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Indústria de móveis amplia produção, mas enfrenta demanda retraída

  • Geral
  • 13 de abril de 2026

No primeiro olhar, janeiro trouxe algum alívio para a indústria brasileira de móveis e colchões. A produção setorial chegou a 31,6 milhões de peças no mês, com alta de 3,1% sobre dezembro, enquanto o consumo aparente avançou 5,7% e o emprego 1,1%

A fotografia mais ampla, contudo, ainda exige cautela: no acumulado do ano e em 12 meses, os principais indicadores seguem negativos, sugerindo menos uma inflexão consolidada e mais um movimento de recomposição depois de um fim de 2025 marcado por desaceleração produtiva, enfraquecimento do varejo, baixas condições de crédito e turbulência no comércio exterior.

Esse ponto é central para a leitura do início de 2026. A alta de janeiro veio após uma sequência de perda de tração no segundo semestre do ano passado, que ficou mais visível no fim de 2025. O próprio histórico recente da produção ajuda a explicar isso: depois de atingir 41,6 milhões de peças em outubro e 38,6 milhões em novembro, o setor caiu para 30,6 milhões em dezembro, antes de subir levemente para 31,6 milhões em janeiro. Em outras palavras, houve reação sobre uma base mensal deprimida. Isso ajuda a entender por que o avanço de janeiro convive com queda de 6,9% em relação a igual mês no ano anterior e recuo de 2,3% em 12 meses.

Volume de Produção de Móveis e Colchões 25 30 35 40 34.276 fev/25 33.477 mar/25 34.038 abr/25 36.188 mai/25 35.078 jun/25 39.592 jul/25 38.297 ago/25 39.061 set/25 41.574 out/25 38.558 nov/25 30.611 dez/25 31.571 jan/26 em mil peças

Os números são da “Conjuntura de Móveis | Edição Março 2026”. O estudo é publicado pela ABIMÓVEL (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário) com base no levantamento realizado pelo IEMI junto a fontes oficiais de pesquisa. 

Cenário 1º bimestre 2026

No plano macro, o ambiente industrial brasileiro também começou o ano em recuperação parcial: +3,1% em comparação com o mês anterior, mas -2,0% em relação a janeiro do ano passado. Ou seja, a produção da indústria de transformação no país avançou no início de 2026, mas ainda sem força suficiente para configurar uma retomada disseminada. 

Para o setor moveleiro, esse quadro ganha contornos ainda mais específicos. O consumo aparente maior que a produção (33 milhões de peças), somado à participação de 8,1% dos importados em janeiro, indica que a demanda doméstica tem sido cada vez mais atendida também por mercadorias vindas de fora. Isso não significa, por si só, perda estrutural de mercado, mas reforça que a indústria nacional opera em ambiente competitivo mais pressionado. 

Varejo de móveis

Outro problema é que a reação da produção não encontrou correspondência no varejo. Em janeiro, as vendas de móveis caíram 20,8% em volume e 20,6% em receita na comparação com dezembro.

Varejo de móveis (milhões de peças) 25 30 35 40 31,9 31,0 jan 29,1 fev 29,8 mar 29,6 abr 33,9 mai 30,0 jun 32,5 jul 30,2 ago 30,2 set 30,4 out 39,3 nov 39,2 dez 2025 2026

Parte disso é sazonal: a passagem de dezembro para janeiro costuma refletir o esvaziamento da demanda depois de Black Friday, Natal e gastos de fim de ano. Ainda assim, o dado importa porque revela que a indústria abriu 2026 sem um mercado interno suficientemente robusto para sustentar uma retomada mais firme. No varejo ampliado brasileiro, o comércio registrou leve alta no início do ano, o que mostra que o enfraquecimento de móveis foi mais intenso do que o do comércio em geral (IBGE). 

Ao mesmo tempo, a inflação do mobiliário recuou 0,09% em fevereiro, com variação de 3,91% em 12 meses. Em tese, isso ajuda a reabrir espaço para consumo. Na prática, porém, esse efeito segue limitado pelo custo do crédito: a taxa básica de juros continuou em patamar elevado, encarecendo financiamentos e postergando a compra de bens duráveis pelas famílias.

