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Acordo Mercosul–Singapura entra em vigor e amplia oportunidades para a cadeia brasileira de móveis

  • Geral
  • 21 de agosto de 2026

Com tarifa zero para exportações brasileiras, tratado passa a valer em momento de endurecimento das barreiras tarifárias no EUA e de forte avanço (mais de 12 mil por cento) das vendas de suprimentos para fabricação de móveis ao país asiático

Desde 1º de agosto de 2026, está em vigor para o Brasil o Acordo de Livre Comércio Mercosul (Mercado Comum do Sul)–Singapura, ampliando o acesso dos produtos nacionais ao mercado asiático. O tratado passa a valer em um momento especialmente relevante para a indústria brasileira de suprimentos para a fabricação de móveis: somente no primeiro semestre deste ano, as exportações do segmento para Singapura alcançaram US$ 83,3 milhões, salto de 12.209% frente ao mesmo período de 2025.

De acordo com a Conjuntura de Móveis, levantamento realizado pelo IEMI – Inteligência de Mercado a partir de fontes oficiais, como a Secex (Secretaria de Comércio Exterior), as vendas do segmento para Singapura passaram de US$ 677 mil entre janeiro e junho de 2025 para US$ 83,3 milhões no mesmo período de 2026. Com isso, a participação do país nas exportações brasileiras de suprimentos para a fabricação de móveis alcançou 4,7%, colocando Singapura na quinta posição entre os principais destinos internacionais do setor.

A evolução também se destaca em uma perspectiva mais ampla. No primeiro semestre de 2024, as exportações para Singapura haviam somado US$ 16,3 milhões, equivalentes a 0,9% do total. Dois anos depois, o valor exportado é mais de cinco vezes superior e a participação do mercado singapuriano avançou para 4,7%.

Destino das Exportações

(acumulado do ano)

Dentre os principais mercados externos consumidores de componentes, fornecedores e máquinas brasileiras, entre janeiro e junho de 2026, destacaram-se as participações de Estados Unidos (33,4%), Argentina (13,1%) e México (4,9%).

Países Jan-Jun/2024 Jan-Jun/2025 Jan-Jun/2026
US$ milPart. (%) US$ milPart. (%) US$ milPart. (%)
1. Estados Unidos 9,6% 727.83641,4% 659.70338,4% 596.61133,4%
2. Argentina 7,7% 186.16210,6% 217.11012,7% 233.89913,1%
3. México 26,3% 86.3624,9% 68.9634,0% 87.0774,9%
4. Chile 1,0% 94.9005,4% 85.7945,0% 86.6294,9%
5. Singapura 12.209,0% 16.2670,9% 6770,0% 83.3324,7%
6. Paraguai 32,6% 59.2593,4% 52.9463,1% 70.2073,9%
7. Colômbia 44,2% 32.6281,9% 41.9522,4% 60.5063,4%
8. Alemanha 10,1% 47.5482,7% 46.9752,7% 42.2132,4%
9. Países Baixos (Holanda) 0,6% 26.1531,5% 37.1062,2% 36.8762,1%
10. França 39,0% 34.8662,0% 25.7361,5% 35.7702,0%
Subtotal 1.311.98274,6% 1.236.96072,1% 1.333.12274,7%
Outros 446.74122,8% 479.07227,2% 451.93325,2%
Total 1.758.724100,0% 1.716.031100,0% 1.785.054100,0%

Fonte: Secex (Ministério da Economia). Elaboração: IEMI.

O desempenho ganha ainda mais relevância diante das novas condições comerciais entre os dois países. Conforme noticiado pelo Comex do Brasil, o acordo garante tarifa zero para 100% das exportações brasileiras destinadas a Singapura, além de estabelecer critérios comuns para as operações comerciais.

O tratado também amplia o acesso ao mercado de serviços, estimula investimentos e incorpora regras para o comércio eletrônico, sendo o primeiro acordo do Mercosul com um parceiro extrarregional a incluir um capítulo específico sobre o tema.

A relação comercial entre Brasil e Singapura já movimenta cifras expressivas. Em 2025, a corrente de comércio bilateral alcançou US$ 10,7 bilhões, com US$ 7,4 bilhões em exportações brasileiras e superávit de US$ 4,1 bilhões. Segundo informações repercutidas pelo Comex do Brasil, a expectativa apresentada pelo governo brasileiro durante as negociações é de que o acordo possa acrescentar R$ 28,1 bilhões ao PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro até 2041 e ampliar em cerca de US$ 500 milhões anuais as exportações do Mercosul para Singapura.

Para a cadeia de fornecimento da indústria moveleira, a entrada em vigor do acordo coincide, portanto, com uma rápida expansão das vendas ao mercado singapuriano, abrindo novas possibilidades para ampliar a competitividade, diversificar destinos e fortalecer a presença dos fornecedores brasileiros na Ásia.

O movimento integra uma agenda mais ampla de abertura comercial do Mercosul, que também avança na implementação do acordo com a EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio) — formada por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça —, já ratificado pelo Brasil e atualmente em processo para entrada em vigor.

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