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Atualizações: exportações de móveis, adiamento de tarifas dos EUA, acordo Mercosul-UE e novas barreiras comerciais

  • Geral
  • 13 de janeiro de 2026

Depois de impulsionar desaceleração das exportações brasileiras de móveis e colchões no segundo semestre de 2025, tarifaço dos EUA ganha novo capítulo com o adiamento das sobretaxas para algumas categorias de madeira e móveis até 2027; paralelamente, tratado de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia deve ser assinado nesta semana

As exportações brasileiras de móveis e colchões encerraram novembro de 2025 em retração, refletindo de forma direta os efeitos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos, principal mercado externo do setor. No mês, os embarques totalizaram US$ 62,3 milhões, queda de 8,3% em relação a outubro, quando haviam alcançado US$ 68,0 milhões.

No acumulado de janeiro a novembro de 2025, as exportações somaram US$ 702,7 milhões, crescimento de 1,5% frente ao mesmo período de 2024. Apesar de positivo, o dado confirma a perda de fôlego na reta final do ano: até outubro, o avanço acumulado era de 2,1%, indicando desaceleração após o esgotamento do movimento de antecipação de embarques observado no início do segundo semestre.

Segundo a ABIMÓVEL (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário), os números traduzem uma inflexão relevante do comércio exterior no setor em 2025, com impactos que se estendem à produção, ao emprego e às decisões de investimento na indústria nacional.

“Após as mudanças na política comercial dos Estados Unidos, muitas empresas anteciparam embarques, gerando um pico artificial de atividade. Com a entrada em vigor do tarifaço e a interrupção de pedidos e contratos, a indústria passou rapidamente de um cenário de crescimento moderado para um processo de ajuste forçado”, afirma o presidente da ABIMÓVEL, Irineu Munhoz.

Queda nas exportações para os EUA

Apesar de ainda representar o maior destino das exportações brasileiras de móveis e colchões, o principal impacto negativo veio dos Estados Unidos, cuja participação caiu de 29,5% para 24,3% na comparação entre janeiro e novembro de 2025 com igual período em 2024.

A redução da participação americana está associada às tarifas de até 50% aplicadas ao mobiliário brasileiro, que alteraram contratos, reduziram previsibilidade e afetaram de forma mais intensa empresas com portfólios altamente dependentes daquele mercado, especialmente de produtos customizados.

O adiamento do tarifaço por categorias e o que muda em 2026

A principal novidade para o início de 2026 foi a decisão do governo estadunidense de adiar para janeiro de 2027 o aumento das sobretaxas sobre determinados produtos de madeira e seus derivados, incluindo madeira serrada, painéis de madeira, além de mobiliário estofado, armários de cozinha e gabinetes de banheiro. Durante 2026, permanecem vigentes alíquotas entre 10% e 25% para a maior parte dessas categorias.

O adiamento reduz, momentaneamente, o risco de um novo choque tarifário, mas não representa normalização das condições de acesso ao mercado. A possibilidade de aplicação futura de sobretaxas mais elevadas segue condicionada ao avanço das negociações diplomáticas e comerciais entre os dois países.

Outra preocupação é que o movimento iniciado nos EUA esteja criando precedentes para que outros países adotem medidas semelhantes, assim como ocorreu com o México, ampliando o grau de restrição ao comércio internacional de bens industriais e afetando a capacidade de redirecionamento das exportações brasileiras.

México eleva tarifas e reduz ainda mais competitividade na América do Norte

Ainda na América do Norte, o governo do México aprovou o aumento das tarifas de importação para países sem acordo de livre comércio (o caso do Brasil), afetando a presença do mobiliário brasileiro em mais um de seus principais destinos. A nova faixa de impostos para diferentes categorias de móveis, que variava entre 0% e 35%, passa a ser de 25% a 35%, trazendo menos flexibilidade para o exportador nacional.

União Europeia concede prazo para Regulamento de Desmatamento, mas mantém exigências elevadas

Na União Europeia, o adiamento da aplicação do Regulamento de Desmatamento (EUDR) concedeu prazo adicional para adaptação técnica e operacional, mas não reduziu o nível de exigência regulatória. O acesso ao mercado europeu segue condicionado a critérios rigorosos de rastreabilidade, conformidade ambiental e comprovação de origem, com impactos diretos sobre custos e processos produtivos. A aplicação do EUDR terá início em 30 de dezembro de 2026 para médias e grandes empresas, e em 30 de junho de 2027 para micro e pequenas.

