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ABIMÓVEL participa do evento ‘Conexões Produtivas – Oportunidades para a Indústria no Acordo Mercosul-União Europeia’, em São Paulo

  • Geral
  • 29 de junho de 2026

Entidade acompanhou debates sobre acesso ao mercado europeu, redução tarifária, requisitos regulatórios e instrumentos de apoio à internacionalização da indústria brasileira

A ABIMÓVEL (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário), representada por sua diretora-executiva, Cândida Cervieri, participou, na última sexta-feira (26), em São Paulo (SP), do evento “Conexões Produtivas – Oportunidades para a Indústria no Acordo Mercosul-União Europeia”. O encontro reuniu autoridades, lideranças empresariais, especialistas e representantes do setor produtivo para discutir como as novas condições comerciais entre os dois blocos podem ser convertidas em exportações, investimentos e ganhos de competitividade para a indústria brasileira.

Promovido pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), pela ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) e pela ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial), com apoio do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), do INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), o evento marcou o início de uma série de encontros que percorrerá diferentes regiões do país.

A proposta é aproximar as empresas das oportunidades abertas pelo Acordo Mercosul-União Europeia, considerando as características produtivas de cada estado e os diferentes estágios de maturidade exportadora. Depois de São Paulo, a próxima edição será realizada em 1º de julho, no Acre.

Participaram do encontro o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin; o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa; o ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Henrique Rodrigues Pereira; o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller; o presidente da ABDI, Olavo Noleto; o embaixador Alex Giacomelli, do Ministério das Relações Exteriores; e a secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres; e o gerente da unidade de assessoria internacional do Sebrae, Vinicius Lages. 

Ao longo do dia, os debates abordaram as demandas e tendências do mercado europeu, as oportunidades para empresas da Região Sudeste e as experiências de companhias brasileiras que já operam internacionalmente. A programação também apresentou instrumentos relacionados a financiamento, inteligência comercial, transformação digital, propriedade intelectual, certificações, avaliação da conformidade e apoio à internacionalização.

Mais do que dimensionar o potencial do acordo, o encontro tratou das condições necessárias para que as empresas possam efetivamente utilizar os benefícios previstos. Classificação dos produtos, regras de origem, adequação regulatória, acesso a crédito e conhecimento dos mercados de destino estarão entre os fatores que determinarão a capacidade de transformar a abertura comercial em novos contratos.

Do acordo ao mercado

Resultado de mais de 25 anos de negociações, o Acordo Mercosul-União Europeia conecta 31 países, aproximadamente 718 milhões de consumidores e economias com Produto Interno Bruto combinado superior a US$ 22 trilhões. O Acordo Provisório de Comércio, que reúne o pilar comercial do tratado, passou a vigorar em 1º de maio de 2026, enquanto o entendimento mais amplo segue os procedimentos necessários para sua entrada em vigor definitiva.

A União Europeia já é o segundo principal parceiro comercial do Brasil. Em 2025, a corrente de comércio entre o país e o bloco alcançou US$ 100 bilhões pela primeira vez. Três em cada dez empresas exportadoras brasileiras mantiveram vendas para o mercado europeu no período, o equivalente a 8.769 companhias.

A relação, portanto, não começa com o acordo. O que muda é o conjunto de condições sob as quais ela poderá avançar. A redução gradual das tarifas tende a diminuir parte do custo de entrada, ampliar a previsibilidade e tornar determinados produtos brasileiros mais competitivos diante de fornecedores de países que já operam sob regimes comerciais preferenciais.

Ao falar a empresários e representantes do setor produtivo, Geraldo Alckmin resumiu o desafio que se inicia a partir de agora: “Celebrado o acordo, o desafio é fazer negócios, ampliar vendas e aproveitar oportunidades”, afirmou o vice-presidente. Segundo ele, incrementar as exportações e diversificar mercados torna-se ainda mais importante em um cenário internacional marcado por novas barreiras comerciais, tensões geopolíticas e reconfiguração das cadeias de fornecimento, o entendimento também amplia as possibilidades de diversificação de mercados.

Nesse sentido, a ApexBrasil apresentou durante o evento estudos que identificaram 543 oportunidades de exportação com redução tarifária imediata em 25 países da União Europeia, abrangendo segmentos como máquinas e equipamentos, produtos químicos, alimentos, artigos manufaturados e diferentes áreas da indústria de transformação.

