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Emirados Árabes Unidos: importados abastecem 75,2% do consumo de móveis e oportunidades para o Brasil se ampliam

  • Geral
  • 28 de setembro de 2026

Estudo do Brazilian Furniture aponta mercado importador de US$ 1,9 bilhão e potencial de crescimento de 30,7% nas exportações brasileiras; demanda por design e projetos sob medida, somada à posição dos EAU como hub comercial do Oriente Médio, amplia as perspectivas para a indústria nacional

O potencial dos Emirados Árabes Unidos para o mobiliário brasileiro não se limita ao tamanho de seu mercado interno. Em uma economia em que aproximadamente três de cada quatro dólares consumidos em móveis são atendidos por produtos importados, Dubai e Abu Dhabi funcionam, ao mesmo tempo, como centros de consumo, especificação, negócios e conexão comercial com outros mercados do Golfo, do Oriente Médio, da África e da Ásia.

É nesse ambiente que o “Estudo de Oportunidades para o Exportador Brasileiro de Móveis e Colchões — País-alvo: Emirados Árabes Unidos | Edição 2025” procurou dimensionar os espaços ainda disponíveis para a indústria nacional por lá. Desenvolvido pelo IEMI com exclusividade para o Projeto Setorial Brazilian Furniture, iniciativa da ABIMÓVEL (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário) em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), o levantamento reúne indicadores econômicos, consumo, produção, comércio exterior, preços, tarifas e potencial de crescimento.

A principal conclusão do estudo é o quanto o Brasil ainda pode ampliar sua presença nos Emirados Árabes Unidos. Em 2024, o país importou aproximadamente US$ 1,9 bilhão em móveis prontos e colchões, enquanto as exportações brasileiras para esse mercado somaram US$ 12,4 milhões. Mesmo considerando as diferenças metodológicas entre as bases — os dados emiradenses incluem estimativas espelhadas e valores de importação, enquanto os brasileiros são registrados em FOB —, a relação entre esses volumes indica um mercado ainda amplamente aberto à expansão da oferta nacional, sobretudo em segmentos nos quais o Brasil reúne capacidade produtiva, design original e competitividade. 

Um mercado abastecido pelo mundo

Os Emirados construíram nas últimas décadas uma economia que vai além da exploração de petróleo e gás. Turismo, aviação, mercado imobiliário, comércio, serviços financeiros, tecnologia e logística ganharam participação, especialmente em Dubai, num processo de diversificação que também interfere diretamente na demanda por interiores.

No mercado moveleiro, esse movimento é perceptível. O consumo de móveis no país chegou a cerca de US$ 2,6 bilhões em 2024, segundo o estudo, com alta de 73,2% sobre 2020. Do total consumido, 75,2% foi atendido por importações.

As compras externas de móveis e colchões alcançaram US$ 1,9 bilhão, crescimento de 18,1% em relação a 2023 e de 70,2% frente a 2020. O resultado colocou os EAU como maior importador do setor no Oriente Médio no recorte analisado.

Essa dependência da oferta externa é relevante porque não está concentrada em apenas uma faixa de consumo. A presença de uma população majoritariamente expatriada, somada à renda elevada de parte dos consumidores, ao turismo internacional e à expansão imobiliária, produz uma demanda heterogênea: do mobiliário seriado e competitivo em preço a interiores de luxo, hotelaria, residências de alto padrão e projetos personalizados.

Em Dubai e Abu Dhabi, em particular, vilas, apartamentos premium, hotéis, restaurantes e empreendimentos de uso misto alimentam o mercado de peças bespoke, especificação profissional, acabamentos diferenciados e soluções desenvolvidas para cada projeto. É um ecossistema em que fabricante, distribuidor, arquiteto, designer de interiores e empresa de contract frequentemente participam da mesma decisão de compra.

A pauta brasileira ainda é mais estreita que a demanda emiradense

A composição das importações revela um dos pontos mais interessantes do estudo. Entre as compras externas dos Emirados em 2024, móveis responderam por 62,1% do valor e assentos por 35,9%. Colchões e suportes representaram os 2% restantes.

A pauta brasileira, porém, foi diferente: 95,3% do valor exportado aos EAU esteve concentrado em móveis, enquanto os assentos responderam por somente 4,7% e colchões tiveram participação residual.

O contraste não significa que todas as empresas devam diversificar sua linha para atender às mesmas categorias. Mostra, contudo, que a presença brasileira atual alcança parte do desenho da demanda local, mas ainda há espaço para se expandir.

É justamente aí que aparecem novas possibilidades para fabricantes de estofados, mobiliário de alto padrão, peças para hotelaria e restauração, produtos para áreas externas e soluções voltadas ao mercado contract, com aderência entre produto, posicionamento, canal e estrutura comercial.

