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Colômbia amplia espaço para móveis brasileiros

  • Geral
  • 20 de julho de 2026

Estudo de Oportunidades do Projeto Brazilian Furniture identifica um mercado de US$ 425 milhões, no qual as importações atendem 42,8% do consumo; Brasil ocupa a segunda posição entre os fornecedores, mas ainda há espaço significativo para avanço

A Colômbia reúne uma combinação particularmente relevante para a estratégia internacional da indústria brasileira de móveis: mercado consumidor em expansão, participação elevada de produtos importados no mercado interno, proximidade geográfica e comercial, grandes centros urbanos e uma posição logística que conecta a América do Sul ao Caribe, ao Pacífico e aos mercados da América Central.

Esse cenário é detalhado no novo “Estudo de Oportunidades para o Exportador Brasileiro de Móveis e Colchões — País-alvo: Colômbia | Edição 2025”, desenvolvido no âmbito do Projeto Setorial Brazilian Furniture, iniciativa da ABIMÓVEL (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário) em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). Mais do que dimensionar o mercado, o levantamento permite compreender onde o Brasil já construiu presença, quais segmentos apresentam maior aderência à oferta nacional e em que pontos ainda há espaço para avançar em participação, preço médio e valor agregado.

Um mercado de US$ 425 milhões com forte presença de importados

Em 2024, o consumo aparente de móveis e colchões na Colômbia — calculado a partir da produção interna somada às importações e descontadas as exportações — foi estimado em aproximadamente US$ 425 milhões. O resultado representa crescimento de 14,6% em relação a 2023 e de 21,1% na comparação com 2020 (ano base do estudo).

Embora a fabricação colombiana de móveis também tenha crescido no período, cerca de 42,8% do consumo interno foi atendido por importações em 2024, enquanto 35,9% da produção local foi direcionada ao exterior.

Esse movimento revela um mercado integrado às cadeias internacionais, no qual a indústria doméstica convive com uma demanda consistente por produtos estrangeiros. Para o exportador brasileiro, não se trata apenas de ocupar uma lacuna produtiva, mas de disputar um ambiente no qual preço, design, adequação comercial, disponibilidade e relacionamento com distribuidores influenciam diretamente a decisão de compra.

As importações colombianas de móveis e colchões alcançaram US$ 181,7 milhões em 2024, crescimento de 43,5% em apenas um ano e de 56,9% em relação a 2020 (ano de referência do estudo). Em volume, foram importadas aproximadamente 66,9 mil toneladas, avanço de 79,1% sobre 2023.

Os móveis responderam por 53,4% do valor importado, seguidos pelos assentos, com 44,1%. Colchões e suportes ainda representam apenas 2,5%, mas apresentaram crescimento expressivo no período analisado. Em volume, essa categoria avançou 268,5% entre 2020 e 2024, ainda que sobre uma base reduzida — um sinal de mercado a ser acompanhado pelas empresas do segmento.

Brasil é o segundo maior fornecedor, mas pode crescer ainda mais

O Brasil ocupa uma posição já consolidada na pauta importadora colombiana. Em 2024, foi a segunda principal origem dos móveis e colchões adquiridos pelo país, atrás apenas da China. As vendas brasileiras chegaram a cerca de US$ 12,7 milhões, crescimento de 42,3% em relação a 2020. Com esse resultado, o Brasil respondeu por 7% do valor e por 12,3% do volume importado pela Colômbia.

A diferença entre essas duas participações ajuda a dimensionar uma das principais oportunidades identificadas pelo estudo. Enquanto o país possui presença relevante em quantidade, o preço médio da pauta brasileira permanece abaixo da média geral das importações colombianas.

Em 2024, o preço médio dos produtos brasileiros foi de US$ 1,54 por quilo, ante uma média de US$ 2,71 por quilo para o conjunto das importações. A comparação exige cautela, pois os dados brasileiros são calculados em valores FOB, enquanto os demais são apresentados em CIF. Ainda assim, o indicador sugere uma concentração da oferta brasileira em linhas de menor preço unitário, especialmente nos móveis de madeira.

A China, por sua vez, concentrou 68,1% do valor e 76,8% do volume importado. Sua expansão também foi mais acelerada, o que levou o Brasil a perder 0,7 ponto percentual de participação em valor e 4,9 pontos percentuais em volume entre 2020 e 2024, mesmo com o crescimento das vendas brasileiras.

Histórico das exportações brasileiras de móveis e colchões para a Colômbia (US$ milhões de FOB)

Fonte: ComexStat. Elaboração: IEMI

Histórico das exportações brasileiras de móveis e colchões para a Colômbia (1.000 toneladas)

Fonte: ComexStat. Elaboração: IEMI

O quadro demonstra que ampliar as exportações não será suficiente por si só. Para ganhar participação de forma consistente, será necessário combinar competitividade industrial com diferenciação, presença comercial e uma oferta capaz de disputar segmentos de maior valor.

