‘Por que o Brasil está no caminho do sucesso como exportador global de móveis’: imprensa alemã destaca expansão da indústria brasileira de móveis

“A indústria moveleira brasileira conseguiu ampliar sua participação no mercado global de móveis durante a pandemia. A tríade sustentabilidade, competitividade e o design integrado à indústria no Brasil vêm despertando cada vez mais interesse ao redor do mundo”. 

É assim que o Home.Made.Storys, veículo de imprensa alemão especializado no público B2B (negócio para negócio) nas áreas do mobiliário, casa e decoração, descreve o setor moveleiro nacional, que ampliou suas exportações em cerca de 50% só no último ano, totalizando cerca de US$ 938,3 milhões em móveis prontos e colchões exportados para 172 diferentes países apenas em 2021. 

E foi para saber mais sobre a nossa indústria, em plena expansão e desenvolvimento global, que Sascha Tapken, jornalista alemão especializado no mercado moveleiro, entrevistou o presidente da ABIMÓVEL – Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário, Irineu Munhoz.

Confira agora a versão em língua portuguesa da entrevista exclusiva de Irineu munhoz para a Home.Made.Storys:

Home.Made.Storys – Qual a atual situação do mercado doméstico de móveis no Brasil? Como está o consumo?

Irineu Munhoz – É fato que vivemos uma desaceleração do consumo de móveis no Brasil e no mundo, com a demanda perdendo força no decorrer do ano passado, após o tão comentado boom do setor a partir da segunda metade de 2020. O que não significa, porém, uma queda, mas, sim, uma reestabilização. Com os números de 2022 mostrando-se em algumas comparações até mesmo superiores aos do pré-pandemia, o que comprova o processo de valorização da casa e do mobiliário vivido pelo consumidor brasileiro nos últimos dois anos. 

Quando falamos do varejo de móveis e eletrodomésticos no mercado brasileiro, a categoria recuperou consideravelmente suas margens ao final do primeiro trimestre de 2022. Com isso, o acumulado no ano passou de -12,5% até fevereiro para -6,5% até março. Apontando para um recuo mais moderado e em ritmo decrescente sobre uma base comparativa que é mais realista e menos influenciada pelo isolamento social, que manteve não só as famílias como os investimentos dentro dos lares.

O varejo de móveis e eletrodomésticos cresceu 6,7% em março de 2022 sobre igual mês de 2021. Os itens de mobiliário foram os principais responsáveis pela alta na comparação com igual mês do ano passado. A venda de móveis, exclusivamente, registrou crescimento de 10,1% no mês, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 

HMS – E como está a produção na indústria?

Munhoz – Sexta maior produtora de móveis no mundo e exportando para 172 países distribuídos nos cinco continentes, a indústria brasileira vem tanto expandindo sua atuação internacional — com as exportações de móveis e colchões crescendo na casa dos 50% no último ano, superando níveis registrados no pré-pandemia — como investindo fortemente em tecnologia e na melhoria dos processos produtivos e organizacionais, não só ampliando e otimizando sua capacidade de produção como tornando-se cada vez mais sustentável ambiental, econômica e socialmente. Só em 2021, o salto de investimentos da indústria moveleira nacional foi de 176% sobre o ano anterior.

É de se esperar, no entanto, que a indústria acompanhe o ritmo observado na ponta. Segundo a última edição da Conjuntura de Móveis, relatório mensal divulgado pela ABIMÓVEL –  Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário, a produção brasileira de móveis e colchões apresentou avanço de 2,7% em fevereiro sobre janeiro de 2022.

Nesse cenário, o volume produzido no primeiro bimestre de 2022 ficou 30,7% abaixo do montante de peças produzidas em igual período em 2021, quando a indústria moveleira ainda vivia uma demanda aquecida impulsionada pelo isolamento social. Ao olharmos para o desempenho acumulado nos últimos 12 meses, porém — com o cessar progressivo das influências mais pontuais provindas dos efeitos da pandemia sobre a cadeia de consumo —, vemos um panorama mais estável.

Em faturamento, a receita da indústria brasileira de móveis teve aumento de 1,9% em fevereiro sobre janeiro. 

É importante ressaltar que a crise na cadeia de abastecimento, com escassez e alto custo de matérias-primas para produção de móveis, continua sendo o principal problema enfrentado pelos industriais no País, que vêm buscando formas inovadoras e sustentáveis de manter a capacidade produtiva, o estoque e, muito importante, os preços em margens satisfatórias para os negócios e para os consumidores. 

