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24 jul

Medidas e incentivos para o setor moveleiro: Confira entrevista exclusiva com presidente da Abimóvel

Se você é empresário, provavelmente esteja vivendo um dos períodos mais desafiadores – senão o mais desafiador – da sua jornada até aqui. Afinal, enquanto lidamos com um “inimigo invisível” que continua a confrontar a ciência e a colocar nossas vidas em risco, temos, diariamente, que buscarmos soluções rápidas e inovadoras para novos e velhos problemas organizacionais e econômicos que se acentuaram durante a pandemia.



Pressão financeira, manutenção de mão de obra, interrupção da cadeia de suprimentos, depressão no consumo, novas normas de controle sanitário e social, restrições à exportação etc., etc., etc. Muitos são os obstáculos a se encarar. Espera-se, portanto, que muitas sejam, também, as medidas e incentivos governamentais para apoiar ao empresariado num momento tão sensível, garantindo a manutenção da produção, das rotinas comerciais, fluxo financeiro e, consequentemente, de empregos e da geração de renda, enfim, da saúde econômica e social no País.



Na busca por assegurar os direitos e oportunidades do setor moveleiro - incluindo todos os players que atuam em benefício da cadeia madeira e móvel -, a Abimóvel (Associação Brasileira das Indústrias de Mobiliário) vem trabalhando intensamente e de forma direta junto ao Governo Federal, sugerindo e reforçando ações direcionadas às nossas empresas. E é sobre tudo isso que falamos a seguir com a presidente da entidade, Maristela Cusin Longhi.



PLATAFORMA SETOR MOVELEIRO ENTREVISTA COM EXCLUSIVIDADE MARISTELA CUSIN LONGHI, PRESIDENTE DA ABIMÓVEL



Setor Moveleiro - De que maneira a Abimóvel vem apoiando às indústrias do setor moveleiro neste momento com vista à manutenção e recuperação das atividades no Brasil?



Maristela Longhi - Desde o início do acirramento da pandemia da Covid-19, em meados de março, a Abimóvel vem trabalhando incansavelmente junto ao Governo Federal no monitoramento das informações, necessidades e demandas do setor, bem como na construção de absolutamente todas as medidas que foram anunciadas. Não houve um momento sequer em que as nossas equipes paralisaram as atividades, mesmo estando em home office e sempre observando os protocolos de segurança. Não cruzamos os braços, estamos nos reunindo semanalmente com a equipe econômica do Ministério da Economia, sem horário, numa parceria inquestionável e que muito nos honra. Todos os pedidos do setor e da cadeia produtiva de madeira e móveis, foram encaminhados e analisados ou estão em fase final de análise. Além disso, ampliamos o diálogo com as indústrias, com os fornecedores, varejo e com o sistema financeiro e todo o País, construindo e propondo soluções. Temos muito orgulho do trabalho que a direção e equipes técnicas conseguiram desenvolver e articular num momento tão difícil vivido pela população brasileira, empreendedores, empresas e funcionários, e compreendemos que ainda temos muito a fazer.



SM - E como as medidas de apoio à economia vêm afetando à cadeia? Quais ações por parte do Governo mais beneficiaram às indústrias de móveis até o momento?



ML - É absolutamente importante frisar que todos os elos da cadeia produtiva, sem exceção, foram atingidos pela evolução da pandemia: fabricantes, fornecedores, consumidores, importadores, exportadores e o mercado. Logo, se observarmos a gama de políticas e medidas apresentadas num cenário tão conturbado e em tão pouco tempo, verificaremos que muitas ações foram implementadas (medidas trabalhistas; de crédito para o micro, pequeno e médio empresário; prorrogação de financiamentos e contratos de ACCs; redução e postergação de impostos e tributos; auxílio emergencial aos trabalhadores e mais necessitados; simplificação e desburocratização; melhoria do ambiente de negócios; etc.). Todas essas medidas estão sendo muito importantes.



SM - Apesar do número já considerável, ainda há muitas outras ações em discussão e tramitação que precisam ser implementadas para que consigamos superar esta crise. Quais são as prioridades da Abimóvel a partir de agora?



ML - Para termos um país social e economicamente viável, precisamos, especialmente, aprovar o Reintegra, melhorar e ampliar o acesso às linhas de crédito e financiamento às empresas, avançar na desoneração da folha de pagamento e na implementação da reforma tributária, na revisão dos marcos regulatórios (do gás natural, do setor elétrico, cabotagem, ferrovias, mineração etc.), nas privatizações e na diminuição do Custo Brasil. Discussões que já estão em trâmite direto com o Ministério da Economia.



