
Estudo da FGV aponta saldo de quase 4,6 milhões de empregos com carteira entre beneficiários desde 2023; melhora no mercado de trabalho pode favorecer o consumo, embora bens duráveis, como móveis, continuem mais sensíveis a juros e crédito
O Brasil registrou saldo de quase 4,6 milhões de empregos formais entre beneficiários do Bolsa Família de janeiro de 2023 a julho de 2026, segundo estudo de pesquisadores da Fundação Getulio Vargas (FGV), elaborado a partir de dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e do Cadastro Único.
No período, foram contabilizadas 15,3 milhões de admissões e 10,8 milhões de desligamentos entre beneficiários do programa. O saldo positivo representa 85,2% das 5,4 milhões de vagas formais líquidas criadas no país no mesmo intervalo.
Quando considerada a população inscrita no Cadastro Único, o saldo chega a 5,8 milhões de empregos, resultado de 33,3 milhões de contratações e 27,5 milhões de desligamentos. Segundo os pesquisadores, os números indicam maior inclusão de famílias de menor renda no mercado formal de trabalho.
Entre os beneficiários do Bolsa Família, os jovens de 18 a 24 anos responderam por 40,5% do saldo de vagas. As mulheres representaram 55,4% dos empregos líquidos gerados, enquanto 78,2% dos trabalhadores tinham ensino médio completo.
Reflexos para o mercado de móveis
Para a indústria e o varejo de móveis, o avanço do emprego formal é um indicador relevante porque amplia a previsibilidade de renda e pode melhorar gradualmente a capacidade de consumo e de acesso ao crédito das famílias.
O efeito, entretanto, não é automático. Móveis são bens duráveis e normalmente envolvem gastos de maior valor, fazendo com que a decisão de compra continue fortemente condicionada ao orçamento doméstico, às taxas de juros, às condições de parcelamento e à confiança do consumidor.
Nesse sentido, a expansão do emprego entre famílias de menor renda contribui para fortalecer a base potencial de demanda, sobretudo nos segmentos de entrada e intermediário. Para que essa melhora do mercado de trabalho se traduza de forma mais consistente em vendas de móveis, porém, também pesam fatores como crédito mais acessível, evolução da renda real, inflação e dinâmica do mercado habitacional.
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