Chão de fábrica

Outro sinal de cautela aparece no investimento. As importações de máquinas para fabricação de móveis caíram 34,5% no acumulado do primeiro bimestre ante igual período de 2025. Os maiores recuos vieram justamente em grupos ligados à expansão ou modernização da capacidade fabril, como máquinas para arquear ou reunir, com queda de 67,3%, e máquinas para desbastar, aplainar e fresar, com retração de 54,0%. 

Importação de Máquinas Acumulada no Ano
Segmentos Jan-Fev/2025 Jan-Fev/2026 Variação (%)
Máquinas-ferramenta para madeira 4.207 3.000 -28,7%
Máquinas de serrar 8.806 5.689 -35,4%
Máquinas p/ desbastar, aplainar e fresar 4.893 2.252 -54,0%
Máquinas p/ esmerilar, lixar e polir 1.320 1.823 38,2%
Máquinas p/ arquear ou reunir 8.326 2.726 -67,3%
Máquinas p/ furar ou escatelar 1.210 1.054 -12,8%
Máquinas p/ fender, seccionar, desenrolar 304 351 15,3%
Outras 5.616 5.817 3,6%
Total 34.682 22.712 -34,5%

Em um setor no qual produtividade, padronização, acabamento e ganho de escala dependem de atualização tecnológica, esse movimento sugere que a indústria começou o ano preservando caixa e adiando decisões mais pesadas de investimento, o que é compatível com um ambiente de demanda ainda oscilante e maior incerteza externa.

Exportações

No comércio exterior, aliás, o início do ano reforçou essa ambivalência. As exportações de móveis e colchões recuaram de US$ 66,9 milhões em dezembro para US$ 39,0 milhões em janeiro, antes de reagirem para US$ 47,0 milhões em fevereiro (+20,7%). 

As importações do segmento, por sua vez, passaram de US$ 30,5 milhões em janeiro para US$ 31,7 milhões em fevereiro (+4,2%). 

A melhora nas vendas externas no segundo mês do ano é relevante, mas ainda insuficiente para caracterizar retomada. Esse descompasso ajuda a explicar por que o primeiro bimestre de 2026 deve ser lido como um período de transição. O setor reagiu em produção, consumo aparente e emprego, mas segue pressionado por um varejo fraco, crédito caro, investimentos retraídos e um cenário externo que parece bem distante de voltar à normalidade, o que já vem afetando também os custos e o acesso a insumos. 

O saldo, por ora, é o de uma indústria que mostra capacidade de resposta, mas ainda sem as condições necessárias para transformar essa reação em ciclo consistente de crescimento. 

Resumo – Principais Indicadores do Setor Moveleiro
Indicadores Brasil Minas Gerais Paraná Rio Grande do Sul Santa Catarina São Paulo
Produção (Peças) – Janeiro/26 3,1% - 11,7% -6,8% - -
Consumo Aparente – Janeiro/26 5,7% - 15,7% -4,7% - -
Exportação (US$) – Fevereiro/26 20,7% -14,6% 14,9% 7,2% 51,5% 23,7%
Importação (US$) – Fevereiro/26 4,2% -12,9% -14,7% 62,2% 8,0% -1,5%
Participação dos Importados – Janeiro/26 8,1% - 4,2% 0,3% - -
Participação dos Exportados – Janeiro/26 4,0% - 5,5% 9,8% - -
Emprego – Janeiro/26 1,1% 1,75% 1,30% 1,06% 1,54% 0,67%
Varejo (Volume) – Janeiro/26 -20,8% -34,0% -18,5% -25,4% -24,4% -22,4%
Varejo (Valores) – Janeiro/26 -20,6% -33,7% -19,1% -26,2% -24,9% -22,4%
Inflação (móveis) – Fevereiro/26 -0,09% 1,06% 0,59% 0,27% - -0,68%
Fonte: IBGE/Secex/CAGED/CNI. Elaboração IEMI.

Publicação Completa

Conjuntura de Móveis – Março/2026

A íntegra está disponível no acervo digital da ABIMÓVEL.

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