
A produção brasileira de móveis e colchões alcançou alta de 3,4% em maio de 2026, em relação a abril, chegando a 35,6 milhões de peças fabricadas no mês. O avanço mensal sinaliza alguma reação para a atividade, mas ainda ocorre sobre uma base enfraquecida: entre janeiro e maio, o setor produziu 2,0% menos do que no mesmo período de 2025 e, em 12 meses, a retração chegou a 3,1%.
A reação também foi menos intensa do que a observada no conjunto da indústria de transformação brasileira, cuja produção cresceu 5,7% na passagem de abril para maio. No acumulado do ano, a transformação avançou 0,2%, embora ainda registre queda de 0,7% em 12 meses.
Os indicadores integram a edição de julho de 2026 da “Conjuntura de Móveis”, estudo mensal desenvolvido pelo IEMI com exclusividade para a ABIMÓVEL (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário), a partir de fontes oficiais e pesquisas setoriais.
Varejo doméstico liderou a reação em maio
O principal impulso veio do mercado interno, especialmente do varejo, que apresentou o desempenho mais forte entre os elos da cadeia. As vendas de móveis e colchões cresceram 15,3% em volume frente a abril, chegando a aproximadamente 36,4 milhões de peças no mês. Em valores, a alta foi de 15,6%.
A proximidade entre os dois percentuais mostra que o crescimento da receita foi sustentado principalmente pelo aumento da quantidade vendida, e não apenas por reajustes de preços ou pela comercialização de produtos de maior valor. O resultado está relacionado, em parte, à recomposição das compras após um abril mais fraco e ao calendário promocional de maio, que inclui campanhas associadas ao Dia das Mães e ao consumo de artigos para o lar. Movimento semelhante foi registrado no mesmo mês do ano passado.
Apesar do salto mensal, o comportamento acumulado permanece negativo. De janeiro a maio, as vendas do setor no varejo ficaram 3,7% menores em volume e 1,3% inferiores em valores na comparação anual. Em 12 meses, as quedas foram de 4,8% e 2,0%, respectivamente.
Os números revelam um consumidor que voltou às lojas em maio, mas ainda mantém seletividade nas decisões de compra. Por envolverem tíquete médio mais elevado do que o de bens não duráveis, planejamento familiar e uso frequente de parcelamento, móveis e colchões estão entre os produtos mais sensíveis ao custo do crédito, bem como às expectativas de renda e emprego das famílias.
A inflação do mobiliário permaneceu relativamente controlada. Em junho, os preços subiram 0,23%, acumulando alta de 1,38% no ano e de 3,90% em 12 meses. Esse comportamento ajuda a preservar o poder de compra, mas não elimina os efeitos dos juros e das restrições ao financiamento sobre os bens duráveis.
| Meses | IPCA – Mobiliário | IPCA – Geral | ||||
|---|---|---|---|---|---|---|
| No mês (1) | No ano (2) | 12 meses (3) | No mês (1) | No ano (2) | 12 meses (3) | |
| fevereiro/2026 | -0,09% | -0,17% | 3,91% | 0,70% | 1,03% | 3,81% |
| março/2026 | 0,45% | 0,28% | 4,32% | 0,88% | 1,92% | 4,14% |
| abril/2026 | 0,62% | 0,90% | 4,17% | 0,67% | 2,60% | 4,39% |
| maio/2026 | 0,25% | 1,15% | 4,04% | 0,58% | 3,20% | 4,72% |
| junho/2026 | 0,23% | 1,38% | 3,90% | 0,16% | 3,36% | 4,64% |
Notas: (1) variação percentual sobre o mês anterior; (2) variação percentual do mês atual sobre dezembro do ano anterior; (3) variação percentual do mês atual sobre o mesmo mês no ano anterior.
Reação do varejo ainda não sustentou toda a cadeia
O consumo aparente de móveis e colchões — indicador que estima o volume de produtos disponibilizado ao mercado interno — atingiu 35,7 milhões de peças em maio, aumento de 2,3% sobre abril. No acumulado do ano, houve queda de 0,8%, enquanto o resultado em 12 meses permaneceu próximo da estabilidade, com recuo de 0,1%.
A diferença entre o avanço do varejo, da produção e do consumo interno aparente sugere que parte da reação comercial foi atendida pela movimentação de estoques já existentes ou por importações. As indústrias, portanto, ainda operam com cautela na definição dos ritmos produtivos, diante da necessidade de confirmar se a melhora das vendas terá continuidade nos próximos meses.
Essa cautela aparece também no mercado de trabalho. O número de trabalhadores ocupados na indústria moveleira recuou 0,4% em maio, em contraste com a alta de 0,4% registrada na indústria de transformação como um todo. No acumulado do ano, o emprego no setor caiu 0,2%; em 12 meses, a retração chegou a 2,1%.
