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Governo anuncia subsídio de até R$ 0,89 para gasolina e R$ 0,35 para diesel

  • Geral
  • 18 de maio de 2026

Presidente editou uma medida provisória concedendo subvenção aos produtores e importadores de combustível; a intenção é minimizar os impactos da guerra no Oriente Médio sobre o preço nos postos do Brasil

O governo federal anunciou hoje a edição de uma medida provisória (MP) concedendo subvenção (subsídios) aos produtores e importadores de gasolina e diesel. A intenção é minimizar os impactos da guerra no Oriente Médio sobre o preço dos combustíveis nos postos do Brasil.

O que aconteceu

A subvenção será de até R$ 0,8925 sobre o litro da gasolina. Conceder uma subvenção de R$ 0,8925 por litro de gasolina significa que o governo vai pagar esse valor diretamente para as refinarias (produtores) e importadores do combustível. Na prática, a medida funciona como um subsídio financeiro.

Embora o teto do subsídio seja de R$ 0,89, o valor médio repassado deve ser menor. “O nosso cenário inicial é uma subvenção parcial para gasolina de R$ 0,40, R$ 0,45 por litro”, afirmou Bruno Moretti, ministro do Planejamento e Orçamento.

A subvenção será de 0,3515 sobre o litro do diesel. O combustível está desonerado de PIS e Cofins até 31 de maio. A partir de então, haverá a subvenção. “Preferimos pagar uma subvenção para que ele não repasse a preço o que eles pagarem de tributo”, continuou Moretti.

As produtoras e importadoras terão obrigações a cumprir. Em troca desse dinheiro público, as refinarias e importadores ficam proibidos de repassar a alta internacional do petróleo para os postos de combustíveis. O consumidor final, no entanto, não terá um desconto de R$ 0,8925 no posto por conta da composição da gasolina brasileira comercializada nas bombas porque o combustível vendido no Brasil é composto por 68% de gasolina pura e 32% de etanol anidro.

Essa devolução é uma espécie de cashback desse tributo [pago por importadores e produtores], capaz de amortecer eventuais choques de preço.
Bruno Moretti, ministro do Planejamento e Orçamento

O impacto fiscal será de R$ 1 bilhão a R$ 1,2 bilhão por mês em subvenção para a gasolina. Para o diesel, o valor será de R$ 1,7 bilhão por mês. O prazo do subsídio será de dois meses. Depois desse prazo, o governo avaliará a necessidade de prorrogação da medida.

O dinheiro precisará respeitar a meta de resultado primário, que em 2026 prevê superávit de 0,25% do PIB. Segundo o governo, o dinheiro sairá do aumento de arrecadação com a exportação de petróleo, cujos preços aumentaram em razão da guerra. “Por ser uma medida temporária, ela não requer uma compensação, mas precisa ser inscrita dentro do nosso espaço fiscal, que vai ficar evidente no relatório bimestral”, afirmou Moretti. O próximo Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias está agendado para 22 de maio de 2026.

A medida entra em vigor por meio de Medida Provisória (MP). No caso do diesel, o novo subsídio passará a ser pago assim que os efeitos da MP anterior (editada em março) se encerrarem.

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A preocupação se deve à alta de 48,7% da cotação do petróleo. Com a restrição à circulação do produto pelo Estreito de Hormuz, o valor do barril de 159 litros do Brent, referência internacional para o combustível, disparou de US$ 72,48 para US$ 107,77 entre 27 de fevereiro e o fechamento de ontem.

Medidas do governo | Combustíveis

Medidas para conter alta dos combustíveis

Em abril, o governo anunciou medidas para impedir que a alta dos combustíveis chegue aos consumidores. Veja as medidas já aprovadas:

Subvenções

Diesel importado — R$ 1,20 por litro

Novo esforço de subvenção sobre o diesel importado, complementar à subvenção de R$ 0,32 da MP 1.340. Planalto arca com o valor integral; estados que aderirem compensam R$ 0,60 por litro com ajustes nos repasses federais.

Vigência: abril e maio de 2026 • Custo total: R$ 4 bilhões (União + estados) • 25 unidades da federação já confirmaram participação

Diesel nacional — R$ 0,80 por litro

Beneficia o diesel produzido no Brasil, custeado integralmente com recursos federais. Mesmos moldes da MP inicial que liberou R$ 10 bilhões. Duração de dois meses, renovável.

Produtores devem aumentar volume vendido aos distribuidores e garantir repasse do benefício aos preços finais

Gás de cozinha (GLP) — R$ 850 por tonelada

Subvenção federal abrange toda a importação de gás de cozinha. Busca garantir que o GLP não chegue mais caro às famílias. Valor aplicado sobre cada tonelada do derivado importado.

Válida pelos próximos 2 meses • Estima-se que produto importado será comercializado ao mesmo preço do produzido no Brasil


Isenção de impostos

Biodiesel — PIS e Cofins zerados

Alíquotas de PIS e Cofins sobre o biodiesel foram zeradas. Economia de R$ 0,02 por litro do combustível. O combustível renovável é adicionado ao óleo diesel em proporção de 15%.

Decisão se une ao corte de impostos sobre o diesel de 12 de março, que reduziu o litro em R$ 0,32 nas refinarias

Diesel — PIS e Cofins zerados

Governo retirou alíquotas de PIS e Cofins na expectativa de reduzir o litro do combustível em R$ 0,32 nas refinarias. MP estabeleceu tributação de 12% sobre exportações de petróleo para aumentar refino interno.


Passagens aéreas

Linha de crédito — até R$ 9 bilhões

Após Petrobras aumentar 55% os preços do QAV (Querosene de Aviação), governo anunciou linha de crédito para o setor aéreo. Financiamentos liberados pelo BNDES ou instituição autorizada.

QAV — PIS e Cofins zerados

Alíquotas de PIS e Cofins deixam de incidir sobre querosene de aviação. Economia estimada de R$ 0,07 por litro do combustível.

Tarifas de navegação aérea — adiadas

Companhias aéreas podem pagar apenas em dezembro as tarifas de navegação da FAB referentes a abril, maio e junho.


Fiscalização

Penalidades agravadas para aumento abusivo

MP editada pelo governo federal agrava penalidades em situações de conflitos geopolíticos ou calamidade para elevação abusiva de preço e recusa de fornecimento.

Novo tipo penal — até 5 anos de prisão

PL de autoria do governo encaminhado ao Congresso em regime de urgência cria novo tipo penal para coibir aumento abusivo de preços.

Fiscalização ampliada pela ANP

Inspeções na cadeia de distribuição e revenda de gasolina, diesel e GLP intensificadas. Força-tarefa com Senacon, Procons estaduais e municipais, Secretaria Nacional de Segurança Pública e PF.

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