Também foi lançado o Painel Acordo Mercosul-União Europeia: Oportunidades por Estado, ferramenta desenvolvida pela ApexBrasil com dados do MDIC. A plataforma permite consultar, por unidade da Federação, os produtos com potencial de se beneficiar da redução ou eliminação gradual das tarifas, devendo oferecer às empresas uma leitura direcionada para a definição de mercados, produtos e estratégias comerciais.

A ApexBrasil anunciou ainda 150 ações voltadas ao mercado europeu, com investimentos de R$ 130 milhões e previsão de atendimento a aproximadamente 2,6 mil empresas brasileiras. As iniciativas deverão envolver inteligência de mercado, qualificação, promoção comercial e aproximação com compradores.

A Agência é parceira da ABIMÓVEL na realização do Projeto Brazilian Furniture, iniciativa de internacionalização que contempla fabricantes de móveis e colchões, além de indústrias de componentes, máquinas, equipamentos, matérias-primas e demais suprimentos do setor.

Relação da indústria brasileira de móveis com a União Europeia

Para a indústria brasileira de móveis e colchões, a União Europeia já representa um mercado relevante, embora ainda distante de seu potencial. Em 2025, as exportações do setor para os países do bloco somaram US$ 71,25 milhões, crescimento de 17,7% em relação ao ano anterior.

Com esse avanço, a União Europeia passou a responder por 9,3% das exportações brasileiras de móveis e colchões, ante 7,9% em 2024. O resultado ganha relevância por ter ocorrido em um ano no qual as vendas externas totais do setor cresceram apenas 0,8%, indicando maior participação relativa do mercado europeu na pauta brasileira.

No fluxo inverso, o Brasil importou US$ 57,34 milhões em móveis e colchões provenientes da União Europeia em 2025. O comércio bilateral do setor encerrou o ano com saldo positivo de aproximadamente US$ 13,91 milhões para o Brasil.

Os números revelam duas dimensões. A primeira é que o mobiliário brasileiro já encontra demanda no bloco, especialmente em mercados como França, Alemanha, Espanha, Portugal e Itália. A segunda é que essa presença ainda é pequena diante da dimensão do consumo europeu e da capacidade produtiva da indústria nacional.

Essa diferença de escala ajuda a dimensionar a oportunidade, mas também evita uma leitura simplificada do acordo. O mercado europeu é amplo, sofisticado e disputado por fabricantes locais, fornecedores asiáticos e empresas de outros países com relações comerciais consolidadas. Reduzir tarifas melhora as condições de competição, mas não substitui posicionamento, diferenciação e presença continuada.

Estudos desenvolvidos pela ABIMÓVEL em parceria com o IEMI – Inteligência de Mercado estimam que as exportações brasileiras de móveis para a União Europeia possam crescer até 20% com a vigência do acordo. A concretização desse potencial dependerá, entre outros fatores, da adequação às exigências do bloco e da identificação dos mercados e canais mais compatíveis com cada perfil de produto.

Embora compartilhem regras comunitárias, os países da União Europeia não formam um mercado homogêneo para móveis. Cada destino apresenta canais de distribuição, hábitos de consumo, faixas de preço, dimensões residenciais, preferências estéticas e exigências comerciais próprias, o que requer estratégias específicas de entrada e posicionamento.

Também ganham peso a procedência legal e sustentável das matérias-primas, a rastreabilidade, a documentação da cadeia produtiva e a conformidade técnica e ambiental, especialmente por intermédio das novas leis antidesmatamento do bloco EUDR). No mobiliário, esses requisitos se somam a fatores decisivos como embalagem, logística, prazos de entrega, regularidade do fornecimento e assistência comercial.

Da oportunidade à estratégia

A participação da ABIMÓVEL na primeira edição do Conexões Produtivas – Oportunidades para a Indústria no Acordo Mercosul-União Europeia” integra o trabalho da entidade de acompanhar negociações comerciais e mudanças regulatórias, avaliar seus impactos sobre a cadeia moveleira e representar os interesses do setor nos espaços de diálogo com o poder público e demais instituições.

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