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22 fev

Entrevista exclusiva com Paulo Skaf, presidente da Fiesp

O ano está apenas começando, mas o trabalho de entidades setoriais junto ao Governo Federal na busca pela recuperação e manutenção da economia, da produção e do emprego no Brasil está sempre a todo vapor, especialmente em um momento tão singular. Para falar um pouco mais sobre esse trabalho, a ABIMÓVEL conversou com o presidente da Fiesp - Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Paulo Skaf, que compartilhou suas avaliações, previsões e apontamentos para a economia e o setor industrial no Brasil.



A resiliência e a força da indústria e do varejo nacional frente aos impactos da pandemia, bem como a urgência das reformas fiscais e tributárias, além do equilíbrio dos gastos públicos são alguns dos destaques da entrevista, que está imperdível. Veja a seguir!



 



ABIMÓVEL - Num momento totalmente atípico, como o senhor avalia o desempenho da indústria em 2020? Tivemos um resultado muito fora da curva?



Paulo Skaf - Na passagem de 2019 para 2020, a indústria e a economia brasileira como um todo vinham mostrando claros sinais de reação, com indícios de que a gradual recuperação ganharia força ao longo do ano passado. Essa expectativa se apoiava no ambiente de juros baixos, inflação controlada e um setor imobiliário em franca recuperação. O mercado de trabalho, nesse contexto, vinha melhorando e o desemprego seguia em trajetória de queda, com aumento do emprego formal. Infelizmente, essa trajetória virtuosa foi interrompida com a chegada da pandemia. Trata-se de uma crise sem precedentes, indiscutivelmente. Felizmente, a retomada da atividade econômica ocorreu mais rapidamente do que o antecipado, com a produção industrial e as vendas do varejo superando o nível pré-pandemia de maneira muito rápida. 



ABIMÓVEL - E como podemos ilustrar essa retomada em números?



Skaf - A produção industrial chegou a recuar quase 30% entre os meses de março e abril, mas em setembro já havia retornado ao nível de fevereiro e, em novembro, o nível da produção do setor encontrava-se 2,6% acima do patamar pré-pandemia. No caso das vendas no varejo, a reação foi ainda mais expressiva, com o volume de vendas em novembro superando o nível pré-pandemia em 5,2%. Com relação ao mercado de trabalho, houve abertura de quase 1,4 milhão vagas com carteira assinada entre julho e dezembro, após registrar fechamento de 1,6 milhão de postos de trabalho formais entre março e junho. Apesar da expressiva reação da atividade econômica a partir de maio, porém, o PIB, Produto Interno Bruto brasileiro, deve ter recuado quase 4,5% e a indústria de transformação deve ter contraído 5,8%.



ABIMÓVEL - Na sua opinião, quais foram as medidas mais assertivas tomadas pelo Governo Federal na minimização dos impactos da pandemia sobre a economia brasileira?



Skaf - O vigor da reação da economia deve-se às importantes ações do Governo Federal em várias áreas, tais como no crédito e no mercado de trabalho. Entre as ações estão a permissão de suspensão do contrato de trabalho ou a redução proporcional de salário e jornada de trabalho, que ajudou a não demitir; adiamento do recolhimento de impostos federais; a forte redução da taxa básica dos juros (Selic); e o Auxílio Emergencial, que injetou cerca de 290 bilhões de reais em nossa economia, beneficiando aproximadamente 68 milhões de pessoas. Foram medidas cruciais para a retomada econômica, minimizando os impactos da pandemia sobre o emprego e a renda da população. 



ABIMÓVEL - E o que senhor acredita que a indústria precisa a partir de agora para crescer de forma vigorosa? Aliás, isso depende apenas de questões internas ou o processo de recuperação da economia internacional também pesa bastante? 