HMS – A indústria e a economia brasileira ainda sentem efeitos negativos da pandemia de uma forma geral?

Munhoz – Como citamos acima, a disrupção da cadeia de abastecimento, com o desequilíbrio entre oferta e demanda, além das limitações logísticas que atravancam o comércio exterior — desde a falta de contêineres até restrições físicas e o encarecimento de moedas que regulam o mercado global — são, certamente, os efeitos ainda mais sentidos pela indústria de móveis no Brasil. Um indicativo animador, porém, é que o percentual de assinalação deste problema vem sendo reduzido gradualmente desde o segundo trimestre do ano passado. 

Outros problemas, porém, têm passado a ser destacados pelos empresários. Tais como as taxas de juros elevadas, a dificuldade na logística de transporte e a inflação disparada, inibindo, assim, o consumo no País. 

Vale ressaltar que esse processo vem ocorrendo não só no Brasil, mas nas principais economias ao redor do mundo e em praticamente todas as cadeias produtivas. Contra isso, claro, trabalhamos continuamente em sinergia com fornecedores e fabricantes na busca por soluções tanto para a ampliação do fornecimento quanto para o equilíbrio da precificação de suprimentos. 

HMS – Quantas empresas e de quais tamanhos nós estamos falando quando tratamos da “indústria brasileira de móveis”?

Munhoz – A indústria brasileira do mobiliário é formada por cerca de 18,3 mil empresas, que empregam 273,3 mil trabalhadores diretos e indiretos. Em 2021, aliás, a indústria do mobiliário apresentou dados bastante expressivos de desempenho, como a produção de 421,24 milhões de peças, sendo que 78,6% estão concentradas em pequenas empresas. As exportações de móveis prontos e colchões somaram US$ 983,3 milhões no ano passado.

HMS – As importações de mobiliário asiático tem ficado enormemente mais custosas para o mercado europeu. O Brasil poderá intensificar agora suas atividades de exportação para a Europa?

Munhoz – Entendemos que para acessar o mercado europeu seja necessário experiência em exportação por parte das empresas brasileiras, tratando-se de uma região com oportunidades ímpares, mas também com peculiaridades, demonstrando um alto nível de competitividade e exigência, especialmente no que se refere a produtos que envolvam maior tecnologia e industrialização em sua produção.

A Alemanha, por exemplo, se mostra um mercado atraente para as grandes e médias empresas brasileiras que se interessam em atuar em outros mercados, uma vez que as importações de móveis no país têm permanecido em um patamar positivo ao longo dos últimos anos. Em 2020, 43,8% do consumo interno aparente de móveis e colchões na Alemanha foi suprido pelas importações, o que representa um aumento de 6,1% em relação ao ano de 2016, por exemplo. 

Ainda na Europa, o mercado britânico configura, também, entre um dos maiores importadores de móveis, especialmente de madeira e estofados, fabricados no Brasil, perdendo apenas para os Estados Unidos — líder absoluto na importação de móveis brasileiros — e, mais recentemente, para o Chile. 

De uma forma geral, por conta da prática de preços reduzidos, é possível afirmar que os produtos brasileiros atendem as demandas europeias, observa-se nos últimos três anos, inclusive, que empresas brasileiras estão se consolidando na França, Espanha e Portugal, mas não é só isso. Outra oportunidade para a indústria de móveis brasileira na Europa está relacionada aos quesitos qualidade e sustentabilidade.

O mercado europeu vem buscando adotar soluções ecológicas, utilizando materiais reciclados e matérias-primas naturais sustentáveis, como madeira, revestimentos e couros, amplamente disponíveis no Brasil. Esses fatores, além do quesito design integrado à indústria, deverão contribuir para o posicionamento dos exportadores brasileiros neste mercado-alvo. 

A indústria brasileira do mobiliário, aliás, está entre as que mais têm certificações que comprovam práticas de sustentabilidade em seus processos: cerca de 98% das empresas exportadoras têm algum tipo de certificação. Além disso, o setor moveleiro faz parte do Pacto Global da Organização das Nações Unidas, seguindo seu Guia de Sustentabilidade.

Além disso, podemos afirmar que o design brasileiro é totalmente internacional e está presente de alguma maneira em todos os grandes mercados mundiais. A maior influência não é externa, mas o próprio movimento modernista brasileiro que nos últimos 15 anos foi redescoberto por grandes especialistas nacionais e especialmente internacionais, o que tem colocado as indústrias e os profissionais em destaque no mercado mundial. Portanto, a competitividade do design brasileiro está na criatividade dos seus designers, na identidade cultural do País, bem como na sua riqueza em recursos materiais.

