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Indústria e varejo de móveis recuaram no início do 2º trimestre

  • Geral
  • 10 de julho de 2026

Cenário tem sido de maior cautela na produção e nos investimentos diante de demanda enfraquecida

A indústria brasileira de móveis e colchões entrou no segundo trimestre de 2026 sob pressão. A produção alcançou 34,4 milhões de peças em abril, com queda de 8,5% em relação a março; enquanto o consumo aparente recuou 9,5%, para 34,9 milhões de unidades. No varejo, as vendas diminuíram tanto em volume quanto em receita. O movimento simultâneo dos indicadores revela um mercado que ainda encontra dificuldades para converter recuperações pontuais em uma trajetória sustentada de crescimento.

Os resultados fazem parte da Conjuntura de Móveis, estudo mensal elaborado pelo IEMI com exclusividade para a ABIMÓVEL (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário), com base em fontes oficiais de pesquisa. O levantamento acompanha os principais movimentos da cadeia de móveis e colchões no Brasil e no comércio exterior.

Embora parte da retração mensal possa estar associada ao efeito calendário de abril, período com menor número de dias úteis e interrupções na atividade produtiva e comercial, os resultados acumulados indicam que a desaceleração não se restringe a uma oscilação sazonal. Entre janeiro e abril, a produção caiu 1,5% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Nos últimos 12 meses, o recuo foi de 2,8%.

 

37.068
35.899
40.496
39.133
39.966
42.540
39.469
31.319
32.178
32.395
37.615
34.402
mai/25
jun/25
jul/25
ago/25
set/25
out/25
nov/25
dez/25
jan/26
fev/26
mar/26
abr/26
em mil peças

Entre diversos fatores, num setor fortemente dependente das condições de financiamento, o custo elevado do crédito continua limitando tanto o consumo das famílias quanto a capacidade de investimento da indústria. O desempenho reforça, assim, um cenário no qual as empresas operam com maior cautela, tendo de ajustar estoques, volumes produzidos, portfólios e estratégias comerciais para acompanhar à menor demanda.

Consumo recua e importados ampliam presença no início do ano

O consumo aparente de móveis e colchões — calculado a partir da produção nacional, acrescida das importações e descontadas as exportações — totalizou 34,9 milhões de peças em abril. O resultado representou retração de 9,5% em relação a março e de 1,3% no acumulado do primeiro quadrimestre. Em 12 meses, entretanto, o indicador ainda apresentou ligeira alta de 0,2%, puxado sobretudo pelo terceiro trimestre de 2025.

Os móveis e colchões importados responderam por 7,5% do consumo aparente em abril. No acumulado do ano, essa participação chegou a 7,7%, acima dos 6% observados nos últimos 12 meses. O avanço proporcional ocorre mesmo diante da redução recente das importações e merece atenção por indicar que houve maior presença de produtos estrangeiros no mercado brasileiro ao longo do primeiro trimestre de 2026. 

Emprego permanece relativamente estável, mas investimentos dão sinal de cautela

O emprego no setor moveleiro recuou 0,2% em abril, na comparação com março. No acumulado de janeiro a abril, houve leve alta de 0,1%, enquanto os últimos 12 meses registraram -1,3%.

A relativa estabilidade do emprego no início do ano, mesmo diante da queda na produção, pode indicar um esforço das empresas para preservar equipes e mão de obra especializada enquanto aguardam uma recuperação mais consistente dos pedidos. O setor, no entanto, permanece exposto à continuidade da desaceleração, especialmente caso a demanda interna não apresente reação nos próximos meses.

Outro indicador relevante aparece nas compras externas de bens de capital. As importações de máquinas destinadas à fabricação de móveis diminuíram 21,3% entre janeiro e maio de 2026, em comparação com o mesmo intervalo de 2025.

O resultado não representa, isoladamente, a totalidade dos investimentos realizados pela indústria, que também adquire máquinas e equipamentos produzidos no Brasil, entre tantos outros insumos. Ainda assim, constitui um sinal de maior seletividade na execução de projetos de modernização e expansão, especialmente em um ambiente de crédito caro, margens pressionadas e menor previsibilidade sobre a demanda.

A redução dos investimentos produtivos tende a produzir efeitos que ultrapassam o curto prazo. Automação, digitalização, eficiência energética e atualização tecnológica são elementos centrais para elevar a produtividade, reduzir desperdícios e ampliar a competitividade do mobiliário brasileiro nos mercados interno e externo.

Varejo registra queda em volume e receita

As vendas de móveis e colchões no varejo brasileiro, por sua vez, totalizaram aproximadamente 31,7 milhões de peças em abril, com retração de 3,7% em relação a março. Na comparação com abril de 2025, quando foram comercializadas 32,7 milhões de unidades, o recuo foi de cerca de 3%.