 



SM - Com tudo isso, como você avalia os futuros obstáculos para a recuperação da indústria moveleira nacional no cenário “pós-pandemia” e que soluções estão sendo consideradas dentro das indústrias para superar essas dificuldades?



ML - O novo cenário é de desafio, de muito trabalho, da busca por novas oportunidades, do mercado digital e da adoção de protocolos de segurança e de novas práticas em todos os níveis. Muitas indústrias e organizações infelizmente não conseguirão se reerguer após a pandemia, tanto no Brasil quanto no restante do mundo. No caso da indústria de móveis, deveremos concentrar nossos esforços na estratégia e gestão de cada organização, no seu plano de negócios, na gestão de sua equipe, no olhar atento a cada nicho de mercado, nos processos de produção, nas demandas do nosso consumidor e nas diversas formas de atuação do varejo, incluindo o e-commerce e os novos canais de distribuição. Teremos que ser cada vez mais pragmáticos, focados e atentos aos novos perfis de consumo



 



SM - E como o ambiente global pode influenciar ao setor moveleiro no Brasil? Existem necessidades especiais de cooperação internacional para uma melhor recuperação da nossa indústria?



ML - O mercado global também foi impactado seriamente pela crise da COVID-19. Logo, neste momento, observa-se que a economia mundial e os setores produtivos vêm buscando alternativas para minimizar os efeitos negativos e o comércio internacional apresenta-se como um dos caminhos. A indústria brasileira é exportadora e tem buscado ao longo do tempo expandir o destino das suas exportações, que chegam hoje a mais de 115 mercados. Somos o sexto maior produtor mundial de móveis. Digo isso para mencionar que a nossa indústria tem parques fabris modernos, com tecnologia e inovação, competitividade, mão de obra qualificada e design integrado à indústria, fatores fundamentais para ampliar ainda mais a sua participação no mercado global. Nos últimos anos, as empresas têm focado no atendimento e prospecção de clientes tradicionais e potenciais e de novos nichos no mercado externo. Dados oficiais da balança de pagamentos do Brasil demonstram que a cesta de exportações apresentou, em 2019, um índice de -2,2% da cesta de produtos (índice de todos os setores). A indústria de móveis, por sua vez, cresceu 2,2% e as cerca de 170 empresas que compõem o Projeto Setorial Brazilian Furniture, uma parceria entre a Abimóvel e a Apex Brasil, apresentaram uma taxa de crescimento nas exportações de 9% comparado ao mesmo período do ano anterior. Esses dados mostram a potencialidade do nosso setor e da importância de ações estratégicas no mercado internacional. De qualquer forma, acreditamos que acordos e alianças comerciais com outros países criam um ambiente favorável e podem ajudar e potencializar a recuperação e integração entre os mercados. Nesse sentido, cabe lembrar que no acumulado do ano entre janeiro e maio, as exportações tiveram uma queda de -17,6%.



 



SM - Por falar em números, é possível traçar um panorama do desempenho esperado para a indústria doméstica de móveis ao longo de 2020?



ML - Os números da crise na indústria de móveis são perturbadores, tivemos uma queda acumulada na produção de cerca de -22%, entre janeiro a maio, o que demonstra o impacto da crise no setor e os efeitos dela na paralisação das cidades, das empresas e plantas fabris (veja no quadro abaixo). É fundamental observar que o choque relatado é parcial, ou seja, uma estimativa até o mês de maio. A avaliação e projeção dos indicadores do setor estimam uma queda de 6,5% no número de peças comercializadas no acumulado do ano, contra uma redução de 9,45% na produção industrial. As exportações, por outro lado, deverão ter uma queda de 22,6%, em relação a 2019.



 





 



SM - Por fim, poderia deixar uma mensagem para todos os amigos e parceiros da Plataforma Setor Moveleiro?



ML - Ao longo do tempo temos enfrentado e resistido a muitas crises, sejam elas políticas, econômicas, sociais ou mundiais. E, em todas as adversidades, temos sido resilientes e duramente testados. Não esmoreça, prossigam com esperança de dias melhores, que certamente virão. A Abimóvel estará ao lado, trabalhando, apoiando e defendendo os interesses do nosso setor e da nossa cadeia produtiva.



Fonte: Setor Moveleiro


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