Brasil já construiu presença, agora é hora de fortalecer valor

A relação comercial também parte de uma base mais sólida do que há alguns anos. As exportações brasileiras de móveis e colchões para os Emirados passaram de US$ 5,8 milhões em 2020 para US$ 10,8 milhões em 2021, avançaram para US$ 11,6 milhões em 2022 e atingiram US$ 13,4 milhões em 2023.

Em 2024, houve acomodação para US$ 12,4 milhões, retração de 7,6% em valor. Em volume, a queda foi mais pronunciada: de 10,1 mil para 8,2 mil toneladas, ou -18,2%.

Histórico das exportações brasileiras de móveis e colchões para os Emirados Árabes Unidos
(em milhões US$ FOB)

Fonte: ComexStat. Elaboração: IEMI


Histórico das exportações brasileiras de móveis e colchões para os Emirados Árabes Unidos
(1.000 Toneladas)

Fonte: ComexStat. Elaboração: IEMI

O movimento merece atenção porque o valor exportado caiu proporcionalmente menos que o volume. O preço médio da pauta brasileira ficou em aproximadamente US$ 1,50 por quilo em 2024.

Ainda assim, segundo o levantamento, esse valor foi cerca de 58,3% inferior ao preço médio geral dos produtos importados pelos Emirados. A comparação exige cautela devido às diferenças entre valores FOB e CIF e ao uso de mirror data nas estatísticas emiradenses, mas aponta uma questão estratégica: existe lugar não apenas para vender mais, mas para reposicionar parte da oferta brasileira em faixas de maior valor agregado.

Design próprio, acabamento, materiais, customização, capacidade de especificação, serviço e construção de marca passam, nesse contexto, a ser tão importantes quanto o preço. Em um mercado no qual a diferenciação tem peso nos projetos residenciais, comerciais e de hospitalidade, crescer exclusivamente pela competição de custo pode limitar a captura de valor pelo exportador brasileiro.

Potencial de US$ 16,2 milhões no médio prazo

A partir do histórico comercial e da evolução das diferentes categorias, o IEMI estima que o Brasil tenha um potencial adicional de US$ 3,8 milhões em exportações para os Emirados Árabes Unidos no horizonte de três a cinco anos.

Isso levaria os embarques a aproximadamente US$ 16,2 milhões, crescimento de 30,7% sobre a base utilizada pelo estudo.

Mesmo nesse patamar, a presença brasileira continuaria pequena diante dos US$ 1,9 bilhão importados anualmente pelo país. Em outras palavras, a projeção não depende de capturar uma parcela desproporcional do mercado, mas de ganhar participação em categorias e canais nos quais já existe demanda internacional estabelecida.

A condição destacada pelo estudo é a continuidade das ações de promoção comercial e, sobretudo, a ampliação do mix exportado, com incorporação de produtos de maior valor agregado e design próprio.

INDEX Dubai: mercado permanece no radar, apesar de momento geopolítico

A relevância dos Emirados dentro dessa estratégia esteve refletida no calendário do Brazilian Furniture para 2026. O projeto preparava uma nova participação na INDEX Dubai, com exposição e missão comercial, com uma delegação formada por dezenas de empresas brasileiras.

Prevista para ocorrer entre 28 e 30 de setembro, a feira foi cancelada por sua organização em razão da instabilidade geopolítica e dos conflitos em curso no Oriente Médio, considerados incompatíveis com as condições necessárias à realização do evento e à segurança dos participantes. A organização indicou a retomada da INDEX Dubai em 2027, ainda sem novas datas confirmadas.

O cancelamento interrompeu a agenda prevista para este ano, não a importância comercial dos Emirados Árabes Unidos para o mobiliário brasileiro. Ao contrário, o episódio acrescenta à leitura de mercado um fator que empresas internacionalizadas já precisam incorporar às suas decisões: riscos geopolíticos, rotas logísticas, seguros, prazos e capacidade de reorganizar agendas sem abandonar estratégias de médio e longo prazos.

Também há uma perspectiva institucional a acompanhar. Atualmente, segundo o estudo, o mobiliário brasileiro está sujeito, em linhas gerais, a uma tarifa ad valorem de 5% nos Emirados. Paralelamente, Mercosul e EAU mantêm em negociação um acordo de livre comércio, abrangendo tarifas, regras de origem, facilitação do comércio, serviços, investimentos e outros temas. Em setembro de 2026, o Siscomex continua classificando o acordo como “em negociação”.

Uma eventual conclusão poderá alterar as condições relativas de acesso ao mercado, ponto especialmente importante porque os Emirados vêm construindo uma rede própria de acordos comerciais com diferentes parceiros.