Outro sinal de menor disposição para investimentos está nas importações de máquinas destinadas à fabricação de móveis, que diminuíram 13,2% no primeiro semestre de 2026 frente ao mesmo período de 2025. O movimento reflete maior seletividade na aprovação de projetos de expansão, modernização e aumento da capacidade produtiva.
Exportações perderam força no fim do semestre
No comércio exterior, o movimento foi inverso ao observado no varejo doméstico. As exportações brasileiras de móveis e colchões recuaram pelo segundo mês consecutivo. Na passagem de abril para maio, os embarques diminuíram 2,0% e, em junho, houve nova queda de 1,7%, para US$ 65,0 milhões.
Somados aos valores exportados no primeiro quadrimestre, os resultados de maio e junho levaram as vendas externas do primeiro semestre a aproximadamente US$ 349,8 milhões. O montante ficou cerca de 6,5% abaixo dos US$ 374,2 milhões registrados nos primeiros seis meses de 2025.
A perda de ritmo ocorre em meio a uma reconfiguração do comércio internacional, marcada pelo aumento das barreiras tarifárias, mudanças regulatórias, disputas por cadeias de abastecimento e maior volatilidade geopolítica. Nesse ambiente, a recuperação da produção brasileira passa a depender tanto da consolidação do consumo interno quanto da capacidade de ampliar a presença do setor em novos destinos.
A principal pressão vem dos Estados Unidos, historicamente o maior mercado externo do mobiliário brasileiro. No acumulado de janeiro a junho de 2026, as exportações de móveis e colchões para o país somaram US$ 60,7 milhões, queda de aproximadamente 42,0% frente aos US$ 104,7 milhões registrados no mesmo período do ano passado. Com isso, a participação do país nos embarques do setor recuou de 28,0% para 17,4%.
O cenário tornou-se ainda mais complexo em julho. Uma tarifa adicional de 25% entrou em vigor no dia 22 e, dois dias depois, uma segunda cobrança de 12,5% passou a alcançar grande parte dos produtos brasileiros. Para diversas categorias de móveis e colchões, as medidas podem elevar as sobretaxas acumuladas a 37,5%, além das tarifas regulares aplicáveis a cada produto. Mais informações aqui.
Em outro sinal de prolongamento das tensões bilaterais, o governo dos Estados Unidos também prorrogou até 30 de julho de 2027 a emergência nacional declarada em 2025 em relação ao Brasil. A decisão não estabelece novas tarifas nem altera diretamente as alíquotas atuais, mas mantém o instrumento jurídico que permite a adoção de sanções e outras medidas de pressão.
Avanço das importações amplia atenção sobre o mercado brasileiro
No fluxo inverso, as importações brasileiras de móveis oscilaram na passagem para o fim do semestre. Depois de recuarem 14,6% em maio, avançaram 16,9% em junho, alcançando US$ 32,9 milhões.
Embora a participação dos importados no mercado interno ainda seja relativamente baixa em comparação com outros setores — foi de 5,9% em maio —, a recuperação das compras externas exige acompanhamento, especialmente diante do risco de redirecionamento de mercadorias ao Brasil à medida que grandes economias ampliam suas barreiras comerciais.
A ABIMÓVEL aprofundará, em um próximo artigo em abimovel.com, a análise do comércio exterior do setor, incluindo a evolução das exportações, das importações e dos principais mercados de origem e destino.
Resumo – Principais Indicadores do Setor Moveleiro
| Indicadores | Brasil | Minas Gerais | Paraná | Rio Grande do Sul | Santa Catarina | São Paulo |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Produção (Peças) – Maio/26 | 3,4% | - | 5,8% | -0,7% | - | - |
| Consumo Aparente – Maio/26 | 2,3% | - | 5,8% | 1,0% | - | - |
| Exportação (US$) – Junho/26 | -1,7% | 30,0% | -12,2% | 16,4% | -19,3% | 6,3% |
| Importação (US$) – Junho/26 | 16,9% | 88,4% | 46,5% | 80,1% | 39,6% | 1,4% |
| Participação dos Importados – Maio/26 | 5,9% | - | 2,7% | 0,3% | - | - |
| Participação dos Exportados – Maio/26 | 5,6% | - | 9,1% | 10,1% | - | - |
| Emprego – Maio/26 | -0,4% | 0,17% | -0,20% | -0,33% | -0,20% | -0,23% |
| Varejo (Volume) – Maio/26 | 15,3% | 6,6% | 8,8% | 16,9% | 6,7% | 12,4% |
| Varejo (Valores) – Maio/26 | 15,6% | 6,8% | 9,5% | 16,8% | 7,4% | 13,0% |
| Inflação (móveis) – Junho/26 | 0,23% | 1,21% | 0,43% | 1,18% | - | -0,94% |
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