
Nos dias 4 e 5 de novembro, a 13ª edição reunirá palestras, rodadas de negócios, mostra dos finalistas do Prêmio Design da Movelaria Nacional, Casa Conceito, visitas técnicas e agendas institucionais no Campus da Indústria do Sistema Fiep
Da leitura dos mercados nacional e internacional às decisões tomadas no chão de fábrica, da interpretação de dados à criação de produtos com potencial de atender demandas globais: a competitividade do mobiliário depende hoje de conexões que ultrapassam os limites da indústria. É a partir dessa perspectiva que Curitiba (PR) recebe, nos dias 04 e 05 de novembro, o Congresso Nacional Moveleiro 2026, realizado pela Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná) e pela ABIMÓVEL (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário).
Sob o tema “Conexões”, a programação percorrerá assuntos que impactam diretamente a gestão das empresas e o posicionamento do mobiliário brasileiro: economia, geopolítica, comércio exterior, inteligência de mercado, transformação digital, pessoas, varejo, sucessão empresarial, excelência operacional, design e competitividade.
A proposta é aproximar questões que, embora muitas vezes discutidas separadamente, chegam juntas à mesa de decisão das indústrias. Mudanças geopolíticas influenciam custos e exportações; novas tecnologias alteram processos e canais de venda; transformações geracionais afetam a atração de profissionais, a cultura organizacional e a continuidade dos negócios; enquanto design, informação, eficiência e posicionamento definem como um produto será pensado, desenvolvido e percebido dentro e fora do país.
Uma agenda conectada ao momento da indústria
O Congresso ocorre diante de um setor industrial amplo e distribuído por todas as regiões do Brasil. Em 2025, a cadeia de móveis e colchões reuniu mais de 22,8 mil empresas. São negócios de diferentes portes e perfis produtivos, dos grandes fabricantes seriados às pequenas indústrias e operações artesanais.
Juntas, essas empresas geraram 287,2 mil empregos diretos. Ao considerar fornecedores, serviços e demais atividades relacionadas à cadeia produtiva, o setor mantém ainda cerca de 1,1 milhão de postos de trabalho indiretos. Mais do que dimensionar sua presença econômica, os números mostram por que temas como qualificação, produtividade e sucessão empresarial ocupam espaço na programação.
O Brasil mantém-se como maior produtor de móveis da América Latina e sétimo maior do mundo, posição que combina capacidade fabril, disponibilidade de matérias-primas, diversidade regional e repertório de design. A escala, no entanto, convive com um ambiente de maior pressão competitiva.
No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras de móveis e colchões somaram US$ 349,7 milhões, recuo de 6,5% em relação ao mesmo período de 2025. A queda esteve concentrada principalmente nos Estados Unidos. As vendas ao país, historicamente o maior destino externo do mobiliário brasileiro, diminuíram aproximadamente 42%. Para os demais mercados, os embarques cresceram cerca de 7,2%, indicando que o mapa das exportações está se ampliando, embora esse avanço não venha compensando a perda no mercado estadunidense.
Ao mesmo tempo, as importações brasileiras de móveis e colchões avançaram 41,7% no semestre. A China respondeu por 74,3% do total importado no período. O movimento acrescenta mais uma camada ao debate: além de buscar novos destinos, o país precisa construir respostas tanto dentro das fábricas quanto no campo das políticas públicas. Ganhos de produtividade, design, inovação e posicionamento devem ser acompanhados por instrumentos de defesa comercial, redução de assimetrias tributárias e regulatórias, entre outras medidas que assegurem condições equilibradas de concorrência, preservando a competitividade da indústria e do varejo nacionais, bem como sua capacidade de gerar empregos, renda e investimentos.
É nesse intervalo entre o que muda no mundo e o que as empresas podem fazer a partir dessas mudanças que se organiza o Congresso.
Informação, pessoas e cenário global
No dia 04 de novembro, a programação principal começa com Marcelo Prado, economista e sócio-diretor do IEMI, na palestra “Dados e informação na construção de vantagem competitiva”. O conteúdo abordará o uso da inteligência de mercado na leitura de demanda, no planejamento industrial, no posicionamento e na definição de estratégias comerciais.
Em seguida, a escritora, jornalista e pesquisadora de brasilidades Néli Pereira apresenta “China em Movimento: a estratégia de liderança nas vendas e os desafios do Brasil para aproveitar oportunidades de mercados inexplorados”. O tema leva ao palco a expansão chinesa, as mudanças no consumo e a necessidade de compreender como países e produtos constroem presença, linguagem e valor em diferentes mercados.
A programação avança das transformações externas para aquelas que ocorrem dentro das empresas. Dado Schneider, doutor em Comunicação e especialista em comportamento das gerações, discutirá as mudanças culturais e o mercado de trabalho. Outro painel colocará em pauta a sucessão empresarial, diante do desafio de conciliar continuidade, governança, inovação e participação de novas lideranças em uma indústria formada por numerosos negócios familiares.