Oportunidades também chegam à cadeia de fornecimento

O potencial não termina no produto acabado. O estudo também traz uma análise para componentes, insumos, máquinas e equipamentos utilizados pela indústria moveleira.

Em 2024, os Emirados importaram cerca de US$ 9,7 bilhões nesse conjunto de produtos. O Brasil forneceu US$ 4,6 milhões desse total, ou aproximadamente 0,05%..

A distância mostra que existe uma segunda frente de prospecção. Para fabricantes brasileiros de componentes, materiais, ferragens, máquinas, equipamentos e tecnologias produtivas, o mercado emiradense pode ser analisado não apenas pela demanda direta do setor local, mas também pelo papel comercial e distributivo exercido pelo país.

No conjunto, os indicadores não descrevem um mercado simples. Os EAU combinam concorrência internacional intensa, exigência de entrega e serviço, exposição a oscilações logísticas, bem como consumidores acostumados a uma oferta global. Mas é justamente essa estrutura que transforma a alta dependência de importados em oportunidade.

Para o mobiliário brasileiro, avançar nesse mercado significa trabalhar duas escalas ao mesmo tempo: ganhar participação em uma demanda doméstica que já compra do mundo e usar as conexões construídas no país para ampliar o diálogo com uma região que ocupa espaço crescente na estratégia de diversificação internacional do setor.

Exclusividade Brazilian Furniture

Associados ao Projeto Setorial Brazilian Furniture podem acessar o “Estudo de Oportunidade para o Exportador Brasileiro de Móveis e Colchões — País-alvo: Emirados Árabes Unidos | Edição 2025” na área restrita do projeto: brazilianfurniture.org.br/intranet.

Brazilian Furniture

Sua marca no mercado global

Criado pela ABIMÓVEL em parceria com a ApexBrasil, o Projeto Setorial Brazilian Furniture conecta a indústria brasileira às oportunidades do mercado global. Por meio da exposição em feiras, rodadas de negócios internacionais, inteligência de mercado, ações de promoção de imagem e promoção comercial, bem como programas de sustentabilidade e de design integrado à indústria, o projeto aproxima empresas e compradores, produtos e demandas, ampliando a visibilidade das marcas participantes e fortalecendo a presença do Brasil nos mercados estratégicos do setor.

Com centenas de empresas participantes, o Brazilian Furniture atua em duas verticais complementares: “Móveis” e “Componentes, Máquinas e Demais Fornecedores”, representando a força, a diversidade, a qualidade e a capacidade produtiva de toda a cadeia nacional.

Leve sua marca aos principais eventos do setor, conecte-se a compradores internacionais e conquiste novos mercados com o Brazilian Furniture.

Participe: brazilianfurniture.org.br

Sobre a ABIMÓVEL

A Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (ABIMÓVEL) atua há quase cinco décadas na defesa, desenvolvimento e fortalecimento da cadeia moveleira nacional. A instituição promove e conduz uma agenda positiva para o setor, beneficiando mais de 22,8 mil empresas, que em 2025 geraram receita superior a R$ 92,1 bilhões e 287,2 mil empregos diretos, numa cadeia produtiva que emprega cerca de 1,1 milhão de trabalhadores indiretamente.

Ao longo de sua trajetória, a ABIMÓVEL tem liderado uma série de programas e ações voltados aos negócios, à competitividade, ao design, à sustentabilidade, à normalização técnica, à inovação e à internacionalização da indústria, promovendo iniciativas que ampliam o posicionamento do mobiliário brasileiro no cenário interno e global. O país é hoje o maior produtor de móveis da América Latina e o sétimo maior do mundo, posição que reflete a relevância estratégica de uma cadeia produtiva diversa, capilarizada e conectada às transformações do mercado.

abimovel.com

Sobre a ApexBrasil

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) atua para promover os produtos e serviços brasileiros no exterior e atrair investimentos estrangeiros para setores estratégicos da economia brasileira.

Para alcançar os objetivos, a ApexBrasil realiza ações diversificadas de promoção comercial que visam promover as exportações e valorizar os produtos e serviços brasileiros no exterior, como missões prospectivas e comerciais, rodadas de negócios, apoio à participação de empresas brasileiras em grandes feiras internacionais, visitas de compradores estrangeiros e formadores de opinião para conhecer a estrutura produtiva brasileira entre outras plataformas de negócios que também têm por objetivo fortalecer a marca Brasil.

A Agência também atua de forma coordenada com atores públicos e privados para atração de investimentos estrangeiros diretos (IED) para o Brasil com foco em setores estratégicos para o desenvolvimento da competitividade das empresas brasileiras e do país.

apexbrasil.com.br

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