
Com sanção do acordo, indústria brasileira ganha perspectiva de ampliação de mercado, mas também precisa se preparar para novas exigências regulatórias; webinar da ABIMÓVEL, em 7 de abril, discutirá os impactos das novas regras anti-desflorestamento da UE sobre as exportações de móveis
Após a ratificação por Argentina e Uruguai e a confirmação da Comissão Europeia pela aplicação provisória do tratado — ainda sem aval do Parlamento Europeu e sob contestação jurídica —, a promulgação brasileira do Acordo Provisório de Comércio entre Mercosul e União Europeia ocorreu na última terça-feira (17). O passo consolida uma etapa decisiva de um processo capaz de reposicionar o Brasil em uma das agendas mais estratégicas do comércio internacional contemporâneo ao criar uma das maiores zonas de livre comércio do mundo.
Após mais de duas décadas de negociações e a sanção do texto pelo Congresso Nacional, o tratado avança como um marco político e econômico para a ampliação do acesso a mercados, a redução de barreiras tarifárias e a integração entre os blocos econômicos e suas cadeias de valor.
Para o Brasil, trata-se de um passo com efeitos que vão além da agenda comercial. Em um ambiente internacional marcado por reconfiguração geopolítica, tensões tarifárias e revisão de dependências externas, o acordo com a União Europeia amplia a margem de atuação do país, diversifica destinos, fortalece a previsibilidade regulatória e cria condições mais favoráveis para investimentos, inovação e competitividade. Não por acaso, o debate em torno da ratificação foi acompanhado da defesa de salvaguardas e instrumentos de proteção comercial — veja aqui —, reforçando que abertura de mercado e defesa estratégica da produção nacional precisam caminhar juntas.
Impactos no setor moveleiro
No caso da indústria moveleira brasileira, o acordo ganha relevância particular. A Europa já figura entre os destinos mais importantes para os móveis produzidos no país e tende a assumir papel ainda mais estratégico na medida em que o setor acelera sua diversificação internacional. Em um contexto recente de maior instabilidade em mercados tradicionais, como o dos Estados Unidos, ampliar presença em economias de maior valor agregado, deixa de ser apenas uma oportunidade e passa a compor uma agenda de posicionamento de longo prazo.
Esse movimento dialoga com atributos que vêm sendo trabalhados com cada vez mais ímpeto pela cadeia moveleira brasileira nos últimos anos: identidade de produto, qualificação industrial, inserção do design como diferencial competitivo, melhoria normativa, agregação de valor e avanço em práticas socioambientais. O acordo, portanto, não deve ser lido apenas como uma redução tarifária potencial, mas como uma plataforma para aprofundar a inserção internacional de uma indústria que reúne escala produtiva, diversidade material, repertório criativo e capacidade de atender demandas contemporâneas de mercado.
Em 2025, a União Europeia respondeu por 9,3% das exportações brasileiras de móveis e colchões, consolidando-se como um mercado estratégico para o setor.
Estudos conduzidos pela ABIMÓVEL em parceria com o IEMI indicam que a entrada em vigor do acordo poderá gerar um crescimento adicional de até 20% nas vendas para o bloco já no primeiro ano.
Para alcançar esse avanço, porém, a nova etapa também exige leitura técnica. Se por um lado o tratado amplia possibilidades, por outro ele torna ainda mais urgente a adequação às regras e exigências do mercado europeu. Entre elas, destaca-se o Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento, a EUDR, que estabelece critérios rigorosos de diligência, rastreabilidade e comprovação de origem para cadeias produtivas associadas ao uso da terra e a insumos florestais.
Para o setor moveleiro, esse cenário reforça que exportar para a Europa exigirá não apenas competitividade comercial, mas também a capacidade de assegurar conformidade documental, transparência e governança ao longo de toda a cadeia produtiva.
Na prática, a discussão sobre acesso ao mercado europeu passa a incluir, de maneira mais intensa, temas como rastreabilidade da madeira, monitoramento de fornecedores, documentação de origem, organização de processos internos e alinhamento entre indústria, compradores e operadores logísticos.
“Trata-se de uma mudança que afeta de forma mais sensível os segmentos ligados à madeira e derivados, mas que tende a irradiar novos padrões de exigência para toda a cadeia. Em outras palavras, o desafio não está apenas em vender mais, mas em vender dentro de uma nova lógica regulatória, em que sustentabilidade vai muito além de discurso e se coloca como um requisito operacional de mercado”, reforça o presidente da ABIMÓVEL, Irineu Munhoz.
É justamente nesse ponto que a atuação institucional e técnica se torna decisiva. Mais do que acompanhar o avanço do acordo, a ABIMÓVEL vem trabalhando para apoiar as empresas brasileiras na compreensão dos riscos, das exigências e das oportunidades envolvidas nesse novo cenário. A internacionalização sustentável da indústria moveleira brasileira dependerá da capacidade de antecipação do setor, da leitura qualificada das normas e da construção de respostas práticas para garantir conformidade e competitividade.
Webinar: O setor moveleiro brasileiro diante das novas regras da União Europeia
A EUDR estabelece critérios rigorosos de rastreabilidade que impactam diretamente as empresas exportadoras. Para entender como navegar nesse novo cenário e se preparar para atender com precisão ao mercado europeu, a ABIMÓVEL convida o setor para um webinar exclusivo com Welber Barral, referência em comércio internacional.
🗓 Data: 07 de abril
🕒 Horário: 10h30
📍 Formato: On-line
MÓVEIS: O NOSSO NEGÓCIO!
Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (ABIMÓVEL)
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