O primeiro dia será encerrado por Marcos Troyjo, economista, cientista político, diplomata e ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, o Banco dos BRICS. Na palestra “Brasil Pós-Eleições: cenários, riscos e oportunidades no novo tabuleiro global”, Troyjo abordará as relações entre o cenário brasileiro e as transformações da economia e do comércio internacional, com seus possíveis reflexos sobre investimentos e o ambiente de negócios.
Estratégia, varejo e novos mercados
No dia 05 de novembro, um dos destaques será o lançamento da Rota Estratégica da Indústria Moveleira Paranaense 2035, apresentado por Irineu Munhoz, presidente da ABIMÓVEL e vice-presidente do Sistema Fiep, e por Sidarta Ruthes, gerente do Observatório da Fiep e especialista em inteligência de dados. Construído a partir da participação de empresários e especialistas de diferentes polos, o trabalho consolidará prioridades e caminhos para o desenvolvimento do setor no curto, médio e longo prazo.
A eficiência dentro das fábricas também estará entre os assuntos do dia, com a participação de Celso Yukio Eizak, consultor em excelência operacional da TPS Raiz do Gemba Institute. Sua presença incorpora à programação o debate sobre processos, produtividade e excelência operacional, aproximando estratégia e gestão das decisões tomadas no ambiente produtivo com a palestra “Fazer mais com menos: A Jornada da Eficiência na Indústria Moveleira”.
A transformação dos canais comerciais estará no centro do painel “Vendas digitais na indústria moveleira: estratégia, eficiência e crescimento”, que contará com a participação de Vivianne Vilela, diretora de Conteúdo do E-Commerce Brasil. A discussão conectará indústria, plataformas, conteúdo, dados e experiência de compra em um mercado no qual o consumidor circula entre ambientes físicos e digitais.
O comércio exterior será abordado ainda nos debates sobre o novo mapa global da indústria moveleira e na palestra de José Pimenta, sócio e diretor de Relações Governamentais e Comércio Internacional da BMJ Consultoria. Em pauta estarão as mudanças nas políticas comerciais, as novas barreiras tarifárias, a reorganização dos fluxos internacionais e os caminhos para diversificar destinos sem perder mercados já consolidados.
Encerrando a programação de conteúdo, Carlos Ferreirinha, fundador e presidente da MCF Consultoria e especialista em mercado premium e gestão do luxo, discutirá as competências exigidas por novos mercados a partir das estratégias do negócio do luxo. O tema aproxima o setor de questões como origem, qualidade, atendimento, experiência, consistência de marca e valor percebido — atributos capazes de reposicionar produtos e ampliar margens em segmentos mais exigentes.
Negócios, design e conexões fora do palco
Nos dois dias, o Congresso promoverá rodadas de negócios nacionais e internacionais, aproximando fabricantes de compradores, distribuidores e outros parceiros comerciais.
A agenda internacional integra o Projeto Comprador, realizado pelo Brazilian Furniture, iniciativa da ABIMÓVEL em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). Cerca de 80 indústrias já manifestaram interesse na ação de 2026.
O design ocupará outra frente da programação com a mostra, o julgamento presencial e a cerimônia de anúncio dos vencedores da 2ª edição do Prêmio Design da Movelaria Nacional. Mais de 400 projetos de todas as regiões do Brasil foram inscritos em categorias que percorrem a fabricação seriada e artesanal, a bioeconomia, a excelência fabril, a inovação, o mobiliário corporativo e a formação de novos talentos.
No Congresso, projetos darão lugar a peças e protótipos em escala real. Na segunda etapa de avaliação, presencial, o júri poderá avaliar ergonomia, estabilidade, materiais, acabamento, desempenho e viabilidade produtiva, enquanto o público terá contato com um recorte do que está sendo desenvolvido pela movelaria brasileira de todos os portes e de norte a sul. Os vencedores serão anunciados em 05 de novembro, e os destaques das categorias profissionais terão suas peças expostas no Salone del Mobile.Milano 2027, maior evento no calendário mundial do setor.
A programação complementar inclui ainda a Casa Conceito, visitas técnicas a indústrias, atividades do Colégio Sesi, reuniões da Diretoria da ABIMÓVEL e de sindicatos moveleiros de diferentes regiões do país, além de momentos voltados ao relacionamento entre os participantes.
Na edição de 2025, o Congresso registrou mais de 1,2 mil participações. Cerca de 31% do público veio de outros estados, reforçando o alcance nacional do encontro. Em 2026, a proposta é reunir novamente os diferentes elos que influenciam o futuro do mobiliário. Desta vez, sob uma ideia que resume tanto a programação quanto o próprio funcionamento do setor: nenhuma transformação acontece de forma isolada, tudo parte de conexões.
Congresso Nacional Moveleiro: todos os caminhos do setor se encontram aqui.
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