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Tarifas de Trump têm efeito contrário e afetam empregos industriais nos EUA 

Ao sobretaxar tanto produtos prontos quanto insumos, como aço e alumínio, país perde participação nas cadeias globais. Entre abril e agosto deste ano, 42 mil vagas foram fechadas na manufatura americana

As tarifas impostas pelo governo de Donald Trump, com o objetivo de reindustrializar os Estados Unidos, vêm provocando o efeito contrário. Ao sobretaxar tanto bens finais, como os móveis, quanto insumos estratégicos – tais quais aço, alumínio e outros componentes importados –, as medidas encareceram a produção, reduziram a competitividade internacional e resultaram no fechamento de 42 mil postos de trabalho na manufatura entre abril e agosto deste ano. Economistas apontam que a política tarifária sufocou a importação de produtos intermediários essenciais à indústria americana, afastando o país das cadeias globais de fornecimento.

Segundo o pesquisador Richard Baldwin, do National Bureau of Economic Research, outros países, como Canadá e México, têm se beneficiado da perda de competitividade dos Estados Unidos, ampliando suas participações no mercado global. A queda das exportações americanas reflete o chamado “aperto manufatureiro” (manufacturing squeeze), efeito direto do aumento de custos internos provocado pelas tarifas médias de 45% sobre produtos chineses e de 50% sobre metais básicos. Apenas entre março e julho, as importações de insumos industriais caíram US$ 14,4 bilhões, e as de bens de consumo, US$ 44 bilhões.

Os impactos já se estendem à economia doméstica: segundo o Budget Lab, da Universidade de Yale, as tarifas médias efetivas de importação atingiram 17%, maior nível desde 1936. O instituto estima que o PIB americano perderá até um ponto percentual entre 2025 e 2026, com retração persistente de 0,4 p.p. no longo prazo e cerca de 490 mil empregos a menos no período. Além disso, a perda de renda média por família deve chegar a US$ 1.800 em 2025, impulsionada pela alta de preços — com eletroeletrônicos, roupas e materiais domésticos até 14% mais caros.

 

* Mais detalhes em: www1.folha.uol.com.br

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