
Sondagem da CNI mostra avanço marginal nos índices de produção e emprego na passagem mensal, mas atividade permanece abaixo da linha de crescimento, com estoques ainda inferiores ao planejado e piora nas expectativas para os próximos meses
A indústria de transformação encerrou fevereiro de 2026 ainda em terreno contracionista, embora com discretos sinais de melhora na comparação com janeiro. Segundo a Sondagem Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o índice de evolução da produção do segmento subiu de 44,8 para 45,2 pontos, enquanto o indicador de emprego avançou de 47,5 para 47,8 pontos. Apesar da leve alta, ambos permanecem abaixo da linha divisória de 50 pontos, o que indica continuidade da retração da atividade e do mercado de trabalho industrial.
O quadro também revela uso mais contido da estrutura produtiva. Em fevereiro, a Utilização da Capacidade Instalada da indústria de transformação ficou em 65%, abaixo dos 66% registrados em janeiro e cinco pontos percentuais inferior ao nível observado em fevereiro de 2025. No mesmo período, o índice de evolução dos estoques passou de 48,7 para 48,8 pontos, enquanto o indicador de estoque efetivo em relação ao planejado chegou a 49,5 pontos. Na prática, isso mostra que os estoques seguem abaixo do desejado, embora mais próximos do nível programado pelas empresas.
No horizonte dos próximos seis meses, a percepção do empresariado industrial também se tornou mais cautelosa. Em março, o índice de expectativa de demanda da indústria de transformação caiu de 54,1 para 53,1 pontos, enquanto a expectativa de compras de matérias-primas recuou de 52,7 para 51,9 pontos. A expectativa para o número de empregados permaneceu estável em 50,3 pontos, sinalizando perspectiva de crescimento bastante moderada. Já a intenção de investimento caiu de 55,0 para 54,5 pontos, marcando novo recuo, embora ainda acima da média histórica.
Os resultados sugerem que a indústria de transformação inicia 2026 sob recuperação lenta e ainda insuficiente para caracterizar uma retomada mais consistente. A atividade segue enfraquecida, com produção e emprego em retração, uso moderado da capacidade instalada e expectativas mais contidas, em um ambiente que continua a exigir cautela das empresas.
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