Entre janeiro e abril, o volume vendido também acumulou queda de 3,7%. Nos últimos 12 meses, a retração chegou a 4,6%, confirmando que a perda de dinamismo não se limita ao resultado de um único mês.

Em valores, as vendas recuaram 3,5% na passagem de março para abril. O faturamento acumulado nos quatro primeiros meses do ano diminuiu 1,3%, enquanto a variação dos últimos 12 meses foi de -1,6%.

Varejo de móveis (milhões de peças)
35,3
34,3
32,2
29,2
32,9
32,9
32,7
31,7
37,5
33,1
35,8
33,4
33,4
33,6
43,4
43,2
jan
fev
mar
abr
mai
jun
jul
ago
set
out
nov
dez
2025 2026

O fato de a receita apresentar retração inferior à observada no volume indica que a atualização de preços e as mudanças no mix de produtos compensaram parcialmente a redução das unidades comercializadas. O movimento, contudo, não foi suficiente para impedir a queda do faturamento.

Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, do IBGE, os preços do mobiliário subiram 0,25% em maio. A alta acumulada em 2026 chegou a 1,15% e, nos últimos 12 meses, a 4,04%.

Oscilação no comércio exterior

Já no comércio exterior, as exportações brasileiras de móveis e colchões cresceram 3,5% em abril, na comparação com março, totalizando US$ 67,5 milhões. Em maio, contudo, houve novo recuo de 2%, caindo para US$ 66,1 milhões, diante de um ambiente internacional geopoliticamente conturbado e com maior utilização de instrumentos de defesa comercial.

As importações de móveis seguiram trajetória distinta. Em abril, as compras externas diminuíram 17,2% em relação a março, alcançando R$ 32,9 milhões. Em maio, houve nova queda mensal, de 14,6%, com o total reduzido para R$ 28,1 milhões.

Recuperação exige coordenação

Na avaliação da ABIMÓVEL, os indicadores mostram que a retomada da indústria de móveis e colchões, setor importante para a economia brasileira, depende de uma combinação de fatores. No mercado interno, a recuperação passa pela melhora das condições de crédito, pelo fortalecimento da renda das famílias e pela criação de um ambiente mais favorável ao investimento produtivo.

Previsibilidade regulatória, infraestrutura eficiente e redução dos entraves tributários, logísticos e administrativos são igualmente necessárias para diminuir custos, qualificar e reter mão de obra, acelerar a modernização tecnológica e elevar a produtividade das empresas.

No ambiente internacional, a estratégia envolve, ao mesmo tempo, a defesa de mercados já consolidados e a abertura de novos destinos comerciais. Nos Estados Unidos, principal mercado externo para o mobiliário brasileiro, a ABIMÓVEL conduz, com apoio da BMJ Consultores Associados, a defesa técnica do setor diante das investigações e medidas comerciais em curso. Paralelamente, a América Latina ganha relevância pela proximidade geográfica e pelas possibilidades de integração regional; enquanto o aprofundamento das relações com a União Europeia, entre outros blocos econômicos na Europa e na Ásia, ampliam as perspectivas de acesso a mercados de maior poder aquisitivo. 

A indústria brasileira reúne capacidade produtiva, qualidade técnica, experiência exportadora, diversidade de matérias-primas, design original e práticas de gestão sustentável. Transformar esses atributos em maior escala, valor agregado e presença de mercado, entretanto, requer coordenação e continuidade entre políticas públicas, ações institucionais e os diferentes elos da cadeia.

Resumo – Principais Indicadores do Setor Moveleiro

Indicadores Brasil Minas Gerais Paraná Rio Grande do Sul Santa Catarina São Paulo
Produção (Peças) – Abril/26 -8,5% - -2,4% -12,7% - -
Consumo Aparente – Abril/26 -9,5% - -3,8% -12,4% - -
Exportação (US$) – Maio/26 -2,0% 8,9% 9,5% -11,1% -2,7% -0,3%
Importação (US$) – Maio/26 -14,6% -23,9% -6,4% 40,2% -37,0% 5,9%
Participação dos Importados – Abril/26 7,5% - 2,8% 0,2% - -
Participação dos Exportados – Abril/26 6,2% - 9,2% 12,0% - -
Emprego – Abril/26 -0,2% 0,12% -0,44% -0,02% -0,17% -0,22%
Varejo (Volume) – Abril/26 -3,7% 0,1% -9,4% -0,5% -2,6% -8,0%
Varejo (Valores) – Abril/26 -3,5% 0,5% -9,1% 1,0% -2,3% -7,7%
Inflação (móveis) – Maio/26 0,25% -0,18% 0,90% -0,52% - 0,42%
Fonte: IBGE/Secex/CAGED/CNI. Elaboração IEMI.

A íntegra da Conjuntura de Móveis – Junho/2026 está disponível no acervo digital da ABIMÓVEL: abimovel.com/acervo-digital

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