
Estudo exclusivo para associados do Projeto Brazilian Furniture mostra que 46,7% dos móveis e colchões consumidos no mercado canadense são importados; participação brasileira ainda é de apenas 0,1%, indicando espaço para avanço comercial e reposicionamento de oferta
O Canadá ocupa uma posição singular no mapa internacional do mobiliário. Ao mesmo tempo em que possui uma indústria moveleira tradicional, o país depende de forma expressiva das importações para atender à sua demanda interna. Em 2024, cerca de 46,7% do consumo aparente de móveis e colchões no mercado canadense foi suprido por produtos importados, um indicador que revela a abertura estrutural do país ao comércio exterior e ajuda a explicar por que o destino merece atenção mais próxima da indústria brasileira.
É nesse contexto que o Projeto Setorial Brazilian Furniture — iniciativa da ABIMÓVEL (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário) em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) — compartilha o “Estudo de Oportunidades para o Exportador Brasileiro de Móveis e Colchões – País-alvo: Canadá | Edição 2025”. A publicação complementa o estudo “Do Brasil para o Mundo” e aprofunda a leitura sobre um dos mercados-alvo na América do Norte, região que vem sendo trabalhada de forma estratégica pelo setor.
Neste último mês de maio, aliás, o Brasil esteve presente na ICFF 2026 (International Contemporary Furniture Fair), em Nova York, nos Estados Unidos, uma das principais plataformas de design contemporâneo do continente, reunindo cerca de 30 marcas e designers brasileiros em ações estruturadas entre empresas expositoras, missão comercial e mostra de design. A participação reforçou a importância da região como espaço de relacionamento, prospecção e construção de presença para o mobiliário brasileiro, com o Canadá posicionando-se como um mercado complementar e relevante, ainda pouco explorado pelo Brasil em relação ao seu potencial.
Um mercado que consome mais do que produz
Em 2024, a produção canadense de móveis e colchões foi estimada em US$ 8,7 bilhões, com alta de 4,6% em relação a 2020 (ano-base do estudo), mas queda de 3,5% frente a 2023. Já o consumo interno aparente atingiu aproximadamente US$ 9,8 bilhões. Ou seja, o país consome mais do que produz.
Na média do período analisado, entre 2020 e 2024, a participação dos móveis e colchões importados no consumo interno canadense ficou em 46,6%. Em outras palavras, embora conte com uma indústria local consolidada, o Canadá depende do comércio exterior para complementar sua oferta, ampliar variedade e atender diferentes faixas de consumo.
Essa leitura é particularmente importante para o exportador brasileiro. O Canadá não deve ser observado como um mercado de entrada simples, mas como um destino de posicionamento, relacionamento e diferenciação. A concorrência com a produção nacional e com fornecedores asiáticos é relevante; porém, a abertura estrutural às importações cria oportunidades para empresas com maior experiência internacional, consistência produtiva, clareza de oferta e capacidade de adaptação às exigências de compradores, distribuidores, especificadores e consumidores locais.
Importações canadenses somaram US$ 4,6 bilhões em 2024
As importações globais de móveis e colchões do Canadá totalizaram US$ 4,6 bilhões em 2024, com crescimento de 11,8% em relação a 2020, embora tenham recuado 2,5% frente a 2023. A composição da pauta mostra predominância de duas grandes categorias: móveis, com 54,4% do valor importado, e assentos, com 40,6%. Colchões e suportes responderam pelos 5,0% restantes.
Entre os principais fornecedores, a China manteve a liderança, com 42,0% do valor importado pelo Canadá em móveis e colchões. Os Estados Unidos vieram na sequência, com 22,2%, seguidos pelo Vietnã, com 10,7%. O Brasil, por sua vez, aparece com participação ainda reduzida, equivalente a 0,1% das importações canadenses do setor.
Esse dado revela tanto a baixa presença brasileira quanto a margem potencial para crescimento. O estudo indica que, entre 2020 e 2024, o Brasil registrou queda de 62,2% nas vendas ao Canadá, movimento que contrasta com o crescimento das importações canadenses no mesmo período. A análise sugere, portanto, a necessidade de reposicionamento: mais do que ampliar volumes, trata-se de qualificar o mix exportado, avançar em produtos com design próprio, ampliar valor agregado e construir presença comercial de forma contínua.
Brasil ainda representa apenas 0,1% das importações canadenses de mobiliário
Entre 2008 e 2024, o Brasil exportou aproximadamente US$ 156,3 milhões em móveis e colchões para o Canadá. O desempenho, porém, foi marcado por oscilações significativas. O melhor resultado da série ocorreu em 2019, quando as exportações alcançaram US$ 17,3 milhões. Depois de um ciclo mais forte entre 2018 e 2022, o fluxo voltou a perder intensidade.
Em 2024, as exportações brasileiras para o mercado canadense somaram US$ 4,6 milhões, queda de 62,2% em relação a 2020 e de 40,4% frente a 2023. Em volume, o Brasil embarcou 1,6 mil toneladas, recuo de 63,6% frente a 2020 e de 31,8% na comparação com o ano anterior.