Madeira sustenta a pauta; diversificação pode ampliar o alcance

Em 2024, os móveis responderam por 91% das exportações brasileiras do setor para a Colômbia. Os assentos representaram 8,9%, enquanto colchões e suportes tiveram participação de apenas 0,1%.

Nesse contexto, observa-se que o Brasil possui participação relevante especialmente em móveis para dormitórios, cozinhas e escritórios, além de outras linhas de madeira. A oportunidade, portanto, está em aprofundar essa presença e, simultaneamente, incorporar produtos de maior valor agregado, design próprio, diferentes materiais, soluções funcionais e propostas adaptadas aos ambientes urbanos colombianos.

O estudo estima que as exportações brasileiras podem alcançar US$ 14,7 milhões no médio e longo prazos, crescimento potencial de 16,1% em relação à base analisada. Essa evolução está condicionada à continuidade das ações de promoção comercial e à ampliação do mix de produtos.

Ou seja, o principal desafio está em elevar a qualidade da inserção brasileira: aumentar o preço médio, reduzir a dependência de poucas linhas e construir uma posição menos exposta à concorrência baseada exclusivamente em custos.

Exportações para a Colômbia avançam em 2026

Os dados mais recentes do comércio exterior brasileiro reforçam a relevância do mercado colombiano. Entre janeiro e maio de 2026, as exportações de móveis e colchões para a Colômbia somaram US$ 7,8 milhões, crescimento de 31,4% em relação aos US$ 6 milhões registrados no mesmo período de 2025.

Na comparação com os primeiros cinco meses de 2024, quando os embarques totalizaram US$ 3,6 milhões, as vendas mais do que dobraram. Em apenas cinco meses, o valor exportado em 2026 já correspondeu a aproximadamente 61,8% de todo o resultado alcançado em 2024.

Com esse desempenho, a Colômbia passou a representar 2,8% das exportações brasileiras de móveis e colchões, ante 1,9% no mesmo intervalo de 2025, ocupando a nona posição entre os principais destinos do setor.

Destino das Exportações

(acumulado do ano)
Países Jan-Mai/2024 Jan-Mai/2025 Jan-Mai/2026
US$ mil Part. (%) US$ mil Part. (%) US$ mil Part. (%)
1. Estados Unidos 90.94031,1% 85.08427,8% 49.58217,4%
2. Uruguai 27.9179,6% 31.41610,3% 36.80112,9%
3. Chile 24.1628,3% 23.2297,6% 22.1527,8%
4. Peru 13.6094,7% 12.0413,9% 19.5606,9%
5. Argentina 3.2471,1% 10.3443,4% 19.3306,8%
6. Paraguai 10.3343,5% 13.9984,6% 16.8265,9%
7. Reino Unido 18.7336,4% 17.5185,7% 14.4275,1%
8. México 7.5352,6% 11.3043,7% 10.4943,7%
9. Colombia 3.6361,2% 5.9671,9% 7.8432,8%
10. França 7.9692,7% 10.3263,4% 7.6212,7%
Subtotal 208.08071,2% 221.22772,3% 204.63671,9%
Outros 84.08128,8% 84.82927,7% 80.13328,1%
Total 292.161100,0% 306.056100,0% 284.769100,0%
Fonte: Secex (Ministério da Economia). Elaboração: IEMI.
Nota: Não inclui assentos para aviões e automóveis, nem partes para móveis e nem partes para assentos.

O avanço se torna ainda mais significativo quando observado diante do comportamento geral das exportações brasileiras. Enquanto os embarques do setor para todos os mercados recuaram 6,9% entre janeiro e maio de 2026, as vendas para a Colômbia cresceram acima de 30%. O recorte ainda não permite antecipar o fechamento do ano, mas indica ganho de relevância em um período de maior seletividade no comércio internacional.

Interzum Bogotá aproxima o Brasil da cadeia produtiva regional

A estratégia brasileira na Colômbia também ganhou uma frente importante com a participação na interzum bogotá 2026, promovida por meio da Vertical de Componentes, Máquinas e Demais Fornecedores do Projeto Brazilian Furniture. A ação reuniu 14 indústrias brasileiras, que realizaram 497 contatos comerciais durante a feira — 78% deles com novos compradores e parceiros — e registraram uma expectativa de aproximadamente US$ 1,8 milhão em negócios.

