
Trégua temporária anunciada pelos dois países derrubou o Brent e impulsionou as bolsas nesta segunda-feira (27), após a commodity superar US$ 100 na semana passada; alívio, porém, ainda é tratado com cautela
Depois de duas semanas de ataques recíprocos e de novas ameaças de uma ofensiva de grandes proporções, Estados Unidos e Irã suspenderam temporariamente as hostilidades durante o fim de semana. Washington interrompeu os bombardeios, enquanto Teerã sinalizou que também deixará de atacar alvos americanos desde que a pausa seja respeitada. A medida alimentou expectativas de retomada das negociações diplomáticas, mas ainda não representa um acordo definitivo para encerrar o conflito.
O alívio provocou uma nova reversão no mercado de petróleo. Na quinta-feira (23), em meio às ameaças do presidente Donald Trump e aos ataques contra petroleiros, o Brent havia avançado 7,04% e encerrado o pregão a US$ 100,69 por barril. Já no início desta segunda-feira (27), a commodity chegou a recuar mais de 9%, para menos de US$ 88, antes de moderar as perdas. A oscilação reflete a rápida reação dos investidores ao vaivém do conflito e às perspectivas de circulação pelo estreito de Hormuz e pelo mar Vermelho.
A interrupção dos ataques também favoreceu as bolsas. Os futuros do S&P 500 avançavam cerca de 1% e os do Nasdaq 100 subiam 1,6%, enquanto o índice europeu Stoxx 600 ganhava 0,7%. No Brasil, o Ibovespa futuro operava em alta, próximo aos 175 mil pontos, e o dólar recuava para a faixa de R$ 5,07. Companhias aéreas e de turismo foram beneficiadas pela perspectiva de combustíveis mais baratos, enquanto ações de petroleiras perderam força.
Para o Brasil, a queda do petróleo reduz momentaneamente a pressão sobre combustíveis, fretes, custos industriais e inflação, além de melhorar as perspectivas para os juros. Por outro lado, diminui parte dos ganhos obtidos pelas petroleiras e pelas exportações brasileiras da commodity. Internamente, o governo mantém o subsídio de R$ 1,12 por litro de diesel, adiou a retirada da subvenção de R$ 0,44 da gasolina e elevará temporariamente de 30% para 32% a mistura de etanol no combustível a partir de 1º de agosto. Também avalia reduzir gradualmente ou até zerar o imposto de 12% sobre as exportações de petróleo, embora a nova volatilidade internacional possa influenciar o ritmo dessa retirada.
Apesar da reação positiva dos mercados, o cenário permanece instável. As restrições ao tráfego de petroleiros ainda não foram totalmente superadas e não há garantia de que a trégua será mantida. O petróleo, portanto, segue funcionando como um termômetro do conflito: sobe rapidamente a cada nova ofensiva e recua diante de sinais de negociação, mantendo empresas, consumidores e o governo brasileiro expostos a mudanças bruscas nos custos e nas expectativas econômicas.