Histórico das exportações brasileiras de móveis e colchões para o Canadá(em milhões de US$ FOB)
Fonte: ComexStat. Elaboração: IEMIHistórico das exportações brasileiras de móveis e colchões para o Canadá(em mil toneladas)
Fonte: ComexStat. Elaboração: IEMIApesar da retração geral, o estudo aponta movimentos positivos em segmentos específicos, como móveis de madeira para escritório, com crescimento de 2.106,2%, outros móveis de metal, com alta de 1.068,0%, e móveis de madeira para cozinha, com avanço de 270,8%. Esses recortes sugerem que, mesmo em um quadro de queda agregada, existem nichos com resposta comercial e potencial de desenvolvimento.
Potencial adicional pode chegar a US$ 5,7 milhões
Com base na análise histórica das exportações por produto e nas taxas de crescimento observadas em determinadas categorias, o IEMI – Inteligência de Mercado estima que o Brasil possui potencial adicional de crescimento no mercado canadense, podendo atingir, no longo prazo, um patamar de US$ 5,7 milhões em exportações — o que representaria expansão de 124,5% em relação ao nível atual.
Essa projeção, no entanto, está condicionada à manutenção de ações estruturadas de promoção comercial, inteligência de mercado e qualificação da oferta. A análise de preços reforça esse ponto. Em 2024, o Canadá pagou, em média, US$ 2,86/kg pelos produtos brasileiros importados, enquanto o preço médio geral das importações canadenses de móveis e colchões foi de US$ 5,10/kg. Fator que demonstra que o mercado consumidor canadense está disposto a pagar mais por maior valor agregado.
Importante ressaltar, todavia, que a comparação deve ser feita com cautela, já que os dados brasileiros são informados em FOB e os canadenses em CIF, o que impede uma equivalência direta. Ainda assim, o indicador sinaliza que parte relevante da pauta brasileira está posicionada em faixas de menor valor agregado.
Para a ABIMÓVEL, esse dado deve ser lido como uma agenda de oportunidade. O Brasil já possui competências reconhecidas em madeira, estofados, design autoral, soluções para interiores, produção seriada, gestão sustentável e customização industrial. O desafio está em traduzir essas capacidades em oferta internacional mais competitiva, com estratégia de marca, adequação técnica, leitura de canais e consistência comercial.
Tarifas, acordos e ambiente de negócios
No campo tarifário, o estudo aponta que o Canadá aplica aos produtos brasileiros de móveis prontos e colchões tarifas dentro da Cláusula de Nação Mais Favorecida (NMF/MFN), no âmbito da Organização Mundial do Comércio. As tarifas variam de 0% a 9,5%, conforme a classificação do produto.
Embora Brasil e Canadá mantenham uma relação bilateral madura, com o Brasil tradicionalmente figurando entre os principais parceiros comerciais canadenses na América do Sul, o país também possui acordos preferenciais com outros mercados. Para o exportador brasileiro, isso reforça a necessidade de observar não apenas a tarifa aplicada, mas o conjunto de condições comerciais, logísticas, regulatórias e competitivas que moldam a entrada no mercado.
Nesse sentido, o estudo funciona como ferramenta prática para tomada de decisão. Ao reunir dados sobre produção, consumo, importações, exportações, preços médios, participação brasileira, barreiras tarifárias e potencial de crescimento, o material permite que empresas avaliem se o Canadá faz sentido para sua estratégia, quais categorias oferecem melhor aderência e quais ajustes podem ser necessários para competir em um mercado exigente, mas aberto à oferta internacional.
Exclusividade Brazilian Furniture
Associado ao Projeto Brazilian Furniture, acesse o “Estudo de Oportunidade para o Exportador Brasileiro de Móveis e Colchões – País-Alvo: Canadá | Edição 2025”.
Sobre a ABIMÓVEL
A Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (ABIMÓVEL) atua há quase cinco décadas na defesa, desenvolvimento e fortalecimento da cadeia moveleira nacional. A instituição promove e conduz uma agenda positiva para o setor, beneficiando mais de 22,8 mil empresas, que em 2025 geraram mais de R$ 92,1 bilhões em negócios e 287,2 mil empregos diretos, numa cadeia produtiva que emprega cerca de 1,1 milhão de trabalhadores indiretamente.
Ao longo de sua trajetória, a ABIMÓVEL tem liderado uma série de programas e ações voltados aos negócios, à competitividade, ao design, à sustentabilidade, à normalização técnica, à inovação e à internacionalização da indústria, promovendo iniciativas que ampliam o posicionamento do mobiliário brasileiro no cenário interno e global. O país é hoje o maior produtor de móveis da América Latina e o sétimo maior do mundo, posição que reflete a relevância estratégica de uma cadeia produtiva diversa, capilarizada e conectada às transformações do mercado.
abimovel.comSobre a ApexBrasil
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) atua para promover produtos e serviços brasileiros no exterior e atrair investimentos estrangeiros para setores estratégicos da economia brasileira. Para alcançar os objetivos, a ApexBrasil realiza ações diversificadas de promoção comercial que visam promover as exportações e valorizar os produtos e serviços brasileiros no exterior, como missões prospectivas e comerciais, rodadas de negócios, apoio à participação de empresas brasileiras em grandes feiras internacionais, visitas de compradores estrangeiros e formadores de opinião para conhecer a estrutura produtiva brasileira, entre outras plataformas de negócios que também têm por objetivo fortalecer a marca Brasil.
A Agência também atua de forma coordenada com atores públicos e privados para atração de investimentos estrangeiros diretos (IED) para o Brasil com foco em setores estratégicos para o desenvolvimento da competitividade das empresas brasileiras e do país.
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