Embora a interzum seja direcionada à exposição da indústria de suprimentos, reunindo componentes, matérias-primas, máquinas, equipamentos e soluções para a produção moveleira, sua realização no país reforça a posição estratégica da Colômbia para toda a cadeia. Essa aproximação também beneficia as empresas de móveis acabados, ao ampliar o conhecimento sobre o mercado, formar redes comerciais e consolidar o Brasil como parceiro industrial na região.

Competitividade envolve produto, mercado e presença continuada

Brasil e Colômbia mantêm relações comerciais amparadas por acordos de complementação econômica entre o Mercosul e o país andino, com preferências tarifárias para diferentes produtos. O acesso aos benefícios, entretanto, depende do cumprimento de regras de origem, classificações corretas, documentação e demais requisitos técnicos e regulatórios.

Além da dimensão tarifária, o avanço no mercado exige uma estratégia adaptada às características locais. Parcerias com importadores e distribuidores, regularidade de fornecimento, suporte comercial, catálogos digitais, adequação de medidas e acabamentos, assistência pós-venda e comunicação em espanhol são elementos que influenciam a construção de negócios recorrentes.

Questões ambientais também ganham peso, tanto em relação à origem dos materiais quanto à gestão de embalagens, rastreabilidade, durabilidade e responsabilidade produtiva. Para a indústria brasileira, competências associadas à madeira de florestas plantadas, ao domínio produtivo e à diversidade do design podem contribuir para uma diferenciação que vá além do quesito preço.

Exclusividade Brazilian Furniture

Associado ao Projeto Brazilian Furniture, acesse o “Estudo de Oportunidade para o Exportador Brasileiro de Móveis e Colchões – País-Alvo: Colômbia| Edição 2025”.

Acessar a Intranet

Sobre o Projeto Brazilian Furniture

O Projeto Setorial Brazilian Furniture é uma iniciativa da ABIMÓVEL em parceria com a ApexBrasil, que tem por objetivo incrementar a participação da indústria e da cadeia de móveis brasileira no mercado internacional por meio de um conjunto de ações estratégicas, tendo como base os pilares da sustentabilidade, da competitividade e do design integrado à indústria. Centenas de empresas fazem parte do projeto.

No ciclo atual, as entidades realizadoras convidam além de fabricantes e designers de móveis, empresas do ramo de componentes e fornecedores da indústria a se unirem ao Brazilian Furniture, ampliando ainda mais o alcance do mobiliário brasileiro e reforçando a competitividade da marca "Brasil" no mundo.

Para fazer parte do projeto e colocar sua marca nos maiores eventos do setor moveleiro ao redor do mundo, acesse:

brazilianfurniture.org.br

Sobre a ABIMÓVEL

A Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (ABIMÓVEL) atua há quase cinco décadas na defesa, desenvolvimento e fortalecimento da cadeia moveleira nacional. A instituição promove e conduz uma agenda positiva para o setor, beneficiando mais de 22,8 mil empresas, que em 2025 geraram mais de R$ 92,1 bilhões em negócios e 287,2 mil empregos diretos, numa cadeia produtiva que emprega cerca de 1,1 milhão de trabalhadores indiretamente.

Ao longo de sua trajetória, a ABIMÓVEL tem liderado uma série de programas e ações voltados aos negócios, à competitividade, ao design, à sustentabilidade, à normalização técnica, à inovação e à internacionalização da indústria, promovendo iniciativas que ampliam o posicionamento do mobiliário brasileiro no cenário interno e global. O país é hoje o maior produtor de móveis da América Latina e o sétimo maior do mundo, posição que reflete a relevância estratégica de uma cadeia produtiva diversa, capilarizada e conectada às transformações do mercado.

abimovel.com

Sobre a ApexBrasil

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) atua para promover produtos e serviços brasileiros no exterior e atrair investimentos estrangeiros para setores estratégicos da economia brasileira. Para alcançar os objetivos, a ApexBrasil realiza ações diversificadas de promoção comercial que visam promover as exportações e valorizar os produtos e serviços brasileiros no exterior, como missões prospectivas e comerciais, rodadas de negócios, apoio à participação de empresas brasileiras em grandes feiras internacionais, visitas de compradores estrangeiros e formadores de opinião para conhecer a estrutura produtiva brasileira, entre outras plataformas de negócios que também têm por objetivo fortalecer a marca Brasil.

A Agência também atua de forma coordenada com atores públicos e privados para atração de investimentos estrangeiros diretos (IED) para o Brasil com foco em setores estratégicos para o desenvolvimento da competitividade das empresas brasileiras e do país.

apexbrasil.com.br

MÓVEIS: O NOSSO NEGÓCIO!

Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário – ABIMÓVEL

Assessoria de Imprensa: press@abimovel.com | +55 14 99156-0238

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