou um ponto de convergência. A presença de marcas industriais, designers e novos talentos permitiu, mais uma vez, apresentar o mobiliário brasileiro não só como produto acabado, mas como resultado de uma cadeia produtiva diversa, com domínio técnico, repertório material, capacidade criativa e visão contemporânea do morar.
Exclusividade Brazilian Furniture
Associado ao Projeto Setorial Brazilian Furniture, acesse o “Estudo de Oportunidade para o Exportador Brasileiro de Móveis e Colchões – País-Alvo: Itália | Edição 2025”.
Acessar a IntranetSobre o Projeto Brazilian Furniture
O Projeto Setorial Brazilian Furniture é uma iniciativa da ABIMÓVEL em parceria com a ApexBrasil, que tem por objetivo incrementar a participação da indústria e da cadeia de móveis brasileira no mercado internacional por meio de um conjunto de ações estratégicas, tendo como base os pilares da sustentabilidade, da competitividade e do design integrado à indústria. Centenas de empresas fazem parte do projeto.
No ciclo atual, as entidades realizadoras convidam além de fabricantes e designers de móveis, empresas do ramo de componentes e fornecedores da indústria a se unirem ao Brazilian Furniture, ampliando ainda mais o alcance do mobiliário brasileiro e reforçando a competitividade da marca "Brasil" no mundo.
Para fazer parte do projeto e colocar sua marca nos maiores eventos do setor moveleiro ao redor do mundo, acesse:
brazilianfurniture.org.brSobre a ABIMÓVEL
A Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (ABIMÓVEL) atua há quase cinco décadas na defesa, desenvolvimento e fortalecimento da cadeia moveleira nacional. A instituição promove e conduz uma agenda positiva para o setor, beneficiando mais de 22,8 mil empresas, que em 2025 geraram mais de R$ 92,1 bilhões em negócios e 287,2 mil empregos diretos, numa cadeia produtiva que emprega cerca de 1,1 milhão de trabalhadores indiretamente.
Ao longo de sua trajetória, a ABIMÓVEL tem liderado uma série de programas e ações voltados aos negócios, à competitividade, ao design, à sustentabilidade, à normalização técnica, à inovação e à internacionalização da indústria, promovendo iniciativas que ampliam o posicionamento do mobiliário brasileiro no cenário interno e global. O país é hoje o maior produtor de móveis da América Latina e o sétimo maior do mundo, posição que reflete a relevância estratégica de uma cadeia produtiva diversa, capilarizada e conectada às transformações do mercado.
abimovel.comSobre a ApexBrasil
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) atua para promover produtos e serviços brasileiros no exterior e atrair investimentos estrangeiros para setores estratégicos da economia brasileira. Para alcançar os objetivos, a ApexBrasil realiza ações diversificadas de promoção comercial que visam promover as exportações e valorizar os produtos e serviços brasileiros no exterior, como missões prospectivas e comerciais, rodadas de negócios, apoio à participação de empresas brasileiras em grandes feiras internacionais, visitas de compradores estrangeiros e formadores de opinião para conhecer a estrutura produtiva brasileira, entre outras plataformas de negócios que também têm por objetivo fortalecer a marca Brasil.
A Agência também atua de forma coordenada com atores públicos e privados para atração de investimentos estrangeiros diretos (IED) para o Brasil com foco em setores estratégicos para o desenvolvimento da competitividade das empresas brasileiras e do país.
apexbrasil.com.brMÓVEIS: O NOSSO NEGÓCIO!
Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário – ABIMÓVEL
Assessoria de Imprensa: press@abimovel.com | +55 14 99156-0238