Skaf - O vigor da recuperação da economia global é importante na retomada da atividade da indústria. Essa relação se dá via exportações de produtos manufaturados. Em 2020, devido à queda da economia global, as vendas externas de produtos manufaturados recuaram quase 22%, a despeito de uma desvalorização do Real de aproximadamente 30%. Vale lembrar que cerca de 15% do que a indústria de transformação produz tem como destino o mercado externo. No entanto, a retomada da agenda de reformas é de suma importância para ditar o ritmo da recuperação da atividade econômica doméstica. Para termos um forte crescimento nos próximos anos será essencial a execução da Reforma Tributária e de reformas fiscais que garantam a sustentabilidade do Teto de Gastos e do equilíbrio das contas públicas, como a Reforma Administrativa e a PEC Emergencial. A retomada da agenda de reformas, portanto, deve ser o norte para que o Brasil não perca as conquistas dos juros baixos e da inflação controlada. Bem como para que a economia volte a crescer e gerar os empregos que o Brasil tanto precisa. 



ABIMÓVEL - Nesse sentido, quais as expectativas em relação ao Governo Federal e as reformas necessárias para a manutenção da economia e do emprego no País?



Skaf - As expectativas são positivas. O Presidente Jair Bolsonaro e o ministro da economia Paulo Guedes têm reiterado o compromisso com a agenda de reformas e com o equilíbrio das contas públicas. Neste sentido, não podemos mais perder tempo, o país necessita que sejam aprovadas reformas como a Tributária, a PEC Emergencial e a Reforma Administrativa, essas duas impondo disciplina aos gastos com pessoal e dando sustentabilidade ao Teto dos Gastos. Além disso, o avanço rápido no processo de vacinação será outro fator fundamental a ditar a força da recuperação dos investimentos e do crescimento do emprego em 2021. 



ABIMÓVEL - Aproveitando a temática das reformas, qual a posição da Fiesp em relação ao aumento do ICMS no estado de São Paulo? 



Skaf - O aumento do ICMS imposto pelo governo do Estado de São Paulo é uma decepção para todos os contribuintes do estado. Após a repercussão negativa, e pressionado pela ameaça de protestos, o governador João Dória havia se comprometido publicamente a rever a alta generalizada de impostos. Chegou a dizer que não permitiria que a população mais vulnerável fosse penalizada com o aumento da carga tributária. Infelizmente, está claro, porém, que o governo quer aumentar a arrecadação às custas do setor privado e da população, aumentando tributos para diversos produtos como derivados de leite, carne, insumos hospitalares (inclusive seringas) e insumos das indústrias, entre tantos outros. Numa época de agravamento da pandemia, forte crescimento dos infectados e mortos pelo novo Coronavírus, e que milhões de pessoas que perderam seus empregos enfrentam dificuldade na obtenção do sustento de sua família, se esse plano seguir em frente, viver em São Paulo ficará mais caro. Produzir em São Paulo ficará mais caro. Gerar empregos em São Paulo ficará mais caro. É dramático que o governo tente impor um plano desses em plena pandemia. É de uma falta de sensibilidade sem tamanho! Aumentar qualquer imposto, especialmente neste contexto, é inaceitável. Por isso, a Fiesp luta na Justiça para reverter os aumentos de tributos de todos os setores atingidos, pois ameaçam o consumo das famílias e os empregos de São Paulo. Iremos até o fim contra essa tirania praticada por quem deveria zelar pelo bem de nosso estado.



ABIMÓVEL - Com base na atual conjuntura política e econômica, qual a expectativa da Fiesp para o próximo ano? O setor deve crescer ou se retrair? Há uma previsão percentual? 



Skaf - A nossa projeção para o resultado do PIB em 2021 é de crescimento de 4%, resultado um pouco superior à expectativa do mercado (3,5%). A previsão para o PIB da indústria é de uma alta de 5,4%, com a indústria de transformação avançando 6,6%. A atividade econômica deve perder força no início de 2021, devido à piora no contágio do vírus e a suspensão dos Auxílios Emergenciais. Indicadores de confiança empresarial e do consumidor mostram sinais de acomodação. Com o avanço do processo de vacinação no mundo e no Brasil, além da aprovação das reformas estruturais, porém, o ritmo da recuperação certamente ganhará força. É fundamental que o nevoeiro da incerteza sobre a evolução da pandemia e do andamento das reformas seja removido para que os investimentos e o consumo aumentem de maneira vigorosa, impulsionando o crescimento do emprego, do PIB e da indústria.



 



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