Paralelamente, depois de 25 anos, as negociações do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia finalmente avançaram na última semana. A maioria dos 27 países-membros votou a favor do texto em uma reunião de embaixadores realizada na sexta-feira (9), em Bruxelas. O acordo foi aprovado apesar da oposição da França, Irlanda, Polônia e outros países que afirmam que o pacto pode impactar negativamente seu setor agropecuário. A grande “virada” veio da Itália, que acabou cedendo às negociações. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deve vir ao Paraguai realizar a assinatura oficial do acordo neste sábado, 17 de janeiro. Ao ser concluído e ratificado, o tratado dará origem à maior área de livre comércio do mundo.

Diversificação de destinos avança, mas não compensa perda no principal mercado

A retração dos embarques aos Estados Unidos e o aumento das barreiras comerciais em outras regiões, vem sendo parcialmente compensadas pelo incremento da atividade na América do Sul. Entre janeiro e novembro, Uruguai, Chile e Argentina ampliaram sua participação na pauta exportadora brasileira de móveis e colchões, beneficiados pela proximidade logística e menor complexidade regulatória.

Apesar do avanço, a expansão desses destinos ainda se mostra insuficiente para compensar integralmente a perda de volume e valor no principal mercado importador, mantendo o crescimento agregado do setor em patamar moderado e mais exposto a choques externos.

Cadeia de suprimentos cresce em receita, mas passa por reconfiguração de mercados

Os efeitos do novo ambiente comercial também se refletem na dinâmica da indústria de componentes, máquinas e demais fornecedores da cadeia moveleira. Entre janeiro e novembro de 2025, as exportações do segmento totalizaram US$ 3,48 bilhões, crescimento de 7,4% em relação ao mesmo período de 2024, quando somaram US$ 3,24 bilhões, segundo dados da Secex, com levantamento do IEMI.

Apesar do avanço, observa-se queda expressiva na participação dos Estados Unidos, que passaram de um marketshare de 40,5% entre janeiro e novembro de 2024 para 31,7% em igual período de 2025. 

Em contrapartida, Singapura ampliou sua participação de 2,0% em 2024 para 12,8% no ano passado, consolidando-se como um importante parceiro comercial e hub logístico na Ásia; enquanto a Argentina passou de 10,7% para 11,8%.

No contexto da indústria de suprimentos frente às novas barreiras comerciais em ascensão, ganha relevância a decisão da China de reduzir temporariamente, ao longo de 2026, as tarifas de importação de insumos industriais, bens de capital, máquinas e equipamentos, além de produtos do setor florestal, como madeira serrada, painéis de madeira e itens de celulose. 

Embora não direcionadas ao mobiliário acabado, essas medidas podem beneficiar fornecedores brasileiros, ampliando oportunidades de exportação na Ásia e favorecendo maior integração em cadeias globais de valor.

Perspectivas 2026

O fechamento de 2025 e o início de 2026 confirmam que a cadeia moveleira brasileira opera em um ambiente internacional mais fragmentado e menos previsível, no qual decisões comerciais e regulatórias passaram a ter efeito sistêmico sobre produção, emprego, investimentos e competitividade.

O adiamento das sobretaxas nos Estados Unidos reduz riscos imediatos em alguns segmentos, mas não substitui a necessidade de avanços concretos no diálogo diplomático

Diante desse cenário, a ABIMÓVEL adota uma postura realista e cautelosa. O setor não projeta uma reversão rápida, mas sim um processo gradual de reorganização.

“Para que 2026 avance do ajuste para uma fase de maior estabilização, será fundamental o progresso das negociações comerciais; maior coordenação entre política econômica, industrial e externa; ampliação do crédito ao consumo; e ações voltadas à preservação do emprego e da capacidade produtiva”, enfatiza Irineu Munhoz, presidente da entidade.

Nesse contexto, a ABIMÓVEL seguirá intensificando sua atuação institucional no Brasil e no exterior, defendendo medidas que estimulem o consumo, ampliem a previsibilidade e preservem a competitividade da indústria brasileira de móveis, além de manter sua agenda de promoção comercial, acompanhamento regulatório e presença nos principais fóruns e eventos internacionais do setor.

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