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Indústria moveleira reagiu em março, mas acumulado geral foi de perda de volume no 1º trimestre

  • Geral
  • 10 de junho de 2026

Além dos números de janeiro a março, edição mais recente da ‘Conjuntura de Móveis’ traz também dados do comércio exterior no mês de abril

Depois de dois meses de atividade mais moderada, a produção voltou a ganhar propulsão a partir de março de 2026, com o consumo aparente, o varejo e as exportações também crescendo. O movimento, registrado pela Conjuntura de Móveis – Edição Maio 2026 – estudo desenvolvido pelo IEMI com exclusividade para a ABIMÓVEL (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário) – não foi suficiente, contudo, para reverter o volume perdido no início do ano.

Em março, a produção nacional de móveis e colchões alcançou 37,6 milhões de peças, alta de 16,1% em relação a fevereiro. No acumulado de janeiro a março, porém, o setor registrou queda de 1,6%; em 12 meses, o recuo foi de 3,1%.

A trajetória recente ajuda a dimensionar esse panorama. Após encerrar 2025 com forte ajuste no último bimestre, o setor iniciou 2026 em patamares próximos aos de dezembro, com produção de 32,2 milhões de peças em janeiro e 32,4 milhões em fevereiro. O salto produtivo em março representou, portanto, uma recuperação relevante de escala produtiva, mas ainda dentro de uma curva de normalização.

O mesmo desenho apareceu também no consumo aparente, indicador que aproxima a leitura entre produção, importações, exportações e absorção pelo mercado interno. Em março, o consumo de móveis e colchões no Brasil chegou a 38,5 milhões de peças, crescimento de 15,9% frente ao mês anterior. Ainda assim, o acumulado do ano mostra retração de 1,4%, enquanto a variação em 12 meses ficou praticamente estável, com queda de 0,1%. 

A participação dos importados no consumo interno, por outro lado, segue em crescimento, tendo atingido 8,0% no terceiro mês do ano, nível que mantém no radar a pressão competitiva sobre a indústria nacional.

Varejo de móveis no 1º tri

No varejo, março também marcou um cenário mais positivo. As vendas de móveis em volume cresceram 12,7% em relação a fevereiro, enquanto as vendas em valores avançaram 13,2%. O resultado sugere recomposição da demanda na ponta final da cadeia, especialmente após fevereiro mais fraco. Ainda assim, o primeiro trimestre permaneceu negativo: queda de 3,4% em volume e de 0,9% em faturamento. Em 12 meses, os recuos foram de 4,7% e 1,7%, respectivamente.

Esse descompasso entre volume e receita merece ser avaliado. A retração mais intensa em peças vendidas do que em receita sugere que o mercado segue operando com ajustes de preço, mudança de mix, seletividade do consumidor e maior disputa por margem. Para a indústria e para o varejo, isso significa que vender mais em um mês não resolve, sozinho, o desafio de sustentar rentabilidade, giro e previsibilidade em um ambiente ainda pressionado pelo custo do crédito.

Exportações e importações de móveis janeiro-abril 2026

No comércio exterior, o primeiro quadrimestre trouxe sinais mais positivos. As exportações brasileiras de móveis somaram US$ 65,2 milhões em março, alta de 38,6% sobre fevereiro. Em abril, cresceram novamente, alcançando US$ 67,5 milhões, avanço de 3,5% em relação ao mês anterior. 

A sequência mostra recomposição do fluxo exportador após um início de ano mais fraco e reforça o papel do mercado internacional como vetor importante para equilibrar a atividade da indústria. No acumulado, o cenário ainda foi de declínio: – 7,2%.

Já as importações recuaram na variação mensal, mas cresceram no ano: -17,2% na passagem de março para abril; +44,2% no quadrimestre.

Emprego e Investimentos na indústria de móveis

Diante de um período ainda instável, o volume de pessoal ocupado no setor moveleiro recuou 0,5% em março frente a fevereiro. No acumulado do ano, houve leve alta de 0,2%, enquanto em 12 meses o indicador caiu 0,6%. O dado parece demonstrar que a reação produtiva em março ocorreu mais pela reorganização da capacidade instalada do que pela expansão efetiva das equipes. Em outras palavras, a indústria produziu mais, mas ainda não contratou na mesma direção.

A mesma seletividade aparece nos investimentos. As importações de máquinas para fabricação de móveis caíram 19,9% entre janeiro e abril de 2026 na comparação com o mesmo período de 2025. O indicador é relevante porque antecipa a disposição das empresas para ampliar capacidade, modernizar processos e sustentar ganhos de produtividade. A queda não elimina investimentos em curso, mas mostra que a tomada de decisão industrial segue mais criteriosa, especialmente diante de um cenário de demanda interna oscilante e custos financeiros elevados.

A Conjuntura de Móveis – Edição Maio 2026 mostra, portanto, um setor em movimento, mas ainda calibrando velocidade, estoques, produção e mercados. A reação de março e abril podem abrir uma leitura mais favorável para os meses seguintes, mas a recuperação dependerá da sustentação da demanda interna, da evolução do crédito, da confiança industrial, da continuidade dos pedidos externos e da capacidade das empresas de proteger produtividade e margem em um ambiente competitivo. 

A íntegra da Conjuntura de Móveis – Maio/2026 está disponível no acervo digital da ABIMÓVEL: abimovel.com/acervo-digital

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