
Quarta redução consecutiva de 0,25 ponto percentual leva juros ao menor nível desde março de 2025; inflação e cenário fiscal seguem no radar
Reportagem publicada pela Folha de S.Paulo destaca a decisão unânime do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano, no dia 5 de agosto. Foi o quarto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual, consolidando um dos ciclos mais graduais de redução dos juros desde a adoção do sistema de metas para a inflação, em 1999.
Desde março, quando iniciou o atual ciclo de flexibilização após manter a Selic em 15% por nove meses, o Banco Central reduziu a taxa básica em 1 ponto percentual. Apesar da continuidade dos cortes, o Copom evitou antecipar seus próximos passos e afirmou que as futuras decisões dependerão da evolução dos indicadores econômicos.
O BC reconheceu sinais favoráveis, como a desaceleração da inflação e a perda gradual de ritmo da atividade econômica. O IPCA acumulado em 12 meses recuou para 4,64% em junho, enquanto o IPCA-15 chegou a 4,52% em julho. Ainda assim, a inflação permanece acima do teto de 4,5% estabelecido pelo regime de metas.
A autoridade monetária também demonstrou preocupação com as expectativas de inflação de longo prazo, o mercado de trabalho ainda aquecido e, sobretudo, os efeitos da política fiscal e de novos estímulos ao consumo. Na avaliação do Copom, essas condições podem dificultar a convergência da inflação para a meta de 3% e limitar o espaço para uma redução mais acelerada dos juros.
Com isso, embora a Selic tenha chegado ao menor patamar desde março de 2025, o Banco Central sinaliza que deverá manter uma política monetária restritiva e cautelosa. A próxima reunião do Copom está prevista para os dias 15 e 16 de setembro.