HMS – A madeira de carvalho tem se tornado a cada dia mais cara e escassa na Europa ultimamente. Há outras alternativas em matérias-primas provindas do Brasil?

Munhoz – Com mais de 20 mil espécies de madeiras nativas, a madeira tropical brasileira é, sem dúvida, a grande protagonista da indústria e do design nacional, com suas qualidades físicas e visuais incomparáveis, que se destacam na alta decoração. Mas também é importante ressaltar o uso industrial de madeira proveniente de reflorestamento, como Pinus e Eucalipto, que são usados como material renovável e reciclável, além de biodegradável. Enfatizando que o setor brasileiro de árvores cultivadas conta com mais de 9,55 milhões de hectares de área.

Além disso, a indústria brasileira de móveis também se apoia na tecnologia que permite recriar por meio de superfícies especiais diversos recursos materiais e únicos, como as madeiras nativas, texturas e elementos naturais como de rochas e minerais, além de couros e tramas, bem como a variedade de cores e padrões orgânicos que impulsionam nossa brasilidade. 

E é justamente essa pluralidade que define o potencial inovador e competitivo das empresas e dos produtos que são levados ao mercado global por meio do Projeto Setorial Brazilian Furniture, iniciativa da ABIMÓVEL e da ApexBrasil. 

HMS – Onde os compradores brasileiros podem conhecer ainda mais sobre os móveis brasileiros (feiras, exibições etc.)?

Munhoz – O Projeto Setorial Brazilian Furniture é uma iniciativa da ABIMÓVEL – Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário e da ApexBrasil – Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, que tem por objetivo incrementar a participação da indústria brasileira no mercado internacional por meio de um conjunto de ações estratégicas tendo como base os pilares da sustentabilidade, competitividade e do design integrado à indústria, voltados para o mercado global.

O projeto conta com a participação de mais de uma centena de empresas que possuem acesso a informações de Inteligência Comercial e Competitiva, Feiras e Missões Internacionais, Projetos Comprador e Vendedor, Projeto Imagem, Programa de Design Integrado à Indústria, entre outras inúmeras atividades no exterior.

O móvel brasileiro está presente, atualmente, em 172 países em todos os continentes, além de estar representado nas maiores feiras nacionais e internacionais no setor. Intensificando, dessa forma, o trabalho e a presença da indústria brasileira de móveis, que é hoje a sexta maior produtora e a 28ª maior exportadora do setor no mundo. 

Como exemplo, podemos destacar nossas ações neste ano em Nova York, nos Estados Unidos. Além de levar sete marcas de móveis aos pavilhões da ICFF – The International Contemporary Furniture Fair (maior vitrine para o mobiliário contemporâneo na América do Norte), a ApexBrasil reuniu, também, 63 empresas brasileiras na mostra “CASA BRASIL Nova York 2022”, incluindo 16 fabricantes de móveis e 21 designers / estúdios de design por meio do Projeto Setorial Brazilian Furniture, realizado em parceria com a ABIMÓVEL.

Além disso, apresentando o melhor do mobiliário nacional e do design integrado à indústria brasileira, o País estará representado pela décima edição no Salone del Mobile.Milano (07 a 12 de junho) e pela sétima vez no Fuorisalone (06 a 12 de junho), incluindo 27 empresas e 48 designers também participantes das ações do Projeto Setorial Brazilian Furniture.

No cenário internacional nos últimos 15 anos, vale ressaltar, o Design Moderno Brasileiro e seus grandes autores modernistas como Joaquim Tenreiro, José Zanini Caldas, Geraldo de Barros, Sergio Rodrigues e até mesmo Oscar Niemeyer e Lina Bo Bardi, conquistaram o reconhecimento mundial, sendo presença quase que obrigatória em todas as feiras de móveis e design ao redor do mundo. Mais recentemente, também, o design contemporâneo atual dos designers Fernando e Humberto Campana, Fernando Jaeger, Jader Almeida, Arthur Casas, Dimitri Lociks, Etel Carmona, entre outros, receberam prêmios, reconhecimentos máximos internacionais e tiveram belas exposições. O que muito orgulha o nome do Brasil e da nossa indústria.

MÓVEIS: O NOSSO NEGÓCIO!

Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário – ABIMÓVEL
Assessoria de Imprensa: press@abimovel.com

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